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Crítica do filme O Céu É de Verdade

Colocando a fé em xeque

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Quarta, 02 Julho 2014
Fonte da imagem: Divulgação/
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O cristianismo já foi usado como pauta em inúmeros filmes, mas muitos roteiros apelam para personagens bíblicos ou contos clichês. “O Céu É de Verdade” aproveita o tema central ao abordar a fé de um homem, mas se diferencia por contar uma história recente e baseada em fatos.

Criado com base no livro de mesmo nome, o filme conta a história de Todd Burpo, um pai (que é o pastor de uma igreja de uma pequena cidade) que tem sua fé questionada quando seu filho, Colton Burpo, passa por uma experiência inusitada, em que ele relata ter visto o paraíso.

O garotinho conta com detalhes como foi sua jornada e revela a seu pai coisas que ele, sendo apenas uma criança inocente, não teria como saber. Essa situação improvável acaba colocando Todd e sua família em uma situação complicada, o que acaba sendo a trama principal do longa.

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Antes de entrar nos pormenores da coisa, quero adiantar que “O Céu É de Verdade” não é um filme que tenta pregar a “Palavra do Senhor”. O filme é sobre uma religião e acaba apresentando algumas ideias da doutrina em questão, mas não há uma mensagem de “conversão” ao público.

Os conflitos de um homem de fé

A história apresentada em "O Céu É de Verdade" é muito bonita e comovente. O pastor Todd Burpo (Greg Kinnear) é o tipo da pessoa esforçada que faz de tudo para fazer o bem ao próximo. Acontece que a vida (ou, já que estamos falando em fé, será que Deus teria algo a ver com isso?) é bem sacana, sendo que este homem vai passar por maus bocados.

Os problemas são inúmeros. Sejam as contas, a saúde, a paz familiar ou qualquer outro inconveniente, todo mundo passa por coisas parecidas, mas são poucos que sabem lidar com a carga emocional, ainda mais quando há questões que não têm respostas.

É numa dessas adversidades que o pastor acaba se preocupando além da conta, indagando sua fé e duvidando dos propósitos do seu criador. Como você já deve saber, o pequeno Colton (Connor Corum) passa por uma cirurgia. Durante essa operação, o menino visita o céu. Uma viagem que vai dar o que falar.

Kinnear se sai incrivelmente bem, conseguindo transparecer as preocupações com o filho e mostrar vários ângulos da angústia de um homem que tem sua fé colocada em xeque. O ator principal da película mostra sua versatilidade em uma série de momentos, algo que deixa a obra interessante. A bela Kelly Reilly (que faz a esposa Sonja Burpo) segura bem as pontas, mostrando força e emocionando o público conforme a necessidade.

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Apesar de este ser o primeiro trabalho de Connor Corum, podemos dizer que o garotinho se saiu muito bem. Ele é convincente e consegue persuadir o espectador, isso sem exagerar muito nas expressões. A mensagem é passada de forma correta e a inocência do menino é ideal para dar o tom de veracidade necessário.

A visita ao céu não é tão espetacular, porém, é de se imaginar que o que foi mostrado no filme é a visão mais próxima possível daquela que foi descrita no livro. Algo que pode incomodar um pouco são os efeitos visuais um tanto quanto simples. O paraíso aqui é um monte de luz, com um bocado de fumaça em meio a nuvens. Não é feio, mas poderia rolar mais capricho.

Batendo na mesma tecla

Bom, a história de Colton vai ganhando mais e mais detalhes, sendo que o menino relata coisas inimagináveis e, aos poucos, dá inúmeras “provas” sobre sua visita ao Paraíso. As informações sobre o Céu vêm aos poucos e há vários diálogos e outras situações intercaladas na narrativa, o que deixa a história mais leve e agradável.

É notável uma insistência em determinadas visões de Colton, o que deixa o filme um pouco cansativo. O roteiro patina sobre a mesma coisa, mostrando Todd querendo acreditar em seu filho, mas tendo uma multidão para julgar a história do garotinho.

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Essas dúvidas são cabíveis principalmente para quem compactua da mesma crença do filme. Assim como Todd, é possível que alguns cristãos se identifiquem com as mesmas dúvidas, o que leva a um debate interessante. Afinal, as pessoas não podem aceitar que um garotinho visitou o céu? A fé não serve para acreditar no impossível?

No fim, toda a experiência pela qual Colton passou e a própria conclusão do pastor Todd nos levam a lugar nenhum. Como você pode imaginar, por se tratar de um filme embasado na religião, acreditar nessa história vai depender pura e simplesmente das suas crenças.

O filme “O Céu É de Verdade” é bem feito (a fotografia é perfeita) e o final tem algo de interessante, mas não dá pra dizer que ele é imperdível. Se você se identifica com o assunto, vale o ingresso.

Fonte das imagens: Divulgação/

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