log in
 

Crítica do filme O Abutre

Uma boa crítica ao sensacionalismo

Douglas Ciriaco

por
Douglas Ciriaco

Quarta, 17 Dezembro 2014
Fonte da imagem: Divulgação/
Mudar tema Padrão Noturno
Barra lateral X Desativar
Mudar fonte A+ A A-

O jornalismo sensacionalista é uma realidade no Brasil e, não há dúvida, também nos Estados Unidos. No remake de "RoboCop", dirigido por José Padilha e que chegou aos cinemas no final de 2013, o personagem de Samuel L. Jackson encarna bem um apresentador desses programas policiais que pedem sangue diante das câmeras.

Desta vez, “O Abutre” faz um trabalho semelhante, mas se aprofunda ainda mais na exposição desse tipo de jornalismo, expondo ainda alguns de seus perigos nem sempre tão claros para todos os espectadores que engordam os números da audiência.

No longa, Jake Gyllenhaal (“O Segredo de Brokeback Mountain”) é Lou Bloom, um pé rapado que resolve virar cinegrafista freelancer para tentar arranjar algum dinheiro vendendo vídeos para emissoras de televisão. Ao ver um acidente na beira da estrada, ele tem contato pela primeira vez com esse tipo de ofício: uma dupla de cinegrafistas filma de perto o resgate de uma mulher em um acidente de carro. Dada a ideia, Bloom entra de cabeça no negócio e vai bem além dos limites da ética para conseguir imagens chocantes e, consequentemente, faturar ainda mais com a venda de suas filmagens.

Não dá para dizer que este filme é um tratado contra o sensacionalismo, mas ele consegue criar uma trama até certo ponto interessante e, nesse meio tempo, tecer algumas críticas a esse jornalismo que busca a audiência acima de tudo, passando por cima da ética e até mesmo de uma investigação mais apurada dos fatos. Essa questão é apontada de modo competente no filme, gerando boas conversas entre Nina Romina (Rene Russo) e seus editores no canal de televisão.

Começa bom, mas se perde

Até certa altura de “O Abutre”, a trama criada pelo roteirista e diretor Dan Gilroy vai muito bem ao revelar aos poucos a personalidade perturbada do protagonista. Bloom vai de um sujeito em busca de um emprego a um homem chantagista, mentiroso e manipulador de uma maneira coerente dentro da história, mas é quando ele chega neste limite que as coisas começam a desandar.

O início do desfecho da história, digamos assim, começa quando Bloom revela um desejo reprimido por Romina, a apresentadora do jornal para o qual o cinegrafista vende seu material. De repente, ele resolve explorar uma fragilidade profissional da jornalista, algo que aparece como surpresa na trama, tentando chantageá-la para se dar bem. Porém, essa “situação” sai da trama mesma forma repentina com que entra, como se tudo tivesse sido esquecido.

Ao final, fica a sensação de que faltou alguma coisa para amarrar bem a trama do ponto de vista psicológico. A velocidade das coisas no filme também colabora para essa impressão, pois tudo acaba se arrastando de forma lenta, evidenciando ainda mais esses buracos no roteiro. Dá para dizer, enfim, que Gilroy faz um bom trabalho de direção, as atuações de Gyllenhaal e Russo agregam bastante à película, mas as falhas do roteiro deixam a experiência um tanto quanto cansativa.

Fonte das imagens: Divulgação/

Curtiu esse texto? Então deixe seu comentário e aproveita para compartilhar nas redes sociais!

Douglas Ciriaco

Cê tá pensando que eu sou lóki, bicho?

Comentários

Este é um espaço para discussão. Você pode concordar, discordar ou agregar informações ao conteúdo, mas lembramos que aqui devem prevalecer o respeito e bom senso. O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Nos reservamos o direito de apagar comentários que não estejam em conformidade com nossos Termos de Uso.