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Crítica do filme Valerian e a Cidade dos Mil Planetas

Uma bagunça belíssima

por
Thiago Moura

10 de Agosto de 2017
Fonte da imagem: Divulgação/Diamond Films
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Há muito tempo atrás, nessa mesma galáxia, Luc Besson sonhou em dirigir uma versão cinematográfica de ““Valérian and Laureline”, uma série de história em quadrinhos francesa protagonizada pelo par que empresta o nome ao título. Esse mesmo título influenciou George Lucas em um filme chamado “Guerra nas Estrelas”, talvez você já tenha ouvido falar. Mas Luc Besson usou essa inspiração em diversos pontos de seu filme “O Quinto Elemento”. E toda essa influência é bem interessante, porém já está tão enraizada na cultura pop que acaba parecendo “mais do mesmo”, mesmo sendo o material original. Mas não vamos nos ater a isso.

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas” é um filme ousado ao tentar entrar nesse espaço saturado de franquias de ficção científica. Buscando fazer jus ao material original, “Valerian” apresenta o pensamento sci-fi das décadas de 1950/60 com os parâmetros visuais contemporâneos. Viagens no espaço, diversos equipamentos esquisitos e talvez não tão funcionais assim e seres alienígenas de todos os tipos e formas, a criatividade é o limite.

A trama acompanha a dupla de oficiais intergalácticos tentando recuperar um artefato de um planeta destruído a alguns anos, mas acabam imersos em uma conspiração muito maior do que imaginavam. Os supracitados protagonistas são Major Valerian (Dane DeHaan) e a Sargento Laureline (Cara Delevingne), além de serem parceiros, Valerian tenta conquistar Laureline incessantemente, mas sempre tendo seus galanteios impedidos por sua parceira. Porém, essa relação não funciona tão bem quanto deveria no filme.

Eu só trabalho com a minha parceira, nós somos um time

Valerian é o típico pegador, com uma lista (literalmente) de mulheres conquistadas e descartadas. Ele é pretensioso, super confiante e também deveria ser carismático, talvez bonito, quem sabe charmoso? Então faltaram alguns itens aí...

Pessoalmente, acredito que a escolha de Dane DeHaan para “Poder Sem Limites” foi perfeita, mas todos os trabalhos seguintes foram bem fracos. É claro que o ator está buscando papéis diferenciados dentro da carreira, mas a impressão é que ele não atingiu a versatilidade necessárias para interpretar esses personagens.

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Para compensar um pouco, temos a modelo que quer ser atriz Cara Delevingne. Laureline é atrevida, sarcástica e espontânea, além de se autointitular a melhor pilota da galáxia. As vezes ela precisa ser salva, mas na maior parte do tempo ela é quem corre pra ajudar Valerian. E por incrível que pareça, ela é a que mais segura as pontas na interpretação, e convenhamos que Cara Delevingne pode até ser bonita, mas não é a melhor das atrizes do mundo, mas em “Valerian”, é a que salva, com direito a monólogo a respeito do amor e tudo.

De qualquer forma, o problema está na química entre os dois protagonistas. Nenhum dos dois parece estar confortável, fica visível o esforço para convencer que existe uma atração ali, ou até mesmo uma parceria de longos anos de trabalho. Então o desenvolvimento acaba ficando por conta de ambos tentando provar que são realmente bons e capacitados como Major e Sargento.

"É nossa missão que não faz sentido, senhor." Laureline, a respeito do filme.

O longa começa com Space Oddity de David Bowie, mostrando como o espaço sideral se tornou um novo lugar para ser explorado pelos humanos, mostrando uma evolução de todas as conquistas espaciais. Em seguida, uma sequência praticamente sem diálogos mostrando o paradisíaco planeta habitado pela raça Pearl, partindo de uma vida harmoniosa para um final catastrófico que dizimou a espécie inteira. E essas introduções já deixam claro o que Luc Besson quis mostrar em “Valerian”: muitas cores, muita luz e seres estranhos, praticamente um carnaval.

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E boa parte do filme é investida apenas e exclusivamente nesses efeitos visuais. Em determinado momento, Valerian precisa chegar rapidamente em determinado lugar, e pra isso acaba atravessando paredes em ambientes infinitamente variados, com direitos a personagens em CGI e uma câmera posicionada para aumentar a imersão e só curtir a trajetória. Tudo muito legal, mas parece apenas que Luc Besson queria se exibir e não poupou esforços pra isso, exceto que nenhum desses elementos acrescentam muito a trama.

E se a história em quadrinhos influenciou o estilo de várias outras histórias sci-fi, aqui chega a ser incômodo. A sensação de serem imagens já reproduzidas exaustivamente é constante, e quando tenta dar uma diferenciada, acaba ficando bem tosco. Um exemplo são os equipamentos e roupas da cena no deserto, parece mais um cospobre do que algo futurista.

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De forma geral, Besson tenta usar ângulos dinâmicos e pesa bastante na edição para dar um ritmo acelerado e visualmente interessante para o público. O filme é montado para nos levar de um clímax ao próximo, sem deixar muito claro qual é a missão da dupla.

Após uma série de eventos que não vou detalhar para evitar o spoiler, a dupla acaba se separando e Valerian encontra uma alienígena metamorfa chamada Bubble (interpretada pela cantora Rihanna). Ela trabalha em um cabaré e usa seus poderes para trocar de roupa e aparência durante as performances.

Valerian consegue convencê-la a sair dessa vida e ajudá-lo, mas nesse ponto o roteiro parece ter se transformado em pura zoeira, com cenas bem bobas e infantis, para finalmente chegar ao tão esperado desfecho que não é nem um pouco emocionante. Mas vejam, pelo menos os efeitos são bem legais, né?

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Uma nova franquia de sci-fi poderia ser um bom respiro para Hollywood, mas parece que ainda não foi dessa vez. Se uma sequência realmente for cogitada, poderiam investir um pouco mais na história e menos em exibir tudo que é possível fazer com muito dinheiro a disposição. De qualquer forma, adaptar um material que influenciou tantos filmes de sucesso é admirável, e que essa não seja a última tentativa de produzir novas ideias.

Fonte das imagens: Divulgação/Diamond Films

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas

O tempo é cheio de viagens, surpresas e ameaças

Diretor: Luc Besson
Duração: 129 min
Estreia: 20 / Jul / 2017

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Thiago Moura

Curto as parada massa.

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