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Crítica do filme Star Wars - A Ascenção Skywalker

A derradeira conclusão da saga épica!

Thiago Moura

por
Thiago Moura

Segunda, 30 Dezembro 2019
Fonte da imagem: Divulgação/Walt Disney Pictures
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É difícil analisar qualquer filme Star Wars sem considerar todo o universo expandido, isso sem falar das inúmeras obras transmídia como quadrinhos, livros e jogos. A franquia tornou-se tão grandiosa que dificilmente você vai encontrar alguém que nunca tenha ouvido falar sobre a Força.

Acredito que esse seja o fator principal de tanta controvérsia a respeito de cada episódio novo. É impossível agradar todo mundo, e considerando que grande parte do planeta vai assistir esperando ter suas expectativas satisfeitas, pelo menos metade vai detestar.

É claro que “Só um Sith lida em absolutos”, mas tentando agradar a todos, o diretor J.J Abrams desagradou muita gente. Já deixo claro que eu não fui uma delas, saí extasiado do cinema e por mais que concorde que muitas escolhas não foram acertadas, a conclusão da saga de nove filmes episódicos foi bastante satisfatória.

Desde George Lucas, os temas abordados são descomplicados para criar um laço emocional direto com o público. O Bem contra o Mal, amor, redenção, amizade, esperança. Muitos podem considerar os filmes uma novela espacial e é disso que se trata mesmo.

Enfrentar o medo é o destino do Jedi

Contextualizações a parte, esse texto terá spoilers e por isso é recomendado assistir o filme antes de ler. “A Ascensão Skywalker” é o nono filme de uma saga de 40 anos e os Skywalkers são o elo condutor de toda essa bagunça cósmica, e carregar o fardo de concluir essa longa jornada estelar não é uma tarefa simples. 

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Pautada fortemente na nostalgia, o roteiro de Chris Terrio e J.J Abrams escolhe se opor a nova visão proposta por Rian Johnson em “Os Últimos Jedi” e continuar o que foi iniciado em “O Despertar da Força”. Esses dois filmes são os melhores exemplos sobre as expectativas e a base de fãs. “Os Últimos Jedi” quebra totalmente as expectativas e ousa abandonar muitas ideias antigas para focar numa base de fãs nova, mas em uma franquia com fãs tão chatos quanto exigentes, as expectativas precisam ser satisfeitas ou eles vão xingar muito na internet.

É para esse público que “Ascensão Skywalker” foi feito, surpreendendo em nada, entregando exatamente o que todo mundo já esperava e mesmo assim desagradando muitos. Particularmente eu gosto das duas visões, ainda que prefira coisas novas e não recicladas, se eu sou fã eu quero serviço.

Abrams renega quase que totalmente as escolhas de Johnson, mantendo apenas alguns elementos, como a conexão entre Rey (Daisy Ridley) e Kylo Ren (Adam Driver), ampliando e muito seus poderes e os possíveis usos da Força. Essa necessidade de “corrigir” seu antecessor faz com que o filme seja insuficiente para o curto período de 2 horas e 20 minutos com explicações apressadas e soluções simplistas como “A Força nos uniu”, com muitos personagens e cenas apressados.

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Vale destacar a lamentável subutilização de Rose Tico (Kelly Marie Tran) que aparece por pouco mais de um minuto. A justificativa de que ela originalmente deveria interagir com a General Leia (Carrie Fisher) e isso demandaria cenas complexas em computação gráfica é totalmente insatisfatória, já que todas as cenas foram pensadas a partir de filmagens não utilizadas e complementadas com computação gráfica. Apesar de tudo, a morte da atriz foi contornada com muita sensibilidade, com cenas tristes mas respeitosas.

Por outro lado, adicionar duas atrizes para “complementar” Finn (John Boyega) e Poe (Oscar Isaac) e resumir suas histórias em “um passado distante algo aconteceu” é bastante simplista e sem graça. Jannah (Naomi Ackie) aparece apenas como uma manobra de combate boba e como easter egg de ser a filha de Lando Calrissian (Billy Dee Williams).

Já Zorii Bliss (Keri Russell) é apenas uma personagem com um design interessante e sem muita participação efetiva, muito semelhante ao “lendário” Boba Fett, mas ainda menos expressiva. Tudo isso é fácil de relevar, já que o foco da trama são os protagonistas Jedi/Sith e o equilíbrio entre o lado da luz e o sombrio.

Aliás, o grande desafio da nova trilogia foi criar novos personagens tão bons quanto os antigos e gerar a conexão emocional que os originais carregam. Em “A Ascensão Skywalker” esse objetivo se concretiza em parte, não por serem personagens icônicos mas por terem espaço em cena para finalmente demonstrar suas próprias características, intercalando os personagens da antiga e nova geração e dando o tom de aventura tão próprio de Star Wars. 

Eu tenho um mau pressentimento sobre isso

O retorno do Imperador Palpatine é bastante forçado e possivelmente a única escolha sem sentido, além da sua nunca antes mencionada família. Toda a aura de mistério em torno da origem de Rey foi fracamente construída e a conclusão foi ainda menos aceitável. Pessoalmente eu preferia a ideia de que ela não era filha de ninguém importante, apenas alguém que tem uma conexão com a Força, potencialmente qualquer ser do universo podendo ser um grande Jedi.

Mas sabemos que Star Wars é sempre sobre os Skywalker e isso não poderia ser deixado de lado no último filme. Essa tentativa de amarrar todas as pontas é o que desagradou muitos fãs. Apesar de tudo, nenhuma dessas escolhas controvérsias diminuam o entretenimento.

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O desfecho é deduzível, o que não significa que seja insatisfatório. São cenas monumentais e emocionantes carregadas de intensidade com Daisy Ridley e Adam Driver entregando tudo que poderia ser extraído dos papéis maniqueístas impostos a eles. Eu amo muito a Rey e vou protegê-la até o final, além de que o boneco Babu Frik é pura diversão e o desafio é não rir com essa criatura!

Muitas lacunas são preenchidas pela inigualável trilha do genial John Williams e qualquer coisa que eu tente usar para descrever não será o suficiente, então ouça aqui.

Considerando a jornada de anos de formação de um imaginário compartilhado sobre o símbolo Star Wars, a necessidade de concluir uma saga de anos conciliando tudo para agradar a maioria sem fechar as possibilidades para o futuro, foi difícil para “A Ascensão Skywalker” inovar e ser uma obra fechada em si mesma.

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Desde sempre as mesmas falhas podem ser apontadas para qualquer filme da saga. Roteiro esburacado, coincidências FORÇAdas, momentos bregas e fanservice até dizer chega, exatamente tudo que Star Wars é e sempre foi. E nada disso torna a experiência menos grandiosa, ao contrário, continua a despertar grandes emoções em todos os fãs. É o fim de uma era e não da franquia, espero que o futuro traga novas e diferentes aventuras para que Star Wars seja tão plural que não precise de apenas um filme para satisfazer a todos.

Fonte das imagens: Divulgação/Walt Disney Pictures
Diretor: J.J. Abrams
Duração: 142 min
Estreia: 19 / Dez / 2019

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Thiago Moura

Curto as parada massa.

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