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Crítica do filme O Palhaço

Só faltou um bom roteiro

Douglas Ciriaco

por
Douglas Ciriaco

Quinta, 13 Novembro 2014
Fonte da imagem: Divulgação/
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Demorei muito para ver o filme “O Palhaço”, estrelado e dirigido por Selton Mello. O filme chegou às telonas em 2011 e foi até o candidato nacional a indicado na categoria de melhor filme estrangeiro no Oscar do ano seguinte — não chegou a ser finalista —, mas eu parei para vê-lo apenas há alguns dias. O resultado foi surpreendente tanto negativamente quanto positivamente, pois o filme causa muitas reações aos espectadores um pouco mais atentos.

Na trama, você acompanha a vida da trupe do Circo Esperança, um circo itinerante que viaja por pequenas cidades do interior do Brasil repetindo seu espetáculo e em busca de algum público ainda fascinado por essa expressão artística.

Apesar das apresentações estarem sempre lotadas e serem sempre prestigiadas pelas autoridades locais, Benjamin (Selton Mello) se vê diante de uma crise existencial e resolve desfazer a dupla com seu pai, Valdemar (Paulo José), ambos os principais palhaços da atração. Então, o jovem palhaço parte em busca de um rumo próprio nesse emaranhado de possibilidades e frustrações que é a vida.

O Palhaço

A ideia central, o mote do filme, dá muito pano pra manga, pois explora a poesia dramática da vida de um palhaço. O dilema clássico de “quem vai fazer o palhaço dar risada?” está aqui, algo que, bem trabalhado, transformaria “O Palhaço” em uma das grandes comédias dramáticas do cinema brasileiro — mas ele passa longe disso, infelizmente.

O filme dá pouca profundidade ao drama e está repleto de diálogos superficiais, para não dizer desnecessários. Dessa forma, ele se arrasta sem necessidade por muito tempo, tornando-se cansativo, apesar de não ser um filme longo (88 minutos), desperdiçando o talento dos protagonistas e o excelente aspecto técnico da produção.

Os grandes destaques aqui são Selton Mello, que vai bem na atuação e ainda melhor na direção, com enquadramentos e sequências que lembram Wes Anderson, e Paulo José, que já sai como principal candidato a interpetrar Adoniran Barbosa em uma possível cinebiografia. Além disso, a trilha sonora excepcional traz alguns clássicos da música brega brasileira, dando um charme especial à trama que mistura circo e esperança não somente no nome da trupe.

É realmente uma pena que “O Palhaço” não decole. A argumentação do filme é fraca e o roteiro vai do nada a lugar algum, não consegue trabalhar bem as questões que apresenta e vale apenas como referência técnica, com excelente direção, fotografia e trilha sonora.

Fonte das imagens: Divulgação/

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Douglas Ciriaco

Cê tá pensando que eu sou lóki, bicho?

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