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Crítica do filme Superpai

Quem disse que comédia precisa fazer rir?

André Luiz Cavanha

por
André Luiz Cavanha

Quinta, 26 Fevereiro 2015
Fonte da imagem: Divulgação/
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Gostaria de fazer uma crítica severa, mas com a qualidade que você leitor (a) do Café com Filme está acostumado a ver por aqui nos textos elaborados pelos meus colegas do site. Entretanto, peço desculpas de antemão, pois Superpai é ruim, mas tão ruim, que me tira do sério a ponto de prejudicar na estruturação dessa crítica.

Sem saber exatamente por onde começar, faço uma reflexão sobre o que vem acontecendo com as últimas novidades dos filmes de comédia nacionais:  bastaria que os criadores do humor se contentassem na cotidiana missão de subestimar nossa inteligência povoando a programação televisiva com pânicos e zorras totais com as mais estúpidas e infinitas peças de tortura. Mas não satisfeitos em atingir esse objetivo, avançam também contra o nosso cinema contratando gente talentosa para fazer besteiróis. 

Há quem discorde, mas o elenco de Superpai conta com artistas bons e que em suas trajetórias conquistaram milhares de pessoas, como o exemplo da Dani Calabresa, que além do talento possui grande carisma. 

Uma super-história ruim

O filme, que não fala nada sobre ser pai e muito menos sobre ser super, conta a história do papai Diogo (Danton Mello) que se reúne com velhos amigos dos tempos da adolescência para participar de uma festa de 20 anos de formatura. Um tanto negligente nos cuidados com o próprio filho, ele vive um casamento razoável com Mariana (Monica Iozzi). 

O problema é que Diogo mantém seu desejo de possuir a garota mais cobiçada dos tempos colegiais e a festa é sua única oportunidade de tentar resolver sua pendência com a musa, Patricia Ellen (Juliana Didone). Por sorte, no mesmo dia da festa, sua sogra é internada no hospital após um tombo e sua esposa é obrigada a ficar de plantão cuidando da mãe. 

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Entre ficar em casa tomando conta do próprio filho e realizar a maior fantasia da juventude, é óbvio que um Superpai optaria por largar o moleque numa creche macabra, aos cuidados de sabe lá quem.

Um super-fracasso como comédia

Há uma tentativa bem forçada de fazer com que o enredo se torne uma confusão, uma situação absurda e sem pé nem cabeça. E nem é preciso julgar moralmente esse paizão que tem a meta de ser infiel, assim como o jeito inconsequente dos amigos que ele reencontra após duas décadas.

O fato é: não há história engraçada, tampouco piadas boas. A menos que você seja um daqueles boçais que apreciam humor extremamente machista, capacitista e que subestime sua capacidade de pensar.

Um super-protagonista sem graça

O fato de Danton Mello ser irmão de Selton Mello ficou martelando na minha cabeça enquanto essa trama ridícula ia se desenvolvendo na telona, mas não tenho objetivo de comparar a atuação de cada um dos dois.

A impressão que tenho é a de que Selton é provavelmente mais sortudo por ser convocado para trabalhos inesquecíveis ou faz escolhas inteligentes sobre onde pretende atuar. Desde o Auto da Compadecida (1999) até filmes mais recentes como O Palhaço (2011), também em personagens mais sérios como “Trash – A Esperança vem do lixo”, é notável tanto a superioridade como ator, quanto o acerto na escolha dos papéis.

Fonte das imagens: Divulgação/

Superpai

Confira o trailer deste filme dirigido por Pedro Amorim

Diretor: Pedro Amorim

Duração: 90 min

Estreia: 26 / Fev / 2015

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André Luiz Cavanha

Todo coração é uma célula revolucionária.

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