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Crítica do filme Vox Lux - O Preço da Fama

Um filme com crise de identidade

Lu Belin

por
Lu Belin

Quinta, 28 de Março de 2019
Fonte da imagem: Divulgação/Paris Filmes
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Atenção! Este texto contém alguns spoilers do filme.

Roteirizado e dirigido por Brady Corbet, o mais novo filme de Natalie Portman foi ainda produzido por ela, em conjunto com o ator Jude Law, que também está no elenco, e da cantora Sia, responsável pela composição das músicas que dão o tom a "Vox Lux - O Preço da Fama".

Na onda de "Nasce uma Estrela", "Bohemian Rhapsody" e "Rocketman", Vox Lux é mais uma das produções focadas nos bastidores do mundo da música, da fama e dos grandes artistas. Assim como o primeiro, também é centrado em uma personagem ficcional, Celeste Montgomery (Portman), retratada em diferentes momentos de sua vida, desde a infância até os 31 anos, quando faz um show importante para a carreira.

Law é seu empresário e a irmã da personagem, Eleanor, é interpretada por Stacy Martin. O elenco traz ainda Christopher Abbott, Jennifer Ehle e a jovem Raffey Cassidy, grande destaque em atuação, interpretando a própria Celeste em sua fase adolescente e também a personagem Albertine. A menina é o grande destaque do filme, demonstrando competência na interpretação de duas personagens diferentes e incorporando bem as personalidades de ambas – que, embora tenham algumas semelhanças, são bem diferentes.

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O mesmo não se pode dizer de Natalie Portman, por outro lado. Para quem interpretou personagens tão complexos como ela fez em filmes como Cisne Negro, para citar apenas um exemplo, o trabalho em Vox Lux não é exatamente o auge da carreira da atriz.

Especialmente nos constrangedores momentos em que ela se apresenta nos shows da personagem, a performance é deveras embaraçosa e fica devendo e muito. Não deve ser fácil interpretar um artista em palco, isso é fato. Mas a gente sabe que a atriz pode fazer melhor, daí a decepção.

A decepcionante superficialidade da personagem talvez contribua com essa impressão, uma vez que, em sua fase adulta, Celeste se torna uma pessoa irritante, confusa, perturbada e tudo isso o que se espera de uma legítima celebridade.

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É esse, afinal, o ponto principal do filme. Mas não vamos colocar o show à frente do ensaio, ou o carro na frente dos bois. Começando do começo:

Um tiro certeiro

Não é apenas no contexto de filmes sobre música e celebridades que a história do longa-metragem se encaixa. "Vox Lux - O Preço da Fama" estreia no Brasil em um delicado momento, quando o país ainda digere o tiroteio em uma escola de Susano (SP), na qual morreram 10 pessoas – entre elas os dois jovens que abriram fogo contra os alunos e professores.

A coincidência é que a história do filme começa justamente com cenas fortes quanto a isso. Um colega de classe de celeste invade a escola, atira na professora e fuzila os colegas, acertando de raspão a protagonista, que se torna a única sobrevivente da sala. É durante uma cerimônia em homenagem aos colegas que a artista nela desabrocha. Sua canção em referência ao episódio viraliza e, embarcando na fama da tragédia, ela se torna nacionalmente conhecida.

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Se tivesse se concentrado apenas nisso – nos efeitos do ocorrido sobre a menina e sua família, nos desdobramentos da fama derivada da tragédia, na era da viralização e do sucesso repentino – talvez o resultado fosse muito mais consistente e o roteiro teria conseguido sair um pouco mais do lugar comum.

Teria feito isso, inclusive, passando a mesmíssima mensagem que se propõe a passar – a do preço da fama, que parece roubar um pouco a alma daqueles que a alcançam. O grande problema do filme é que, para explicar detalhadamente sua proposta, a trama vai por um caminho mastigado demais, mostrando uma fase da vida da personagem principal que não precisava ter sido retratada para provar seu ponto.

A fase adulta da protagonista poderia ter sido simplesmente cortada do filme sem nenhum prejuízo, uma vez que tudo o que acontece da segunda metade para a frente apenas reforça insistentemente um mesmo aspecto. 

A história, que começa extremamente interessante e muito bem construída, acaba com isso se perdendo um pouco e caindo no lugar comum. Não faltam por aí retratos de como a fama “estraga” as pessoas. Nem todos os casos, no entanto, são relacionados a um tiroteio com assassinatos em massa em uma escola, e isso sem dúvida poderia ter sido melhor explorado pelo diretor e roteirista.

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Uma pena, já que o filme não se destaca tanto no que diz respeito à trilha sonora, que é onde ele parece se esforçar mais. O figurino, pelo menos, é caprichado, assim como a cenografia e toda a parte técnica de maquiagem e iluminação também, mas nada disso compensa as grandes falhas no roteiro – as ausências de personagens como os pais das meninas, a permissividade excessiva e as inserções desnecessárias como a da própria Albertine, que cai completamente de paraquedas no meio da trama.

E, por mais que a gente adore a voz do Willem Defoe, a narração do ator não faz o menor sentido e nenhuma diferença na forma como os fatos são contatos. Parece, isso sim, mais um recurso para explicar a moral pra quem ainda não tinha entendido.

Não é que o saldo do filme seja inteiramente negativo. "Vox Lux - O Preço da Fama" prende a atenção o tempo todo, é interessante – especialmente na primeira metade! – e traz algumas lições importantes. Poderia ter continuado mais interessante e terminado de uma forma mais atrativa e seria uma pedida melhor se não sofresse desse mal que vem assolando parte da indústria cinematográfica atualmente – de menosprezar a inteligência do público. Mas, se a redundância não for um problema para você, siga em frente e aprecie o bom trabalho da jovem Raffey Cassidy e colegas de elenco!

Fonte das imagens: Divulgação/Paris Filmes

Vox Lux - O Preço da Fama

Um retrato do século 21

Diretor: Brady Corbet

Duração: 110 min

Estreia: 28 / Mar / 2019

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Lu Belin

Eu queria ser a Julianne Moore.

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