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Crítica do filme Tudo que Quero

Para tudo, há uma primeira vez!

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Segunda, 07 Maio 2018
Fonte da imagem: Divulgação/Magnolia Pictures
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Não é de hoje que o autismo serve de base para roteiros de obras cinematográficas, mas os avanços no campo da pesquisa científica e os tantos casos que são descobertos anualmente deram ainda mais espaço para o diálogo deste assunto de extrema importância.

Com uma vasta possibilidade de desdobramentos, dado os diferentes diagnósticos, o TEA (Transtorno do Espectro Autista) ganhou projeção ao aparecer em títulos da Netflix e, agora, promete ganhar ainda mais atenção em debates com o lançamento “Tudo que Quero”.

Neste filme do diretor Ben Lewin, acompanhamos a rotina de Wendy (Dakota Fanning), uma jovem autista que divide seu tempo livre entre as tarefas rotineiras, os papos com Scottie, os passeios com seu cachorro Pete e a escrita de histórias sobre a série “Jornada nas Estrelas”.

Após saber de um concurso, ela decide mostrar suas aventuras imaginárias protagonizadas por Spock e Kirk para o mundo e embarca na elaboração de um roteiro para o programa televisivo. A escrita já não é coisa fácil, mas a entrega do texto nos estúdios da Paramount Pictures pode ser algo bem difícil para uma jovem perdida num universo barulhento e repleto de desafios.

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Bom, antecipo aqui que este é um filme muito peculiar. O roteiro de Michael Golamco é muito elucidativo, porém funcional pela simplicidade e os paralelos criativos com a temática de Star Trek. Certamente, uma boa pedida para quem busca compreender um pouco da baguncinha que pode ser o mundo para uma jovem com TEA e almeja um final inspirador.

Sonhos: a fronteira final

Seja você alguém próximo de uma pessoa com TEA ou um indivíduo que jamais se interessou pelo tópico, o filme “Tudo que Quero” tem premissas alicerçadas em objetivos relevantes para qualquer ser humano: a realização de sonhos. A diferença aqui é que há barreiras de difícil transposição entre o início e o desfecho da história.

Se para qualquer jovem já é difícil passar num vestibular, conseguir um bom emprego, criar algo diferente ou então encarar os desafios do mundo, para uma jovem com TEA, as etapas podem ser muito mais complexas, já que muitas vezes é até difícil se concentrar em meio a tanto barulho. É claro que para toda problemática, há uma solução.

É através das orientações da psicóloga Scottie que Wendy consegue seguir uma vida bem próxima da de uma pessoa neurotípica, ou seja, alguém que  não tem autismo nem outro transtorno neurológico. E mais: ela dribla as adversidades e até encontra formas de transportar sua paixão pelas aventuras intergalácticas em textos cheios de criatividade.

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A missão básica de colocar todas as ideias no papel já era difícil, mas, com muita dedicação, a capitã Wendy consegue finalizar o texto. Contudo, o tempo corre e ela não consegue enviar o material por correio. A solução? Embarcar num ônibus (comum mesmo, nada de ônibus espacial nesta história) e ir audaciosamente em direção a Hollywood.

Qualquer filme que trate dessa busca por realização pessoal já tem grande valor, mas quando há esse plus da superação de adversidades, a gente fica ainda mais apreensivo, emocionado e até agradecido pelos bons rumos que a ficção pode proporcionar na telona. Assim, seja pelo aspecto realista ou pelo viés extraordinário, esta obra conquista o espectador facilmente.

Simplesmente lógico e divertido

É interessante perceber como “Tudo que Quero” trabalha numa dinâmica diversificada em seus diferentes capítulos. O filme vai do básico, ao mostrar o dia a dia da protagonista, passa por uma narrativa fantasiosa, com aventuras espaciais imaginárias (mas representadas na tela), até chegar em representações criativas da jovem explorando o mundo.

Dessa forma, grande parte do mérito do filme se deve ao texto competente do roteirista, que traduz muito bem a simplicidade, a complexidade, a felicidade e as adversidades da protagonista. O mundo que rodeia Wendy é muito palpável, então fica fácil prender o espectador em situações corriqueiras, porém divertidas de certa forma. Vale dizer que não sou especialista do assunto, então pode ser que o filme simplifique mais do que deve as coisas, mas acredito que a intenção é boa, tal qual o resultado.

Por outro lado, um grande acerto foi a escolha da protagonista. Dakota Fanning, que já teve sua cota de ficções em obras como “Guerra dos Mundos” e “Taken”, agora embarca em algo muito mais pé no chão, mas ainda incorpora uma personagem com a cabeça no espaço. A gente consegue ver claramente a ambição no olhar dela e as dificuldades em cada episódio.

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Por fim, mas não menos importante, fica o reconhecimento do bom trabalho na parte da trilha sonora e da montagem do filme, que trabalham em conjunto para criar os comparativos entre mundo real e a percepção da personagem. O filme pode parecer bem óbvio, mas ele tem algumas cartas na manga e um punhado de ideias que fazem paralelos legais com Star Trek — com direito até a pequenos diálogos em Klingon.

Enfim, não se deixe levar pelo preconceito, dê uma chance para mais um filme inclusivo e, assim como Wendy, invista seu tempo em coisas produtivas, afinal, para tudo, há uma primeira vez. E, pode ter certeza, o filme todo vale a pena, mas nada paga as boas risadas que a gente dá ao ver um cachorrinho espacial aprontando todas junto com sua melhor amiga intergaláctica.

Vida longa e próspera!

Fonte das imagens: Divulgação/Magnolia Pictures

Tudo que Quero

Audaciosamente vá...

Diretor: Ben Lewin

Duração: 93 min

Estreia: 26 / Abr / 2018

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