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Critica do filme Operação Fronteira

A recompensa do soldado

por
Carlos Augusto Ferraro

26 de Março de 2019
Fonte da imagem: Divulgação/Netflix
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Desenvolvido há quase dez anos, "Operação Fronteira" -- em um momento ou outro -- já teve nomes como Tom Hanks, Johnny Depp, Tom Hardy, Chaning Tatum e Mahershala Ali atrelados ao elenco, enquanto Kathryn Bigelow (primeira diretora a faturar um Oscar) era a mais cotada para assumir a direção. Entre as muias chegadas e partidas, o filme finalmente saiu do papel graças à Netlix.

Após cinco anos afastados, o diretor J.C. Chandor (Margin Call - O Dia Antes do Fim) e o roteirista Mark Boal (Guerra ao Terror) retornam para o que soa como uma parceria perfeita para o projeto em questão. Um breve olhar sobre as filmografias da dupla revela como ambos sabem explorar bem a mistura equilibrada de drama e ação.

Na história de conflitos, internos e externos, um grupo de cinco ex-militares tenta executar uma missão ilegal para eliminar um poderoso traficante sul-americano e faturar uma devida restituição financeira por serviços prestados ao governo estadunidense. Mark Boal conhece muito bem o terreno ambíguo dos campos de combate e tenta imprimir a mesma intensidade física da guerra nos conflitos morais de seus personagens, enquanto J.C. Chandor explora um estudo de personagens em um cenário complexo.

Infelizmente, nenhum dos dois consegue alcançar o mesmo sucesso das obras anteriores, mas mesmo assim entregam um bom título no crescente catálogo de originais da Netflix. Com um elenco de peso e alguns bons momentos, Operação Fronteira pode não ser elegante, mas cumpre a missão.

Soldo

Santiago “Pope” Garcia (Oscar Isaac) é um ex-militar que trabalha como consultor de segurança na América do Sul atuando contra narcotráfico. Quando ele descobre uma oportunidade para eliminar o maior traficante da traficante da região, Gabriel Martins Lorea (Reynaldo Gallegos) e roubar US$ 75 milhões escondidos em sua casa, Pope resolve recrutar seus antigos parceiros da Força Delta.

O grupo de ex-integrantes das forças especiais sofre para reajustar a vida fora do exército. Tom “Redfly” Davis (Ben Affleck) é um corretor de imóveis fracassado, Francisco “Catfish” Morales (Pedro Pascal) é um piloto que perdeu a licença de voo após problemas com drogas. Enquanto isso, William “Ironhead” Miller (Charlie Hunnam) realiza palestras motivacionais para outros soldados recém-saídos do exército e seu irmão Ben Miller (Garrett Hedlund) sofre tentando se tornar um lutador de MMA. 

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Sem perspectivas, o grupo não demora muito para aceitar a proposta de Pope, especialmente por este ter conseguido arrebanhar Tom, o pilar do grupo. Para minimizar o número de vítimas, o grupo elabora um plano eficiente para invadir a fazenda de Lorea, roubar todo o dinheiro e eliminar apenas o traficante e alguns de seus capangas. Todavia, quando a equipe descobre que há muito mais dinheiro escondido na casa do que o esperado a ganância começa a diluir a moral dos soldados.

O interessante aqui é ver desde o início o desenvolvimento dos personagens. O roteiro assinado em conjunto por Boal e Chandor não foca exclusivamente na ação e tenta explorar as motivações dos envolvidos. Mesmo que sem a devida profundidade, a dupla oferece alguns deslumbres dos princípios morais dos personagens, deixando a ação apenas como pano de fundo para uma discussão mais interessante. Todavia essa escolha narrativa segura muito o ritmo do filme, algo criativo, mas que destoa da ação por conta da indefinição da dupla de roteiristas que não ousa o suficiente em nenhum dos lados do pêndulo.

Tropa de elite

A dinâmica do grupo é essencial para a história, e o elenco transparece a naturalidade de anos de convivência com muita propriedade. A unidade possui um vínculo próximo, próprio de irmãos de armas. Com vários nomes de peso é difícil apontar algum destaque maior, mas é fácil dizer que Ben Afleck teve o maior trabalho da equipe. Tom é o personagem que exige mais empenho ao longo do seu desenvolvimento e o ator dá conta do recado, mesmo que cerceado pelos limites do próprio roteiro. 

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Charlie Hunnam e Oscar Isaac entregam performances sólidas, enquanto Garrett Hedlund está no piloto automático e Pedro Pascal não tem espaço suficiente para mostrar todo seu potencial. Independente disso, o grupo como um todo opera muito bem e, juntos, são o grande destaque do filme.

Quanto vale uma vida?

Operação Fronteira tem seus problemas, mas já pode ser considerada uma das melhores produções da Netflix. Um elenco competente, uma direção inteligente e um roteiro criativo fazem do filme uma aposta segura para quem busca um bom drama de guerra no extenso catálogo da Netflix.

O foco não é a violência, mesmo que a missão em questão seja basicamente um roubo e um assassinato. As ações dos personagens são os meios para um fim e a moral de seus atos é questionada a cada passo. O grande problema do filme é que os pontos mais interessantes da trama não são muito explorados, deixando uma sensação de superficialidade. A ação é bem construída, mas os momentos de reflexão quebram o ritmo e interrompendo a fluidez necessária para a composição eficaz da trama, culminando em um terceiro ato apressado e pouco elaborado.

Apesar de mediano, Operação Fronteira ainda se destaca dentro do catálogo da Netflix

Com tantas mudanças ao longo do desenvolvimento era de se esperar que o resultado final de Operação Fronteira fosse desequilibrado. Mesmo assim, o filme consegue se manter acima da média das produções da Netflix, e é um título interessante para quem procura um filme de guerra/ação que vá além de "recos" trocando tiros.  

Fonte das imagens: Divulgação/Netflix

Operação Fronteira

Não se iluda, isso não é uma operação militar

Diretor: J.C. Chandor
Duração: min
Estreia: 1 / Mar / 2019

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