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Crítica do filme Whiplash

A perfeição deixa calos

Douglas Ciriaco

por
Douglas Ciriaco

Terça, 06 Janeiro 2015
Fonte da imagem: Divulgação/
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Não é incomum encontrar, na História, casos de gênios de diversos que eram uma mistura de solidão e arrogância — talvez sendo a segunda exatamente a soma da genialidade obsessiva com a falta de trato para o social. Nomes como o do pintor holandês Vincent Van Gogh e o do físico alemão Albert Einstein figuram como alguns dos mais conhecidos cujos donos se encaixavam no perfil descrito acima.

Em “Whiplash - Em Busca da Perfeição”, o que se vê é o jovem baterista de jazz Andrew Neiman (Miles Teller) com grande potencial sendo lapidado por Terence Fletcher (J.K. Simmons), um professor truculento e abusivo que usa de violência psicológica (e até física) para extrair o melhor de seus alunos. O rapaz guarda em si a obsessão, a solidão e a arrogância dos gênios, mas precisa equilibrar as forças dentro de si para se dedicar na busca pelo sonho de se tornar memorável como os grandes músicos do gênero, além de lidar com o mestre nada convencional.

Partindo dessa relação, o filme escrito e dirigido por Damien Chazelle (“Toque de Mestre”) cria relações tensas e faz um excelente trabalho ao mostrar o quanto o ódio e o orgulho às vezes podem ser um combustível potente para criar grandes artistas.

Em busca do tempo perfeito

Logo de início fica claro o quanto alcançar o propósito de ser uma lenda tomaria tempo e energia da vida de um jovem estudande de música de 19 anos, o que aprofunda ainda mais a solidão de um rapaz sem amigos e que resolve dispensar a sua namorada, então a única pessoa além de seu pai a lhe demonstrar algum tipo de afeto. A presença disso na trama é trabalhada de um jeito interessante, reafirmando o quanto o garoto estava disposto a deixar de lado qualquer possibilidade de distração no caminho a se tornar uma lenda.

Whiplash

Isso também serve para revelar a personalidade de Neiman: egoísta, arrogante, solitário e talentoso. A impressão que fica é que ele poderia carregar mais o último adjetivo e deixar os três primeiros de lado, mas não é o que acontece e as consequências disso beiram a tragédia em certa altura do longa.

Nesse meio tempo, o professor Fletcher se mostra como um mentor também na obsessão e arrogância de seus alunos — uma cena de preconceito e abuso moral basicamente apresenta o personagem de Simmons para o público. E o cartão de visita se repete diversas vezes, arrancando inclusive lágrimas do protagonista e algumas preocupações de seus pais.

Regado com jazz

O filme todo é regado com jazz, ou seja, é um prato cheio para os amantes deste ritmo afroamericano. A presença das músicas não como trilha sonora, mas como parte do filme em si, ajuda a tornar ainda mais proveitosa a experiência auditiva da película — sem dúvida, um de seus principais pontos positivos.

As atuações de Miles Teller (“Divergente”) e J.K. Simmons (“Homem-Aranha”) conseguem dar uma força incrível a tudo que acontece em “Whiplash”. O primeiro encarna bem o pupilo que se sujeita à loucura do mestre, até mesmo adquirindo um pouco dela para si, enquanto o segundo se transforma em um louco que não economiza em esbanjar impropérios machistas e homofóbicos diante das câmeras.

Por fim, a direção impecável de Chazelle, com algumas cenas que lembram Daren Aronofski em “Requiem Por Um Sonho”, focando algumas tomadas em detalhes de instrumentos, partituras e movimentos das mãos segurando baquetas, não deixa por menos e também merece aplausos. O desfecho do roteiro também vem temperado de surpresa, terminando sem muitas conclusões objetivas sobre a história, mas do melhor jeito possível para o momento alcançado pela trama.

Fonte das imagens: Divulgação/

Whiplash – Em Busca da Perfeição

Qual é o preço justo por um sonho?

Diretor: Damien Chazelle

Duração: 107 min

Estreia: 22 / Jan / 2015

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Douglas Ciriaco

Cê tá pensando que eu sou lóki, bicho?

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