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Crítica do filme Boyhood

Uma bela reflexão sobre o tempo

Douglas Ciriaco

por
Douglas Ciriaco

Sexta, 24 de Outubro de 2014
Fonte da imagem: Divulgação/
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Falar do tempo é um clichê. Não me refiro ao clima, mas ao tempo, ao contar das horas, dos dias, dos anos, enfim, ao tempo marcado no calendário. A forma como nos relacionamos com isso vem sendo cada vez mais alterada conforme o avanço tecnológico nos permite outros tipos de mediações com o mundo: o distante já não é tão distante e quase tudo se tornou urgente.

Em “Boyhood: Da Infância à Juventude”, Richard Linklater volta a trabalhar com uma espécie de “tempo real” dentro da realidade cinematográfica, retratando a vida de uma família, em especial do filho, durante o período de 12 anos. A obra levou todo esse tempo para ser filmada, com os atores envelhecendo junto com as filmagens — algo de certa forma semelhante ao que Linklater havia feito na trilogia “Antes do Amanhecer” (1995), “Antes do Pôr-do-Sol” (2004) e “Antes da Meia Noite” (2008).

Desta vez, Linklater (que também assina o roteiro da película), apresenta a história do casal divorciado Olivia (Patrícia Arguette) e Mason (Ethan Hawke) na tentativa de criar seus dois filhos, Mason Junior (Ellar Coltrane) e Samantha (Lorelei Linklater). O filme cobre a vida de todos esses personagens durante uma dúzia de anos, cobrindo a vida de Mason Jr. dos 6 aos 18 anos de idade.

Os anos se passaram em seu devido lugar

“Boyhood” é um filme sobre o passar do tempo. Ele é reflexivo, longo e cheio de situações corriqueiras do dia a dia, sem a proposta de chegar a lugar algum, a alguma grande descoberta além daquela basicamente óbvia de que o tempo está passando para todo mundo. Enquanto você vai para o trabalho ou cozinha, enquanto vai para a escola ou lê este texto, a Terra está rodando e o tempo não para.

A primeira coisa que me veio à cabeça assim que o filme terminou foi justamente o excelente trabalho de direção e de atuação que manteve todo mundo em sintonia durante longos 12 anos — ou seja, quando Linklater e sua turma começaram com este projeto eu tinha apenas 15 anos! —, algo que faz toda a diferença dentro da proposta desta película. A interação entre os personagens, o desenvolvimento psicológico que cada um deles apresenta ao longo da história, a série de pequenas coisas que formam um ser humano: quase tudo isso é representado de alguma maneira ali na vida do protagonista Mason Junior.

Boyhood

Uma família cujos pais estão separados, com um pai distante porém carinhoso e com uma mãe dedicada e com grande amor por seus filhos, disposta a abrir mão da maior parte da sua própria vida para garantir sozinha o sustento e a tranquilidade de suas crianças. A má sorte de Olivia, a mãe, na hora de iniciar um relacionamento fica claro com as três escolhas bastante duvidosas que ela faz ao longo da história, escolhas essas que ora aproxima, ora afasta o casal de irmãos de algumas pessoas marcantes em suas vidas. Eis aí um ponto bem interessante do roteiro: a representação do dinamismo da vida, esse que faz nossos caminhos cruzarem (e descruzarem) com o de outras pessoas.

A vida segue

Se o tempo não para, quem vive também não pode parar, e esse é outro ponto bastante feliz da história criada por Linklater. Além da ousadia de tocar um projeto como esse, basicamente acompanhando a evolução (não só profissional, mas também pessoal) de um ser humano, o diretor e roteirista consegue transpor para a tela de maneira bastante eficiente a noção de que a vida continua.

Os problemas enfrentados pelos personagens se intercalam entre descobertas e reflexões, inícios e conclusões de ciclos, encontros e desencontros. Destaque aqui para a atuação execpcional de todos os atores, especialmente da dupla Ellar Coltrane e Lorelei Linklater, que cresce não apenas fisicamente, mas também como personagens, conseguindo manter características psicológicas demonstradas na infância ao longo da juventude.

Apesar de longo, com 2h45, “Boyhood - Da Infância à Juventude” é um filme leve, daqueles em que você mal vê passar a hora diante da tela. Leve, porém não superficial, ele expõe de maneira muito interessante diferentes reflexões que podemos ter ao longo da vida diante do tempo — passado, presente ou futuro.

Fonte das imagens: Divulgação/

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Douglas Ciriaco

Cê tá pensando que eu sou lóki, bicho?

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