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Crítica do filme Sr. Holmes

Uma viagem nas memórias do maior detetive

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Quinta, 19 Maio 2016
Fonte da imagem: Divulgação/Sony Pictures
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Desde pequeno, eu acompanho as fantásticas histórias de Sir Arthur Conan Doyle. O grande personagem criado por este mestre da investigação é um motivo de fascínio para a minha pessoa, tanto que estou sempre antenado em novas adaptações e materiais derivados dessas obras.

Contudo, fazia tempo que eu não me empolgava com a oportunidade de conferir uma película com o maior detetive de todos os tempos. As pegadas recentes dos filmes protagonizados por Robert Downey Jr. e até mesmo da série com Benedict Cumberbatch fogem das origens.

Os filmes com Downey Jr. dão um enfoque na ação que, na verdade, nunca existiu nas obras de Doyle, enquanto que a série traz uma perspectiva moderna e um exagero tão grande que também acaba destoando das premissas vistas nos livros.

Assim, ao saber da produção do filme “Sr. Holmes”, estrelada por Ian McKellen, minha empolgação foi mais do que elementar. Esta história opta por um viés diferente, mostrando o detetive já em idade avançada, em uma investigação ousada num mundo complexo: sua própria mente.

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Sherlock Holmes se mostra um bocado cansado, confuso e até duvidoso de suas capacidades, tanto que ele desistiu de sua carreira após ter falhado na resolução de um caso. Com seus dias contados, ele luta contra o tempo para recuperar memórias e tentar desvendar alguns mistérios que perturbam sua mente. Um filme de suspense diferente, que vale muito a pena para os fãs do gênero.

A verdade por trás do mito

O primeiro ponto que faz esta obra ganhar a atenção do expectador é o foco totalmente voltado ao detetive. O doutor Watson já não atua com Holmes há anos, desde a situação em que o detetive resolveu largar a carreira e descansar sua mente. Em vez de contos fantasiosos, Sherlock mostra que os contos sobre sua vida eram um bocado exagerados, relatando inclusive que ele preferia um bom charuto a um cachimbo.

Apesar de ainda mostrar grande perspicácia, Holmes não é aquele detetive que você está acostumado a ver na série televisiva. Ele é um homem de grande inteligência, que preza pela lógica e apenas liga os fatos de forma extremamente rápida, mas não espere que ele olhe pegadas no chão e consiga solucionar todas as informações do ambiente.

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Ao contrário, Sherlock Holmes, em seus diálogos com um garotinho, filho da governanta, que mora em sua casa, mostra que, às vezes, as informações são bem óbvias e basta um pouco de estudo e observação para conseguir identificar a verdade. De um jeito muito sereno e com diálogos bem pontuais, o detetive já no fim de sua carreira reforça que ele tem méritos e não perdeu o estilo.

Uma característica que garante originalidade e que, ao mesmo tempo, compactua com o estilo de Conan Doyle é o estilo de abordagem da investigação. Apesar de o caso em questão não ser recente, a viagem ao passado recapitula o jeito característico do detetive, com cenas inteligentes que enfatizam o modus operandi excepcional de Holmes.

Cautela e minuciosidade na produção

Bom, o caso de “Sr. Holmes” se desenvolve aos poucos, em momentos que alternam entre o passado, quando Holmes tenta desvendar o caso que nunca resolveu, e o presente, situações em que o homem lida com suas debilitações e seu convívio com os demais habitantes da casa.

As investigações no passado, que volta quase 30 anos, são situadas em dois cenários: Japão e Reino Unido. O resgate das memórias se dá aos poucos e, para tanto, a produção aposta na maquiagem e no estilo visual. No presente, temos um detetive com 93 anos, em uma casa afastada da cidade, com belas paisagens. No passado, ele está jovial e em ambientes nas redondezas da Rua Baker.

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Nesse sentido, a fotografia do filme se mostra fundamental, uma vez que ela constrói o plano de fundo e fica responsável por ambientar o expectador nos diferentes pontos da história. O capricho da produção nesse ponto é notável, com locais de beleza ímpar.

Os cenários internos, bem comuns em cenas do passado, mostram os tantos instrumentos de Holmes, compactuando com as obras de Conan Doyle. As cenas externas, mais importantes no presente, se ajudam na composição de muitos diálogos, bem como dão um tom mais dramático à produção. É um equilíbrio coerente, que dá dinamismo ao filme.

Todo o cuidado visual casa perfeitamente com a trilha bem orquestrada. As músicas de Carter Burwell (de “Horas Decisivas” e “Carol”) apresentam graves reforçados para dar ênfase ao suspense, mas também são marcadas pelas longas notas que ajudam na parte emocional, uma vez que o filme foca também na questão dramática do personagem. Um trabalho excepcional!

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Todavia, o principal do filme é o próprio Sherlock Holmes. A escolha de Ian McKellen para o papel do detetive foi muito pontual, uma vez que o ator conseguiu reproduzir com perfeição as principais angústias do homem em idade avançada, sem deixar de transparecer toda a genialidade do personagem que sempre foi astuto.

“Sr. Holmes” se destaca pela trama diferenciada, que é bem construída e recapitula um tanto do personagem de Conan Doyle. O desenvolvimento do caso é muito interessante, bem como a abordagem do personagem, que se mostra o grande destaque da película. É um filme imperdível para quem gosta de suspense e aprecia as tramas do maior detetive de todos os tempos.

O filme “Sr. Holmes” está em exibição nos canais HBO e na HBO GO.

Fonte das imagens: Divulgação/Sony Pictures

Sr. Holmes

A genialidade não tem idade

Diretor: Bill Condon
Duração: 104 min

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