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Crítica do filme X-Men: Fênix Negra

Tomara que dessa vez não renasça

Thiago Moura

por
Thiago Moura

Quinta, 06 de Junho de 2019
Fonte da imagem: Divulgação/20th Century Fox
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Finalmente a saga dos mutantes na Fox chegou ao seu derradeiro fim. Os fãs já não estavam esperando muito, com o filho que ninguém quer “Novos Mutantes” sendo adiado novamente, “X-Men: Fênix Negra” pode ser considerado a despedida até que a Marvel nos maravilhe com os mutantes voltando para casa. Tentando evitar os erros dos filmes anteriores, há apenas uma história central extremamente simplificada que envolve Jean Grey (Sophie Turner) tendo seus poderes amplificados além dos limites aceitáveis e as consequências desse evento.

É claro que a história parece familiar, pois é a mesma de “X-Men: O Confronto Final” de 2006. Simon Kinberg, roteirista do “Confronto Final”, agora tenta novamente como diretor e roteirista em “Fênix Negra”. Infelizmente mesmo depois de tanto tempo, o roteiro parece não ser o seu forte. O filme se arrasta de uma trama a outra, sem graça nenhuma, dificultando a resposta “pra que esse filme foi feito de novo?”

Obviamente, o foco da história é Jean e todos os outros personagens são meramente ilustrativos. Talvez já fosse esperado, mas Wolverine (Hugh Jackman) não aparece para evitar um romance bizarro, e essa é uma escolha sábia. Mas não há um só personagem marcante que possa tirar o brilho da Fênix ruiva. Um dos pontos mais positivos dos filmes anteriores é a consagrada “cena do Mercúrio (Evan Peters)”, onde o personagem desacelera o tempo e faz seu show, mas nem isso Kinberg entregou.

Mas justiça seja feita, Sophie Turner coloca todo seu talento no papel e eleva a qualidade a um patamar aceitável para uma personagem com diálogos rasos e motivação fraca. Também é preciso enaltecer o papel do Professor Xavier (James McAvoy), sempre visto como um herói mas agora pisando em áreas cada vez mais cinzentas da moralidade.

Todos os outros estão ali apenas para preencher espaço na tela e ter uma variação na demonstração de poderes. Fera (Nicholas Hoult), Mística (Jennifer Lawrence), Ciclope (Tye Sheridan) e Magneto (Michael Fassbender) parecem estar apenas cumprindo o contrato e torcendo para que o filme acabe.

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Noturno (Kodi Smit-McPhee) e Tempestade (Alexandra Shipp) são dois personagens legais inteiramente desperdiçados, ainda que seus atores tenham se esforçado, o tempo de tela não é o suficiente para fazer jus a suas presenças. Outro desperdício enorme é Jessica Chastain interpretando a vilã mais sem graça que poderia ter sido escolhida para a Saga da Fênix Negra.

“Fênix Negra” peca pela falta de ousadia e imaginação. O primeiro ato promete uma jornada interligada entre dois personagens com potencial para uma história riquíssima, uma mulher percebendo os abusos cometidos contra ela e um homem vendo as consequências dos erros que cometeu com as melhores intenções.

Contudo, as ideias apresentadas são bastante forçadas. Uma das personagens principais diz que Charles Xavier deveria mudar o nome para X-Women, já que as mulheres estão sempre fazendo o trabalho pesado. Por mais louvável que possa parecer, a temática dos abusos cometidos por Xavier em prol de um bem maior são abordadas de forma superficial demais.

Na metade do filme todas essas questões são abandonadas e por ser a conclusão de uma sequência enorme de filmes, provavelmente você nem se lembre do que aconteceu nos anteriores. Infelizmente Simon Kinberg parece ter esquecido também, mas é razoável deixar pra lá e tentar focar apenas no filme mais recente, afinal de contas a linha do tempo dos filmes não tem o menor compromisso em ser seguida.  

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É um filme bem fácil de ser esquecido, por sinal. Não há nenhuma trilha marcante (apesar do excelente trabalho de Hans Zimmer), nenhuma sequência de ação digna de nota, nem uma pequena dose de humor. Não chega a ser desagradável, apenas sem graça, mesmo com todo o esforço para tornar os efeitos visuais impressionantes. O único aspecto que merece ser mencionado são as cores aplicadas magistralmente, lembrando muito uma história em quadrinhos, trabalho muito bem executado pelo cinematógrafo Mauro Fiore.

Mas é tudo muito frustrante. Após uma cena incrível no espaço logo no início do filme, parece que o orçamento foi cortado e tiveram que improvisar.  Os cenários variam entre casas suburbanas, um hotel e trens. Apesar de nunca ser chamado por esse nome mas o contexto deixa claro, Genosha, o país cuja população é inteiramente composta por mutantes, o único lugar que poderia ser realmente interessante e que os fãs mais fiéis esperavam ver parece um banhado numa comunidade hippie baixo astral.

Por coincidência, ou não, além de ser um remake sem sentido de um filme da mesma franquia, “Fênix Negra” é muito parecido com “Capitã Marvel”, desde uma heroína que absorve energia cósmica e é perseguida por alienígenas que mudam de aparência, até o subtexto da mulher que é manipulada psicologicamente para suprimir suas emoções para neutralizar seu poder.

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Difícil dizer que “Fênix Negra” é o ápice de 19 anos de filmes dos X-Men. É bastante anticlimático e talvez não deixe ninguém com saudade, já que a despedida foi bastante morna. Apenas mais um filme mediano sobre pessoas com poderes estranhos, uma história repetida, atores desinteressados e muitas oportunidades boas perdidas.

Fonte das imagens: Divulgação/20th Century Fox

X-Men: Fênix Negra

Fogo encarnado

Diretor: Simon Kinberg

Duração: 113 min

Estreia: 6 / Jun / 2019

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Thiago Moura

Curto as parada massa.

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