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Crítica do filme Festa no Céu

Uma viagem marcante pelo folclore mexicano

Douglas Ciriaco

por
Douglas Ciriaco

Sexta, 10 de Outubro de 2014
Fonte da imagem: Divulgação/
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Nos últimos anos, tem sido comum aqui no Brasil a presença de caveiras mexicanas — e não só nas paleterias que se espalham por shoppings e esquinas do país, mas também em tatuagens, estampas e até enfeites de mesa. A relação do povo mexicano com a morte e toda a mitologia por trás dessa passagem vem se difundindo e é o ponto central da animação “Festa no Céu”, escrito e dirigido pelo estreante Jorge R. Gutierrez.

Quem assina a produção da obra é ninguém menos do que Guillermo del Toro, o que dá peso à película e já cria a expectativa de uma exuberância visual. O filme é narrado pela guia de um museu nos Estados Unidos que mostra a “área secreta” do lugar para um grupo de crianças inquietas. A história contada pela guia se passa no México e, nela, você acompanha a trajetória dos amigos Manolo (Diego Luna), Maria (Zoe Saldana) e  Joaquin (Channing Tatum) desde sua infância até a vida adulta.

Manolo e Joaquin são apaixonados por Maria, mas o pai da moça resolve mandá-la para um convento na Espanha quando ela ainda é criança. Anos depois, ela retorna e encontra Joaquin transformando em herói nacional, enquanto Manolo ainda está no dilema entre seguir as tradições familiares e se tornar um grande toureiro ou seguir seu próprio coração e virar músico.

Canta y no llores…

Para falar do folclore mexicano, da relação colorida e mística que o povo mexicano guarda com a morte, nada melhor do que um mexicano. Gutierrez, que estreia nas telonas, cria uma história capaz de destacar toda a riqueza folclórica do mais boreal dos países latino-americanos. No filme, personagens clássicos da cultura do México estão presentes, como Xibalba, ser da cultura maia que governa um mundo subterrâneo dominado pela desgraça, e La Muerte, personagem de origem sincrética entre as várias manifestações culturais e religiosas que se confundem na formação do país. No filme, os dois são, respectivamente, algo que se pode chamar de vilão e de madrinha, respectivamente.

A história não tem nada de absurdamente incrível ou inédito: um triângulo amoroso que se resolve de um jeito até meio óbvio no final das contas — o que não diminui a emoção do que é contado nem a diversão do filme como um todo, indicado para crianças e adultos. A personalidade dos personagens é bem construída, sendo Joaquin um reflexo daquilo que foi seu pai, Manolo tentando fugir do carma de uma família de toureiros e, por fim, Maria uma menina rebelde, que em vários momentos rejeita o estereótipo de mocinha e acusa o machismo em algumas ações de seus amigos ao quererem disputá-la.

Festa no Céu

As cores são marcantes nesse filme, o que torna a experiência com o formato 3D também bastante satisfatória. A delicadeza dos bonecos, representados em formato de madeira e também muito vivos, é um destaque especial. O trabalho dos animadores e dos desenhistas consegue ser reparado a todo instante, não só nos personagens, mas também nos cenários, que seguem o mesmo padrão de qualidade e complementam o excelente visual de “Festa no Céu”.

Enfim, o grande mérito de Gutierrez está em aproveitar o rico pano de fundo cultural do México para criar um filme colorido e uma história que se apoia em diversas manifestações folclóricas de seu país. Visualmente impecável, “Festa no Céu” é uma excelente opção para quem gosta de uma ótima animação.

Fonte das imagens: Divulgação/

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Douglas Ciriaco

Cê tá pensando que eu sou lóki, bicho?

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