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Critica do filme Te Peguei!

Se não aguenta brincar, não desce pro play

Carlos Augusto Ferraro

por
Carlos Augusto Ferraro

Sexta, 24 Agosto 2018
Fonte da imagem: Divulgação/Warner Bros. Pictures
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A Warner parece ter encontrado a nova fórmula para as “grandes comédias" contemporâneas. Com histórias simples que entregam o que prometem e apoiado na estrutura de um grande estúdio, com direito a elencos de peso e recursos técnicos antes reservados para produções de alto investimento as comédias da Warner apostam em roteiros ágeis e técnicas cinematográficas coerentes para entregar filmes que dialogam livremente com vários gêneros.

TePeguei! é a nova amostra da estrutura que já entregou pérolas como Se Beber Não Case e o recente A Noite do Jogo. Apesar de não trazer o mesmo brilho que A Noite do Jogo, a obra de Jeff Tomsic mostra os mesmos elementos que vem dando certo nas outras produções da gigante de Hollywood.

Com um elenco comandado pelo sempre energético Ed Helms, o filme uma ode à amizade (e a nostalgia infantil típica dos homens de meia-idade). Livremente inspirado na inacreditável história real de um grupo de amigos que mantém um vivo um jogo de pega-pega por mais 30 anos, Te Peguei! é ágil e principalmente, engraçado.

Mesmo com alguns deslizes no tom, que derrapa um pouco na entrega de algumas piadas, o filme é mais uma boa pedida para quem procura uma comédia que não envolva paródias preguiçosas ou escracho escatológico.

Ele não sabe brincar…

A inusitada premissa de Te Peguei! é tão absurda que só poderia ter saído da vida real. Um artigo do Wall Street Journal sobre um grupo de amigos que “brincam” de pega-pega a mais de 30 anos é o ponto de partida para o roteiro de Rob McKittrick e Mark Steilen, que acompanha o jogo que mantém vivo a amizade de cinco homens que seguiram caminhos bem diferentes desde a sua infância.

A ideia é que todo ano, durante o mês de maio, vale tudo para pegar o coleguinha. Disfarces, mentiras e armadilhas, não há limites e poucas regras (nada de pegar de volta). Hoagie (Ed Helms) é o coração do grupo, e é por ele que o espectador conhece os outros membros dessa fraternidade. Bob é um executivo bem-sucedido vivido por Jon Hamm, enquanto Chilli (Jake Johnson) é o chapadão caricato e Hannibal Buress é o neurótico -- e muito mal-aproveitado -- Fumaça.

Mas a grande estrela do grupo é Jeremy Renner, que encarna o grande campeão da brincadeira, Jerry, detentor do recorde de nunca ter sido pego. No entanto, de casamento marcado, parece que este será o seu último ano jogando, notícia que deixa seus amigos ansiosos para explorar a situação e finalmente desbancar o maioral.

Se você procura uma comédia inteligente que desafia conceitos, recheada de ironia e diálogos sarcásticos é melhor procurar em outro lugar. As analogias da brincadeira com a vida pessoal de cada um é bem óbvia, mas a simplicidade da mensagem é a forma de introduzir um pouco de drama sem deixar que isso afete as risadas.

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Ninguém é “café com leite”

Não há dúvidas de que o elenco é o ponto forte do filme. Comandados por Ed Helms (Se Beber Não Case), um veterano do gênero, o grupo mistura bem carisma e talento explorando estereótipos dos próprios atores.

Jon Ham como o executivo orgulhoso é uma piada pronta de seu papel mais famoso, o misógino Don Drapper da série Mad Men. Algo ainda mais explícito no caso de Jeremy Renner, e seu “Vingador” suburbano capaz de antecipar movimentos (à la Sherlock Holmes) e de fugas acrobáticas no melhor estilo Aaron Cross (Legado Bourne).

Fica aqui também o lamento pelo talento desperdiçado de Hannibal Buress, cujo personagem “Fumaça” é mal-explorado e mais parece uma “inclusão” social. Uma pena, pois Buress é, de fato, o ator que entrega a performance mais genuína, sem cair no seu repertório básico. Sendo que o mesmo vale para o elenco feminino composto das excelentes Isla Fisher, Rashida Jones e Leslie Bibb.

A direção de Jeff Tomsic não é tão inspirada quanto a da dupla Jonathan Goldstein e John Francis Daley (A Noite do Jogo), mas entrega algumas cenas bem construídas. Perseguições dignas de filmes de ação entregam comédia física sem cair no ridículo.

O grande deslize fica por conta da aparente falta de química do grupo. Em nenhum momento o grupo realmente transparece toda a amizade que os mantém juntos a tanto tempo. Pode-se argumentar que esse aparente distanciamento é intencional e parte do desenvolvimento da trama que toca em temas como o distanciamento e maturidade. Na prática, fica difícil de acreditar em uma amizade tão verdadeira em um grupo tão dissociado.

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Pique!

Te Peguei! é uma boa comédia que aproveita um modelo que a Warner parece ter refinado com muita autoridade. A comédia para adultos que não se prende a gêneros, mas sabe seus limites. Drama e humor são balanceados pela ação, com roteiros simples e diretores criativos.

O estúdio conseguiu entregar “gostosas risadas” sem cair em extremos do gênero. Se o padrão Warner de fazer comédia tem espaço para crescimento ou se já está saturado não é importante, desde que continue nos fazendo rir.

Te Peguei! não é perfeito, e certamente não é memorável, mas em um nicho tão explorado, é um filme que entrega exatamente o que você espera, algumas horas de escapismo com alguma boas risadas.

Fonte das imagens: Divulgação/Warner Bros. Pictures

Te Peguei!

Aquele pega-pega sem limites

Diretor: Jeff Tomsic

Estreia: 28 / Jun / 2018

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