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Crítica do filme Rosa e Momo

Um amor improvável

por
Lu Belin

13 de Janeiro de 2021
Fonte da imagem: Divulgação/Divulgação/Netflix
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Uma das produções mais recentes da Netflix é uma combinação inusitada de reggaeton italiano com Laura Pausini em múltiplos idiomas, o retorno de Sophia Loren e a estreia surpreendente do talentoso Ibrahima Gueye.

"Rosa e Momo" é um filme italiano dirigido por Edoardo Ponti, com roteiro assinado em coautoria pelo próprio diretor, Ugo Chiti e Fabio Natale. Apesar de fazer todo sentido dentro do contexto da película, que se passa na Itália, o livro que deu origem ao filme se passa na França, no bairro Belleville, em Paris.

A obra "A Vida Pela Frente", de Romain Gary, trata de um assunto que é hoje uma questão urbana importante de direitos humanos, cultura e educação: a vida e a perspectiva das crianças filhas de imigrantes e refugiados na Europa.

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Por se tratar de uma situação que marca todo o continente é que a história encontra eco também na Itália, onde foi situada na cidade portuária de Bari, capital da região de Puglia, no sul italiano.

A geografia é importante na história, porque tanto a cidade quanto toda a região, que são costeiras, recebem uma grande quantidade de imigrantes de diferentes regiões africanas, asiáticas e do Oriente Médio. É de uma dessas áreas que vêm o protagonista Momo - apelido para Mohammed -, menino senegalês de origem muçulmana cuja mãe foi morta e que, por isso, está sob os cuidados do Estado.

O responsável por Momo é o Dr. Coen (Renato Carpentieri), que trabalha com assistência social, mas também é médico e acompanha a saúde de Madame Rosa, interpretada por Sophia Loren.

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É graças ao doutor que as histórias de "Rosa e Momo" se encontram, de maneira que o médico consegue convencer uma já idosa ex-prostituta a cuidar de Momo por algumas semanas, até que ele encontre um lar para o menino. Embora esteja resistente à ideia no começo e ache o menino uma causa perdida, ela aceita a tarefa, acreditando que o dinheiro que o médico pretende lhe pagar por isso será útil.

Complementares

Imagine ser um menino de apenas 12 anos e ter a oportunidade de contracenar com uma verdadeira lenda do cinema mundial. "Rosa e Momo" é apenas o primeiro longa-metragem de Ibrahima Gueye, o que é uma grande surpresa, uma vez que a atuação do ator mirim é de uma perfeição impressionante.

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O menino incorpora o personagem com um talento inquestionável, com tanta maestria que, em muitos momentos, rouba a cena e tira a atenção até mesmo da própria Sophia Loren. Por outro lado, a experiência da atriz, que estava há dez anos afastada das câmeras e, aos 86, retorna para esta joia de filme, não passa despercebida.

Embora o filme inteiro funcione muito bem e outros atores e personagens sejam interessantíssimos e muito bem construídos - como é o caso de Abril Zamora (Lola), Babak Karimi (Hamil) e Iosif Diego Pirvu (Iosif), é na dança entre "Rosa e Momo", na sintonia entre Sophia e Ibrahima, que a história acontece e envolve o espectador.

Simplicidade e sensibilidade

O roteiro de "Rosa e Momo" não tem nada de novo nem retrata uma situação muito surpreendente, já no trailer todo o plot fica bastante óbvio. É um daqueles títulos que nem os spoilers conseguem estragar a experiência, porque qualquer pessoa que leia a sinopse já sabe o que vai acontecer.

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Mas é justamente na simplicidade da história e na qualidade da narrativa em que se encontra o trunfo de um filme como esse. Ver pessoas tão diferentes encontrarem conforto e carinho no sofrimento de cada um, nas diferenças e nas dores compartilhadas é o que faz com que o público se sinta abraçado pela tela.

Embora a imigração seja o tema central da trama, "Rosa e Momo" consegue passar também por outros temas paralelos que dialogam com essa questão central, da marginalização e do tráfico de drogas à maternidade, ao preconceito, à religião e à velhice. Mas nada disso resume o filme. No centro de todo esse contexto, está a generosidade, que parece ser a essência de tudo.

Fonte das imagens: Divulgação/Divulgação/Netflix

Rosa e Momo

Alguns encontros mudam a nossa vida

Diretor: Edoardo Ponti
Duração: 94 min
Estreia: 13 / Nov / 2020

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Lu Belin

Eu queria ser a Julianne Moore.

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