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Crítica do filme Sherlock Holmes - O Jogo de Sombras

Cada vez mais herói

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Segunda, 16 Janeiro 2012
Fonte da imagem: Divulgação/Warner Bros. Pictures
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Confesso que quando vi o primeiro filme de Sherlock Holmes com Robert Dawney Jr., fiquei muito decepcionado com a mudança completa do personagem. O detetive mais famoso de todos os tempos tinha virado um herói, que dava socos para todos os lados e, só depois, aos poucos parava em um momento ou outro para pensar em investigar o caso em que deveria trabalhar.

Quando anunciaram "Sherlock Holmes - O Jogo de Sombras", pensei que outra bomba estava prestes a chegar aos cinemas. Me enganei. O novo filme tem muitas ligações com o estilo introduzido no primeiro, mas ele consegue corrigir erros e se sair muito melhor que o anterior — não que seja o ideal para o personagem que vemos nos livros.

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Em Sherlock Holmes - O Jogo de Sombras, vemos o detetive correndo atrás do famoso Professor Moriarty, contudo, logo no começo do filme vemos um grande erro: o caso já está resolvido! Holmes já ligou todos os pontos e pouco se explica sobre o que ele vai fazer a seguir.

Não que os pontos não sejam conectados, mas ficou um bocado esquisito montar a história de forma inversa. Aliás, aqui vale uma crítica geral ao filme, pois todo o mistério que é colocado nos livros de Sir Arthur Conan Doyle, fica deixado de lado no filme, sendo que pouco se vê de investigação, reconstrução de fatos e material palpável sobre o caso (repetindo a receita do filme antecessor).

Depois de algum tempo, fica claro que Moriarty deseja começar uma guerra forçada, visto que ele tem como objetivo adquirir as principais fábricas de armas e, assim, seria o principal fornecedor de munição para todas as nações (ou seja, o cara só quer ser um grande capitalista). Aos poucos, vamos vendo que o detetive e seu companheiro visitam diversos países, algo que é muito positivo, visto que muitos cenários são utilizados e deixam o filme bem diversificado.

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Algo que motivou os roteiristas a retirarem essa investigação é justamente a nova roupagem de Holmes. Optaram por focar em detalhes no casamento do Dr. Watson (Jude Law) e deixaram de mostrar coisas importantes. O casamento, por sinal, serve justamente para fazer um drama, mostrando que o detetive é descompromissado e que necessita do parceiro no relacionamento.

Desde as primeiras cenas, vemos muitas sequências repletas de ação, recheadas de efeitos especiais, abusando aos montes do famoso slow motion. Apesar desse excesso, o filme não chega a ficar enjoativo, ou melhor, o público parece pedir por mais, justamente porque Guy Ritchie conseguiu construir excelentes cenas unindo a trama e as câmeras bem posicionadas.

Duas situações me chamaram a atenção: a cena do trem e a cena na floresta. A sequência na locomotiva é fantástica, mostrando que Sherlock Holmes pode sim ter muita ação nas horas devidas. E a cena da floresta impressiona muito pela minuciosidade de detalhes. Com câmeras Phanton, Ritchie conseguiu construir belíssimas sequências que empolgam os espectadores.

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Para acompanhar toda a ação, movida com detalhes revelados aos poucos, nada melhor do que uma trilha produzida por ninguém menos que Hans Zimmer. Nesse ponto, o filme é simplesmente impecável. Nota-se claramente o cuidado que o compositor tem em criar músicas especiais para cada sequência e tentar manter sempre o clima de suspense.

Nessa jornada de Holmes, vemos que além de Watson, ele conta com a ajuda da cigana Simza. Essa de certa forma dá suporte no geral, porém, senti que ela ficou muito deslocada, visto que as poucas expressões e a participação dela deixam a desejar.

Enfim, "Sherlock Holmes - O Jogo de Sombras" é um filme muito bom e, mesmo que ainda desagrade (os fãs do personagem clássico) por insistir num detetive heróico, ele conseguiu superar o anterior.

Fonte das imagens: Divulgação/Warner Bros. Pictures

Sherlock Holmes - O Jogo de Sombras

Elementar, meu caro Watson

Diretor: Guy Ritchie
Duração: 129 min
Estreia: 13 / Jan / 2012

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