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Crítica do filme “No Limite do Amanhã”

Imagine que louco reviver o mesmo dia!

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Segunda, 26 Maio 2014
Fonte da imagem: Divulgação/
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Ano passado, nosso amigo Tom Cruise nos presentou com uma bela ficção chamada “Oblivion”. O filme que dividiu opiniões era um tanto superficial, mas tinha seu charme. Agora, o ator charmosão volta aos cinemas para mais uma ficção científica, porém em um projeto com uma pegada completamente diferente.

Se você já viu os trailers e a sinopse de “No Limite do Amanhã” deve ter sacado que este é um filme que — além de tratar da guerra futurista contra os aliens — lida com viagens no tempo. Com o slogan “viva, morra, repita”, o projeto ganhou notoriedade e deixou muita gente na expectativa.

O filme dirigido por Doug Liman (que também comandou a “A Identidade Bourne”) é baseado na obra “All You Need is Kill” (escrita por Hiroshi Sakurazaka e ilustrada por Yoshitoshi Abe). O resultado final deste projeto inusitado é surpreendente e posso adiantar que o filme consegue explicar bem suas ideias.

“No Limite do Amanhã” é um filme que trata de uma invasão alienígena no planeta Terra, situação que leva todas as nações a unirem forças para combater os extraterrestres. No meio deste cenário de guerra, temos o tenente-coronel Bill Cage (Cruise), que apesar de ser de alta patente nunca esteve em um campo de batalha.

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A vida de oficial de Cage era apenas de fachada. Ele costumava dar entrevistas para a mídia e pagar de lindão. Acontece que sua rotina é completamente alterada quando ele é rebaixado e enviado para o campo de batalha — em uma missão suicida. Pois é, não dá nem cinco minutos e o cara já morre ao ser atacado por alien sinistro.

O filme poderia acabar aqui, afinal, o protagonista morreu, mas é claro que nem tudo está perdido quando você pode voltar no tempo. Ao abrir os olhos, Cage está no começo do dia, como se nada tivesse acontecido. Ele não sabe como isso aconteceu, mas acaba sendo obrigado a voltar para a guerra e morrer novamente. E de novo. E outra vez. Ele morre até cansar.

Contudo, em uma dessas repetições, ele conhece a guerreira Rita Vrataski (Emily Blunt), que, antes de morrer, diz para ele procurá-la quando ele começar o dia novamente. Vrataski explica para ele o que está rolando — algo que você só vai descobrir se ver o filme — e diz que ele deve acabar com a guerra.

Refazendo o dia como você quiser

O que conferimos a seguir são as inúmeras tentativas de Cage de tentar completar o dia de forma perfeita, salvando todo mundo e acabando com os aliens. É como se ele estivesse em um jogo de video game e pudesse repetir os mesmos fatos até terminar a missão da maneira correta. Aliás, é bem provável que você já tenha feito essa relação com os jogos digitais ao ver o trailer.

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A parte boa do filme é que, diferente dos games, não há restrições, ou seja, a história pode tomar inúmeros rumos. Em um jogo, você tem uma missão que é preparada para ser realizada em um único cenário. Em “No Limite do Amanhã”, o tenente Cage pode sair de sua rotina e buscar novas soluções para terminar o dia.

Assim, ele resolve explorar a base militar, dar umas voltas em sua motoca, explorar novos ambientes e buscar novos jeitos de finalizar a missão. Essa busca por novos horizontes prende a atenção do espectador e deixa o filme com um ritmo muito interessante. A cada dia, é possível tentar fazer algo diferente e ver o que acontece, e tudo fica ainda melhor se você não tem medo de morrer.

É curioso que essas viagens consecutivas no tempo também causam confusão, afinal, será que tudo isso é real? Conforme Cage tenta novas manobras para finalizar o dia, ele conhece novas pessoas e descobre mais informações. As possibilidades são infinitas e as perguntas também. Aos poucos, as perguntas são respondidas, mas algumas brechas devem permanecer. O filme não se preocupa em fechar todas as pontas, o que pode incomodar quem é mais exigente.

Um futuro recheado de paradas maneiras

As ficções hollywoodianas costumam ter uma pegada bem exagerada de viagens para outros planetas, com direito a naves gigantescas que viajam na velocidade da luz e armas sinistras capazes de aniquilar geral. Aqui, a história não é tão viajada, sendo este um filme bem “pé no chão”.

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Pra começo de conversa, tudo se passa aqui na Terra. Nossas armaduras e equipamentos bélicos não são de outro mundo. E nem temos naves tão avançadas. Os aliens são uma piração bem de Hollywood, mas o modelo de extraterrestre adotado foi bem pensado. Os bichos de outro planeta parecem as criaturas de “Matrix”, mas há diferentes monstros. A complexidade do inimigo é o que dá o charme do filme, sendo um dos propulsores para deixar a história mais convincente.

É importante ressaltar que o filme não se passa nos Estados Unidos, algo raro para um filme de Hollywood, visto que os aliens sempre têm preferência por Nova York. A verdade é que os ETs já destruíram tudo, sobrando poucos cenários em que é possível travar batalhas. Conforme o roteiro progride, podemos ver várias cidades devastadas. Aliás, boa parte da história se passa na Europa, em ambientes inusitados e com tropas de todas as partes do mundo.

Os cenários de guerra de “No Limite do Amanhã” são impressionantes. O filme trabalha com grandes ambientes, os quais são capazes de comportar as incríveis criaturas e oferecer espaço para Tom Cruise fazer suas traquinagens.

O diretor de fotografia é Dion Beebe, que já trabalhou no filme do “Lanterna Verde” (mesmo que você não goste, é preciso admitir que a concepção dos cenários deste filme é genial) e no longa “Memórias de uma Gueixa”, daí podemos entender o porquê das paisagens bem pensadas.

Se você joga video games, vai se identificar com alguns ambientes desolados e caóticos. A cena que se passa na casa de campo (que também está no trailer) tem um ar de “The Last of Us”. Os demais locais por onde Cage passa também dão a sensação de que estamos em um futuro bem terrível.

Durante todo o filme, os efeitos visuais dão conta do recado, nos engando perfeitamente. Os alienígenas são incríveis, tanto na qualidade gráfica quanto na movimentação robótica. As explosões, cenas com grandes naves e paisagens inusitadas também são todas feitas em computador. Tudo é muito convincente.

Para acompanhar toda a ação, temos a trilha de Christophe Beck (que foi compositor de algumas músicas de “Frozen: Uma Aventura Congelante”). Os sons oscilam conforme as cenas e deixam o público ainda mais empolgado.

Vale comentar ainda que Tom Cruise e Emily Blunt formam uma dupla sensacional. Os dois mandam super bem na atuação, sendo este um dos melhores filmes de Cruise. Não preciso nem falar que a lindíssima Blunt continua sendo linda, né?

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No Limite do Amanhã” é uma das melhores ficções que eu já vi. Trata-se de um filme inteligente, com ritmo agradável e um roteiro muito atraente (com algumas ideias inéditas). Particularmente, achei o filme excelente, mas eu certamente fiquei um bocado decepcionado com o fim. Vamos ver se ele consegue o título de melhor ficção do ano (a competição será árdua com “Interestelar” vindo aí).

Fonte das imagens: Divulgação/

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