Crítica do filme Refém da Paixão

Que história bonita!

por
Fábio Jordão

19 de Agosto de 2015
Fonte da imagem: Divulgação/

Às vezes, eu queria que meus dias tivessem 48 horas, para poder aproveitar mais a vida, ver mais filmes. Não que eu assista a poucos filmes. Na verdade, eu vou todas as semanas ao cinema, mas ainda não há tempo hábil para ver tudo aquilo que eu gostaria.

Refém da Paixão” estreou em abril do ano passado, mas só recentemente eu consegui encaixá-lo no meu cronograma. Era um filme que me chamou a atenção ainda antes da estreia, mas a vida não me deixou apreciá-lo na telona. Uma pena, porque o filme é muito bom.

Felizmente, o Telecine Play tá aí pra fazer a nossa alegria e foi através do serviço que pude conferir este longa-metragem pra lá de cativante. Vendo o cartaz do filme e outros materiais, pode ser esquisito falar que a história gira em torno de Henry Wheeler, um menino de 13 anos que luta para ser o homem da casa e cuidar de sua mãe, mas, acredite, o garoto é peça fundamental na trama.

Ele mora sozinho com sua mãe (Kate Winslet), que caiu na reclusão após a separação. Ela não sente falta do marido, mas sente falta do amor. Acontece que tudo pode mudar depois de uma situação pra lá de esquisita. Certa vez, quando estavam fazendo compras, Henry e sua mãe cruzam com Frank (Josh Brolin), um homem intimidante, que os convence a levá-lo para a casa deles.

Não demora muito para que eles acabem descobrindo a identidade do homem: ele é um fugitivo de um presídio próximo. E eles apenas estavam no local e horário errado, ou, quem sabe, a história seja bem diferente. Os eventos deste feriado prolongado do dia do trabalho irão moldá-los para o resto de suas vidas.

Os perigos da paixão

Quem vê o trailer deste filme não compreende nem um pedacinho do todo. A história vai bem mais além do que a sinopse pode contar e conseguir captar a mensagem durante as quase duas horas de filme depende de abolir alguns preconceitos e aceitar o inusitado.

Considerando a situação em que Frank cruza com Henry e sua mãe, temos a sensação de que a experiência entre eles será desconfortável e até angustiante, mas as coisas vão na contramão. Obviamente, pensamos dessa forma, pois o consenso dita que um condenado é alguém muito perigoso, portanto aceitar que alguém possa se apaixonar por um criminoso é algo incabível.

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E é justamente neste ponto que o longa-metragem tenta engrenar e passar algo diferente. “Refém da Paixão” insiste na ideia de que até a situação mais improvável de todas pode surtir algo de bom. Contudo, o título não faz as relações entre os três personagens parecer algo idiota ou forçado. Todas as cenas apresentadas nos convencem de que temos aqui uma história incomum. E isto é excelente.

Depois de alguns momentos de tensão, que fazem o espectador ficar apreensivo e com medo do que Frank possa armar, somos surpreendidos com as reações de Adele. Logo, os dois começam a ver que a situação pode ser vantajosa para todos e uma paixão inesperada toma conta da trama. Só que esta não é uma relação convencional, então tudo tende a ir por água abaixo se não houver um plano.

Uma história emocionante

Felizmente, o roteiro de “Refém da Paixão” não fica só no relacionamento entre os dois. A história se desenvolve bem e aos poucos somos levados a mergulhar na trama que fica cada vez mais promissora. Não vou dar detalhes sobre os planos do casal ou outros acontecimentos do garotinho que conduz boa parte do filme, mas a verdade é que o filme prende a atenção.

Obviamente, os bons resultados desta trama também se devem às ótimas atuações de Kate Winslet e Josh Brolin. Os dois estão em sintonia e contracenam de forma instigante. Nos momentos de tensão, ele faz o papel perfeito de ameaçador e ela corresponde mostrando sua fragilidade.

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A personagem de Winslet, na verdade, é bem complexa, já que traz os traumas do passado e precisa lidar com uma situação bem complicada. Entretanto, Frank costuma roubar os holofotes várias vezes, pois representa uma quebra de paradigma.

Sinceramente, a única coisa que poderia mudar neste filme são algumas cenas bem aleatórias em que vemos Henry interagindo com uma personagem que entra sem qualquer motivo na história e acaba deixando tudo muito bizarro. Seria perfeitamente possível alcançar o mesmo desfecho sem ter essa peça desnecessária.

Apesar disso, “Refém da Paixão” acaba sendo um filme muito envolvente. Não é uma história ordinária, não se trata de uma paixão convencional, tampouco de uma obra que apela para clichês. Independente se você gosta ou não de romances, este longa-metragem pode surpreender. É uma história bonita, com muito para contar!

Fonte das imagens: Divulgação/

Refém da Paixão

Dia do trabalho

Diretor: Jason Reitman
Duração: 111 min
Estreia: 13 / Mar / 2014

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