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Crítica do filme Playmobil - O Filme

Uma brincadeira sem graça

Thiago Moura

por
Thiago Moura

Quarta, 18 Dezembro 2019
Fonte da imagem: Divulgação/Paris Filmes
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Se já existem tantos filmes sobre Lego, por que não um de Playmobil? Talvez seja uma animação decepcionante para quem busca a mesma energia que agrada tanto adultos quanto crianças que vemos nos filmes Lego. De qualquer maneira, o público alvo são os pequenos, e ser um filme bem infantil tem seus méritos.

Infelizmente, é difícil não comparar com Lego. Talvez faça parte da própria estrutura dos brinquedos: enquanto Lego não limita a criatividade com as peças e bonecos, Playmobil é mais rígido em suas próprias criações. Essa comparação também serve para as animações.

O longa é dirigido por Lino DiSalvo, que já trabalhou em animações de sucesso como “Frozen” e “Enrolados”, mas “Playmobil - O Filme” é sua estreia como diretor. O desafio é conseguir entreter o público durante uma hora e meia sem que pareça apenas um comercial sem fim, mas será que o desafio cumprido?

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Seguindo a fórmula de sucesso de filmes de animação, o longa aposta de cara em uma sequência cheia de cantoria e danças. Marla (Anya Taylor-Joy) acabou de terminar o colegial e está pronta para viajar pelo mundo antes de entrar na vida adulta, com faculdade, trabalho e responsabilidades. Ela vive com seus pais e seu amado irmão Charlie (Gabriel Bateman) e aparenta ter uma vida perfeita nos subúrbios de Nova York.

Após um trágico evento, Marla e Charlie acabam tornando-se ainda mais próximos do que gostariam ou esperavam. Alguns anos no futuro, Charlie foge de casa para se encontrar com um amigo em uma convenção fictícia de brinquedos em Manhattan, Marla se preocupa e vai atrás dele.

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Toda essa introdução é com os atores de fato e só após algum evento cósmico os irmãos são transportados para o universo de Playmobil e a aventura começa. Indo na contramão da maioria das animações, os personagens não tem nada a ver com suas contrapartes humanas.

A seguir, vemos uma sequência frenética de diversos “temas” do universo de Playmobil. Em um segundo os personagens se encontram no Velho Oeste, em seguida estão em uma rodovia cheia de carros que contorna um mundo jurássico com dinossauros e vulcões. A completa falta de coerência dos cenários não é um problema, já que se assemelha a uma criança mostrando todos os brinquedos que possui, mas depois de um tempo essa dinâmica fica cansativa.

Essa forma de apresentar a trama parece acertada, pois sempre alguma coisa diferente está acontecendo na tela, o que pode manter a atenção das crianças, mas acaba parecendo só uma distração até a brincadeira chegar ao ápice e os brinquedos voltarem para a caixa. Não há nenhuma consequência ou senso de urgência, o que torna o filme bem leve para todos os públicos.

Tão aleatório quanto uma caixa de brinquedos

Enquanto Marla é apenas uma personagem genérica no mundo de Playmobil, Charlie se torna um forte guerreiro viking, aclamado como herói. Porém, ele é raptado pelo maníaco imperador romano Maximus (Adam Lambert), que está reunindo os maiores heróis de cada “tema” para lutarem em sua arena.

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Piratas, amazonas, caçadores de recompensa futuristas, homens-das-cavernas e até um agente estilo 007 chamado Rex Dasher (Daniel Radcliffe) fazem parte da aventura e podem demonstrar suas particularidades em breves momentos. Marla precisa encontrar seu irmão e salvar todos, contando apenas com a ajuda de um malandro food-trucker chamado Del (Jim Gaffigan), tudo isso regado a canções não muito melódicas.

Enfim, há apenas uma breve piada sobre a estranheza do formato dos corpos dos Playmobil, para em seguida ser esquecida e o filme se tornar apenas mais uma animação qualquer. É preciso reconhecer toda o esforço de DiSalvo para tornar a animação fluída, mas talvez uma pequena amostra de stopmotion com os brinquedos tornaria tudo mais agradável.

Provavelmente “Playmobil: O Filme” não se destaque dentro do gênero, servindo apenas como uma opção fraca para as crianças que só querem dar umas risadas e se encantar com um mundo mágico colorido, mas para quem tem curiosidade vale a pena conferir.

Fonte das imagens: Divulgação/Paris Filmes

Playmobil - O Filme

Nada do que possa acontecer vai tirar esse sorriso do meu rosto

Diretor: Lino DiSalvo
Duração: 100 min
Estreia: 19 / Dez / 2019

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Thiago Moura

Curto as parada massa.

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