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Crítica do filme Turma da Mônica: Laços

Simples e necessário

Thiago Moura

por
Thiago Moura

Quinta, 29 de Agosto de 2019
Fonte da imagem: Divulgação/Paris Filmes
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É muito difícil encontrar alguém que não teve contato com a Turma da Mônica em algum momento de sua vida. Cresci colecionando quadrinhos e aguardava ansiosamente pelas novas edições mensais, sempre com histórias divertidas e até educativas. A variedade das situações absurdas em que os personagens eram inseridos sempre eram uma surpresa agradável.

Como parte das comemorações de 50 anos a Mauricio de Sousa Produções criou a Graphic MSP, um projeto que consiste em histórias dos personagens do estúdio feitas por artistas brasileiros consagrados e com estilos diferentes do padrão das revistas mensais. Essa proposta trouxe nova vida às histórias, além de cativar um público mais amplo.

“Turma da Mônica: Laços” é o filme que foi baseado no romance gráfico homônimo, por Vitor e Lu Cafaggi. A história é simples em essência, assim como os quadrinhos originais, mas carrega lições e conceitos capazes de cativar todas as idades.

Mais um plano infalível

Floquinho, o peludo cachorro verde de Cebolinha, desapareceu. Para encontrá-lo, ele cria um de seus planos infalíveis, mas que só pode funcionar com a ajuda de seus amigos Mônica, Magali e Cascão. Juntos, eles enfrentam desafios e vivem grandes aventuras para encontrar e levar Floquinho de volta para casa. O diretor Daniel Rezende e o roteirista Thiago Dottori foram responsáveis pela tarefa nada singela de adaptar uma obra tão importante para um público tão diversificado.

Felizmente eles completaram a tarefa com sucesso, transmitindo a simplicidade da história sem torná-la raza, ao contrário, há muito profundidade e beleza. Os “Laços” estão nas entrelinhas e em cada peculiaridade dos personagens e na riqueza de experiências que apenas a infância pode proporcionar.

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Não há muita novidade para quem já conhece a Turma: Cebolinha (Kevin Vechiatto), sempre tem um “plano infalível”, considera-se um gênio e é bastante arrogante, mesmo sendo o primeiro a apanhar de Mônica (Giulia Benitte), que não hesita em perder a paciência e distribuir coelhadas com o Sansão.

Cascão (Gabriel Moreira), com sua fobia a água e cúmplice dos planos de Cebolinha, Magali (Laura Rauseo), sempre faminta e capaz de comer quantias absurdas de qualquer alimento. O filme é bem fiel a história em quadrinhos “Laços” e consegue desenvolver a trama de forma um pouco mais elaborada, o que faz todo sentido nessa troca de mídias. 

Um bom exemplo dessa implementação é a excelente trilha sonora de Fabio Góes. Combinando movimento à música, Góes sabe sincronizar o que é visto em cena com os efeitos sonoros, uma técnica bem tradicional mas que adiciona uma camada a mais de profundidade a narrativa. Destaque para a excelente cena do Louco (Rodrigo Santoro), uma adição genial a história original e sem dúvidas o ponto alto do filme.

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É curioso notar que apesar da referência à turma sempre ser “da Mônica” (um dos debates constantes durante o filme) o protagonismo é declaradamente do Cebolinha. Essa abordagem foi acertada pela temática da trama sem deixar de lado o respeito ao material original. A sintonia de toda a equipe transparece nesses detalhes e tornam a produção ainda mais completa, sem nunca esquecer que é uma história feita para crianças.

Para crianças, mas não infantil

Por sinal, é difícil não se apaixonar pelas crianças instantaneamente. Mesmo inseridas em um mundo claramente fictício, toda a atmosfera e atuações são bastante naturais. O bairro do Limoeiro tem um clima de cidade do interior, com crianças correndo pelas ruas e o sol sempre brilhando. É fácil achar que vai ser apenas mais um filme com crianças chatas, mas essa é uma surpresa bastante agradável, chatos são os adultos (quem é Paulo Vilhena?).

Mesmo não tendo tanto destaque na trama, é absurdo o carisma de Laura Rauseo (a Magali), enquanto Giulia Benitte (a Mônica) transita entre uma garotinha meiga e uma furiosa guerreira brandindo seu coelho de pelúcia como arma. Até temas como a descoberta de paixões e a solidão são abordados, sem parecer forçado ou expositivo.

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Diversos personagens secundários fazem pequenas aparições, servindo mais como easter eggs que possivelmente vão aparecer em produções futuras. Uma continuação de “Laços”, intitulada ”Lições”, já está sendo produzida e podemos esperar que outras publicações de Maurício de Souza sejam adaptadas, como “Turma da Mônica Jovem”.

Por mais simples que “Laços” pareça, a lembrança de que esses personagens fizeram (e continuam fazendo) parte da infância de muita gente é o que transpira na tela. Os laços são mais do que fitas amarradas durante o caminho, são todas as situações e sentimentos que compartilhamos, mesmo sem nunca termos tempo para pensar a respeito disso. Eis uma boa oportunidade para assistir um conteúdo nacional de qualidade junto com as crianças e refletir sobre isso tudo.

Fonte das imagens: Divulgação/Paris Filmes

Turma da Mônica: Laços

A turma do limoeiro tem um plano infalível!

Diretor: Daniel Rezende

Duração: 97 min

Estreia: 6 / Dez / 2018

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Thiago Moura

Curto as parada massa.

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