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Crítica do filme Trainspotting

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por
Douglas Ciriaco

01 de Abril de 2016
Fonte da imagem: Divulgação/Miramax
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O filme Trainspotting – Sem Limites chegou aos cinemas em fevereiro de 1996 e desde então não para de colecionar novos fãs. O clássico dirigido por Danny Boyle (Quem Quer Ser um Milionário) e inspirado no não menos ácido e insano livro de Irvine Welsh conta a história de um grupo de jovens escoceses em busca da forma mais hedonista de vida possível na capital do país, Edimburgo.

O vazio existencial da turma é preenchido por heroína, e aí já começa um dos pontos mais altos do filme. Durante toda a trama, com roteiro de John Hodge, fica evidente que esta é uma obra sobre escolhas. Os dilemas, as durezas e os enroscos da vida estão aí, mas como fugir deles? Afogando-se no consumismo desenfreado e na suposta segurança que uma vida estável traz ou se entregando aos prazeres da droga, mandando o “sucesso” às favas? Qual caminho escolher?

A direção de Boyle só não é mais impecável do que a personalidade dada aos personagens, especialmente Mark Renton (interpretado por Ewan McGregor), Daniel “Spud” Murphy (Ewen Bremner), Simon “Sick Boy” Williamson (Jonny Lee Miller) e Fracis “Franco” Begbie (Robert Carlyle). O roteiro, a direção e a atuação dos quatro consegue capturar perfeitamente o espírito de suas contrapartes literárias, servindo de combustível para sustentar a trama até o final.

Trainspotting

Diferente do livro de Welsh — que faz uma ponta no filme —, a adaptação cinematográfica acaba dando maior protagonismo para Mark Renton, o que não é problema algum. Pelo contrário, nós vemos a história pelos seus olhos, recurso que ajuda a criar um fio condutor para a trama. Mesmo assim, eventos particulares dos demais personagens são casados de forma magistral, aderindo elementos que vão resultar no grande filme que é Trainspotting.

Conjunto de obra-prima

Nem só de um bom roteiro, uma boa direção e uma boa atuação vive uma obra-prima, logo, não possível deixar de destacar que Trainspotting traz uma das trilhas sonoras mais marcantes dos anos 90, responsável por dar um fôlego na música eletrônica e ajudar a abrir caminho para o sucesso de inúmeros artistas do gênero. A insanidade do filme ganha um ritmo alucinante com a trilha sonora.

Trainspotting foi um filme de baixo orçamento, custando 1,5 milhão de libras esterlinas. O dinheiro curto, que fez com que muitas cenas fossem feitas em uma única tomada, garantiu um aspecto visual bem interessante ao filme, um aspecto meio grunge, meio punk que combina perfeitamente bem com a proposta da história, mas sem ficar tosco ou mal feito.

'Eu escolhi não escolher uma vida'

“Eu escolhi não escolher uma vida. Eu escolhi outra coisa. E o motivo? Não há motivo. Quem precisa de motivos quando se tem heroína?”, pergunta Mark Renton. Esse desprezo pelo que parece mais correto e aceitável na vida de um cidadão digno, desprezo que mora no cerne da obra (tanto no livro de Welsh quanto na adaptação de Boyle), é o ponto mais extremo da história.

É essa contraposição, aparentemente sem sentido, que faz de Trainspotting um história que perdura até hoje, 20 anos depois. Tudo isso como resposta às angústias de um mundo pós-Guerra Fria, de utopias supostamente assassinadas e de possibilidades aparentemente remotas. Nesse contexto, escolher a “vida”, como se ela fosse uma receita de bolo a ser seguida, é que parece ser um enorme desperdício.

Fonte das imagens: Divulgação/Miramax

Trainspotting - Sem limites

Escolha a zoeira...

Diretor: Danny Boyle
Duração: 96 min
Estreia: 23 / Fev / 1996

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Douglas Ciriaco

Cê tá pensando que eu sou lóki, bicho?

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