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Crítica do filme Getúlio

Um equilíbrio bom de se ver

Rafael Gazzarrini

por
Rafael Gazzarrini

Quinta, 01 Maio 2014
Fonte da imagem: Divulgação/
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Não sei como é pra você, amigo leitor, mas quando ouço falar sobre filmes brasileiros que contam com um elenco muito envolvido com a Rede Globo, já fico com um pés atrás. O motivo? Eu tenho a impressão de que vou ao cinema pra assistir a um capítulo realmente longo e que serve de resumão pra uma novela que acabou não sendo produzida.

No caso do filme “Getúlio”, as minhas dúvidas foram ainda mais ressaltadas pelo simples fato de que o personagem é um político bem polêmico – afinal de contas, o Getúlio Vargas foi um ditador, passou 15 anos no poder se forma não legítima. Por conta disso, eu tinha praticamente certeza que a película teria um apelo político muito forte (e não interessa o “lado”, isso provavelmente deixaria o filme bem chato).

Contudo, essa produção foi uma surpresa muito boa e fez com que eu parasse pra pensar sobre o potencial dos filmes brasileiros. E é claro que eu vou explicar o meu ponto de vista logo abaixo, leitor queridão!

O mais neutro que poderia ser

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Para começar, “Getúlio” não é um filme que tenta não defender e nem condenar abertamente o político Getúlio, de modo que a produção não pode ser categorizada como ‘de esquerda’ ou ‘de direita’. Isso impede que a história pareça ser uma espécie de propaganda política, tornando a película uma verdadeira obra de entretenimento.

Esse equilíbrio só foi possível porque as duas faces do ex-presidente são mostradas. Logo no começo do filme, o próprio Vargas narra em off que foi um ditador, que pegou em armas, fez revolução, encarou contrarrevoluções e que, no final das contas, foi o responsável por cerca de 7 mil mortes. E ele não se arrependia disso.

No entanto, o político não se condenada pelo passado pois o seu governo havia sido voltado para o povo, tanto que ele voltou ao poder em eleições democráticas depois do seu exílio. Tudo isso também é mostrado. Nós vemos o “Pai dos Pobres” ali. Tanto que, no final do filme, imagens reais mostram o cortejo gigantesco que acompanhou o caixão de Vargas em seu enterro.

E, não, isso não é spoiler, porque você já deve ter estudado na escola que Getúlio Vargas se suicidou por conta de problemas no seu governo. Mesmo com tudo isso, dá pra sentir que o filme é um tanto quanto pró-Vargas, por assim dizer. Mas é de leve, eu juro.

Porra, que negócio bem feito!

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Agora que já passamos da parte séria, posso dizer claramente que: CACETE, QUE FOTOGRAFIA BONITA. Os tons pasteis da época são utilizados muito bem, sem o brilho das lâmpadas de hoje em dia e com muita fumaça de cigarros e charutos. Além disso, algumas das locações são reais (como o Palácio do Catete), oferecendo muita realidade e ambientes realmente lindos.

A caracterização dos personagens é um show à parte. Durante “Getúlio”, eu tinha comentado com o Fábio Jordan como achei que todos os atores estavam muito bem arrumados. Como confirmação, durante os créditos, fotos comparam os personagens com as personalidades reais, mostrando que o trabalho de maquiagem foi muito bom mesmo.

Também não posso esquecer de elogiar as atuações dos atores envolvidos neste trabalho, já que elas foram realmente boas – até mesmo o pessoal que apareceu em apenas uma cena mostrou bons movimentos de mãos e rosto, diferentes entonações de vozes e convenceram. A menção honrosa fica para Tony Ramos, que encarnou um Vargas cheios de detalhes, como gestos bem característicos e a maneira de andar, por exemplo. A gente acaba nem lembrando daquela propaganda desgraçada da Friboi.

Chama a sua avó pra assistir, cara!

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O único defeito de “Getúlio” é o fato de que ele se enrola em alguns momentos, com cenas repetidas de tensão, o que pode deixar o final da película meio cansativo para algumas pessoas. No entanto, o roteiro, que trata muito sobre o atentado à vida do jornalista Carlos Lacerda, vai deixar você curioso até o final, fazendo com que esse ponto negativo fique bem atenuado.

Por conta de tudo isso, o filme em questão vai valer o dinheiro do seu ingresso e você não vai se arrepender. Pelo contrário, vai sair da sala de cinema pensando que as produções brasileiras têm um futuro bastante promissor, sendo que elas nem precisam de tiroteio, porradaria, peitinhos ou piadas sem graças.

E o Getulião ainda come umas carnes bem suculentas durante a história, então tente assistir ao filme antes de um churrasco. Sério mesmo.

Fonte das imagens: Divulgação/

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Rafael Gazzarrini

Pode me chamar de Rafa, eu ando por aí na minha nuvem dourada.

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