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Crítica do filme As Aventuras de Peabody & Sherman

Uma aula de história e amor

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Domingo, 30 de Março de 2014
Fonte da imagem: Divulgação/
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A gente cresce, amadurece, vive uma vida de adulto, mas lá no fundo ainda somos crianças. Eu, particularmente, sou fascinado por desenhos animados, sejam eles em versão 2D ou 3D. Apesar de gostar muito, nem sempre tenho tempo de conferir todas as animações que pintam no cinema.

Admito que nem sempre dou atenção para todo filme infantil que sai, principalmente porque algumas histórias parecem não ter o mesmo charme de outras tantas que já vi (sabe como é, a gente fica exigente com o passar do tempo). Geralmente, dou preferência para os filmes da Pixar, talvez porque muitos fizeram parte da minha infância.

Felizmente, recentemente, resolvi dar uma chance para um filme diferente e pude voltar a ser criança na companhia de amigos. Me diverti muito com “As Aventuras de Peabody & Sherman”, mesmo este não sendo um filme tão engraçado ou cativante.

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Antes da animação chegar aos cinemas, fiz uma pesquisa e acabei descobrindo que ele é baseado no cartoon “Mr. Peabody”, que foi exibido na TV lá nas décadas de 1950 e 1960. Eu nunca tinha ouvido falar sobre o desenho, mas me amarrei na ideia de viagem no tempo e de um cachorro que é pai de um menino humano. Claro, nem sempre uma boa receita significa o segredo do sucesso, por isso não tirei conclusões precipitadas.

Dois simpáticos personagens

Bom, como o próprio nome sugere, o filme tem dois personagens principais: Peabody (o cachorro) & Sherman (o humano). A história do longa começa lá na infância de Peabody, quando ele ainda era um filhote e ficou um tempão esperando ser adotado. Depois de tanto ser rejeitado, nosso amigo canino resolve levar uma vida de estudos.

Após muitos anos, Peabody já em sua fase adulta — após ganhar prêmios por grandes invenções e já ser reconhecido internacionalmente — resolve virar pai. Acontece que ele não queria se envolver com outros animais de sua espécie e então tenta adotar um filho humano: o Sherman.

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Peabody é um cachorro amigável que mostra respeito e muito carisma. Já Sherman é um menino adorável que dá o tom de diversão e alegria para o filme. Conforme o andar da carruagem, a relação entre eles deixa de ser apenas familiar e vira uma grande amizade.

A verdade é que além da situação inusitada em que um cão é pai de um humano, temos aqui uma dupla que tem uma máquina do tempo e viaja para diversos locais para conhecer celebridades que marcaram época e, às vezes, para mudar um pouco da história.

Debatendo muitos temas complicados

Apesar de “As Aventuras de Peabody & Sherman” tratar das viagens pelo tempo, o filme tem uma história sólida no presente, focando nas primeiras aulas do garotinho e na relação entre os dois protagonistas. As situações da atualidade são o palco perfeito para o filme debater temas como bullying, afetividade, aceitação da sociedade e outras questões.

É engraçado que o filme não tenta criticar diretamente as atitudes de um ou outro personagem (alguns chatos e outros briguentos), sendo que o desenrolar do enredo acaba mostrando que há muita coisa errada em determinadas ações das pessoas e aos poucos tudo é devidamente resolvido.

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Gostei muito de ver que os roteiristas tiveram essa coragem de colocar tais assuntos na película, pois mesmo sendo uma situação impossível de acontecer (já que não existe um cachorro que seja pai de um humano), as mesmas ideias e soluções se aplicam a vida das pessoas do mundo real.

Não é bem para a criançada…

Ainda que estejamos tratando de uma animação engraçadinha e cheia de boas intenções, ela não é totalmente voltada para crianças. Sim, o público infantil vai acabar se identificando com uma série de situações, incluindo o bullying que muitos sofrem, mas há uma grande carga no longa que fica difícil para os pequeninos compreenderem.

As viagens no tempo são muito legais e tudo é bem esmiuçado para que o público não fique boiando na história. Contudo, é preciso considerar que o bombardeio de informações complica o acompanhamento dos eventos.

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Você contar para uma criança que lá em determinada época houve um período chamado Renascimento, em que um grande artista (Da Vinci) tinha ideias brilhantes e fazer uma conexão dessa ocasião com o presente (em que há outros problemas) deixa a criança perdida. E isso não acontece somente uma vez. Há diversas idas e vindas na linha do tempo, com diferentes cenários, personagens, fatos, datas, etc.

Bom, no fim, acredito que quem mais vai aproveitar o filme são os adultos.  Aqui temos a prova de que nem toda animação precisa ser para crianças e que há como falar sobre várias questões sem ter um filme totalmente fantasioso.

Eu, particularmente, gostei muito da ideia e principalmente do bom humor de Sherman. “As Aventuras de Peabody & Sherman” ainda tem uma pitada de drama (que dá direito a lágrimas) e uma grande dosagem de aprendizagem.

Fonte das imagens: Divulgação/

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