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Crítica do filme Rio, Eu te Amo

Queixo-me às rosas, mas que bobagem...

Gustavo Loeff Zardo

por
Gustavo Loeff Zardo

Quarta, 03 Setembro 2014
Fonte da imagem: Divulgação/
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Pois é. Todo mundo já sabe das maravilhas da cidade maravilhosa, tanto que falar bem do rio já é um clichê e, de certa maneira, uma verdade redundante. É a mesma coisa que convencer as pessoas que a Angelina Jolie é uma teteia. Tarefa fácil. Mas não se engane, Rio, Eu Te Amo é sim um filme sobre a beleza do Rio de Janeiro, sobre como as pessoas se hipnotizam com as coisas que só tem lá... Só que ele conta sobre a magia (as vezes literal) da cidade, um lance de química mesmo. E é uma maneira diferente e nova (pelo menos pra mim) de dizer sobre a Rio 40 graus, purgatório da beleza e do caos. 

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Um projeto de peso

O filme faz parte do projeto do produtor, roterista e diretor francês, Emmanuel Benbihy, intitulado Cities of Love. O intuito é reunir cineastas de diferentes estilos para rodar curtas-metragem utilizando, como tema principal, cidades históricas e memoráveis espalhadas pelo mundo. Até o momento, três filmes foram concluídos Paris, Je T'Aime, New York, I Love You e o dessa crítica, Rio, Eu Te Amo. Outros dois encontram-se em produção, um sobre Shanghai e outro sobre Jerusalém.

Pois bem, Rio, Eu Te Amo tem onze diretores que conduzem seus roteiros de maneiras individuais e com pouca relação entre si, tendo como pano de fundo comum somente a cidade do Rio de Janeiro. Os onze são apenas os melhores diretores que temos hoje no Brasil e uma cambada de gente genial do mundo todo. Figuram entre eles, Carlos Saldanha (A Era do Gelo 2 e 3), Fernando Meireles (Cidade de Deus), José Padilha (Tropa de Elite) e vários outros (quem quiser saber sobre eles clica aqui). 

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O elenco não fica atrás: Fernanda Montenegro, Rodrigo Santoro,  Harvey Keitel, Emily Mortimer e John Turturro sãos só uns dos camaradas que atuam do jeitinho que eles sabem fazer: impecavelmente bem.

Uma linguagem individual para a mesma palavra

O tema central do filme é claro que é o amor, e também o carinho que cada um dos diretores tem pela cidade. Digamos que é um retrato de experiências vividas que resultaram em poesia (uns mais que outros). O mais bacana no filme é que ele tem a identidade de cada diretor, e cada um faz a sua pira sem se prender a regras. É nítido que eles realmente querem falar a sua linguagem própria.

Um quesito a ser destacado, é que nada soa como uma propaganda da cidade para atrair turistas, ou simplesmente para elogiar e falar bem. As histórias falam de pessoas que estão de passagem ou vivem no Rio e de alguma maneira acabam se identificando com a identidade do lugar, assim criam as suas próprias histórias a partir das características da cidade maravilhosa. A leitura disso é muito clara e fácil, e apesar de serem os estereótipos óbvios (pão de açúcar, mulheres, praia, mar, favela, meninos de rua e obviamente futebol), eles entram em cena de maneira inusitada e bem humorada.

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"Ta bom demais. Vamos deixar ruim?"

Não quero influenciar a opinião de ninguém, mas justamente o ponto onde o filme ganha destaque, é onde ele se fragiliza. Em primeiro lugar fica nítido que são vários esquetes de diretores diferentes, contando histórias adversas. Isso até que é uma ideia bacana, porém todo fim de cena tem um fade out, escurece, fade in, e isso cansa porque torna previsível que um acabou e ta começando outro. Enfim, o filme é UM filme e não uma coletânea de curtas, tanto é que eles até tentaram cruzar uma história na outra, mas não funcionou muito bem e deixou o filme bem pior por conta disso.

Outro ponto positivo para o filme, mas que não foi bem trabalhado e acaba enchendo o saco, é o fato de ele não ter sido feito como uma propaganda da cidade, para atrair turistas ou qualquer coisa assim. Apesar disso, parece que ele foi feito para os cariocas, exclusivamente. Tá, tá legal, é uma homenagem ao Rio e a quem mora lá. Mas poxa, o filme vai ser reproduzido em salas de cinema por todo o Brasil e também do mundo... Então, me convide pra viver, pelo menos por aquelas duas horas, dentro da cidade. Na minha modesta opinião faltou uma experiência que me cativasse e me fizesse entrar dentro no calor do Rio de janeiro, mesmo estando no congelante inverno da Sibéria.

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Capeta em forma de gurí

Com um elenco impecável não posso deixar de falar um pouquinho dos atores... Ou melhor, vou falar de um só que se destacou e desbancou todo mundo, e sinceramente me deixou de queixo caído.  Em uma das histórias, dois personagens (interpretados por Nadine labaki e por Harvey Keitel) conhecem um moleque que não tem família e que não se afasta do orelhão porque espera um telefonema de Jesus. Nadine filmou na estação Leopoldina e tudo - a estação, o menino, o telefonema ao invés da carta - lembra Central do Brasil, de Walter Salles. "Gosto muito do filme de Walter, mas foi só ao chegar ao set que me dei conta das implicações", ela diz. E o grande premio de melhor ator vai para Cauã Antunes, que rouba a cena (de Harvey Keitel!), e é um menino de 6 anos. "Fizemos um casting intenso, mas ele foi o primeiro que encontrei. Ele era exatamente o que queria, mas segui testando os outros garotos. Cauã não consegue ficar parado, foi muito difícil filmar com ele, mas valeu a pena."

Solta o batidão

Aaaaa, mas como falar do Rio sem citar a música? Chico, Cartola, Vinicius, Gil, Noel... Precisa falar mais alguma coisa? Todos eles batem cartão na trilha sonora. Pra mim foi a melhor parte do filme, e também o que me fez chorar. “Vida, te sinto mais bela, e fico na espera, me sinto tão só...” aí já tinha sujado a poltrona do cinema com lágrimas. Até me sinto mal de dedicar à trilha sonora somente um parágrafo, mas eu não sei mais o que dizer além de afirmar que é linda di duê. 

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Além do filme pintar nas telonas, e devido ao fato de ter muitos patrocinadores uma das contrapartidas para a arrecadação da grana foi de se apropriar de ações pela cidade, assim como licenciar produtos com a marca. O Boticário lançou uma linha de fragrâncias, a Devassa criou latinhas com a identidade visual do Rio e a Nextel criou um plano de telefonia também entitulado “Rio, Eu Te Amo”. Serão 2 anos de eventos e ações envolvendo arte, música, esporte, cinema, literatura e cidadania. Se tiver de bobera no rio, você pode ir em algum desses eventos. Saca só o que rolando: http://rioeuteamo.net/acoes

Dê uma chance

 Rio, Eu Te Amo é muito fácil de ser desgostado, principalmente porque não é convidativo e fala tanto de uma realidade específica que chega a se enclausurar nela. Mas de uma chance, no meio disso tudo é possível  se apaixonar.

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Fonte das imagens: Divulgação/

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Gustavo Loeff Zardo

Meu sonho é ter barba.

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