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Crítica do filme A Viagem

Tudo está conectado, mas nem tudo se conecta

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Quinta, 31 Janeiro 2013
Fonte da imagem: Divulgação/
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O cinema nos levou a muitas jornadas nos últimos tempos. Tivemos “As Aventuras de Pi”, “O Hobbit” e, por último, “A Viagem”. Venho hoje contar como foi minha experiência com essa mais recente, uma obra que leva o espectador em uma viagem através do tempo para conhecer como a história da humanidade é conectada.

Eu estaria mentindo se relatasse que o mais recente longa dos Wachowski não me deixou curioso e ansioso para descobrir o que tanto havia neste universo mágico. Também, não posso negar que depois de longas três horas de projeção e uma verdadeira confusão de fatos, o filme me deixou sem respostas e muito pensativo.

Roteiro ambicioso, mas com conexões complicadas

Se você ainda não conferiu o filme, vale uma breve explicação. Em “A Viagem”, você é levado a presenciar uma série de acontecimentos com personagens aleatórios que vivem em diferentes épocas. Não se trata de um longa que leva uma história até um ponto e a conecta com a próxima. Também não é um filme montado com uma ordem cronológica bem definida.

A ideia do filme em abordar diferentes histórias em épocas passadas, presente e futuras não é ruim. Todavia, o que percebi é que na tentativa de abraçar tudo, o roteiro do filme acaba não comportando cada capitulo do todo com riqueza de detalhes – algo que gera uma confusão depois de uma hora e tanto de projeção.

Além disso, ao misturar as histórias de forma aleatória, “A Viagem” deixa o espectador muito perdido, pois muitas vezes demora para que uma das linhas seja retomada e é fácil se perder em meio a tantas informações.

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Na tentativa de criar uma ligação entre os acontecimentos e dar o tom de continuidade, o longa-metragem aproveita os mesmos atores para que o público também reconheça essa conexão através do tempo. Assim, para que os personagens fiquem convincentes, o filme abusa a todo momento da maquiagem.

A ideia é boa, mas a execução nem tanto. Resultado? Muitas vezes, você pode se pegar olhando para a falta de capricho nas maquiagens. Felizmente, os figurinos são de qualidade, de modo que não é possível encontrar um personagem fora de época.

A arte é a base de Cloud Atlas

Apesar da confusão no roteiro e das maquiagens pouco convincentes, “A Viagem” é um filme que impressiona pelos visuais. A fotografia ambiciosa deixa o público interessado em conhecer o que há de místico por trás de cada cenário. A ambientação futurista é muito boa, bem como os acontecimentos no passado conseguem levar o espectador em uma jornada inusitada.

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A trilha sonora do filme é simplesmente emocionante. O tema principal que leva o mesmo nome do título do longa é incrivelmente bem trabalhada. As demais composições também são coerentes com a história e deixam o filme completo.

Se você prestar muita atenção, no fim do filme, você dificilmente vai encontrar uma moral ou uma conexão em tudo, mas isso não é ruim. “A Viagem”, apesar de tudo, é uma bela obra de arte que tem diversas lições a ensinar. Para mim, a principal é de que o humano não tem fé em si próprio, que sempre vamos acabar nos estragando e que é preciso de um pouco mais de amor para fazermos esta viagem juntos.

Fonte das imagens: Divulgação/

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