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Crítica do filme RoboCop

Não é o filme que você espera. Ele é melhor!

Rafael Gazzarrini

por
Rafael Gazzarrini

Quinta, 27 Fevereiro 2014
Fonte da imagem: Divulgação/
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O que você espera ao assistir um filme do policial robô mais famoso do mundo? É muito provável que a resposta seja ação, tecnologia, bordoada, tiro, sangue e gente bonita — afinal de contas, todo filme de Hollywood conta com atores bonitos. A boa notícia é que "RoboCop" tem um pouco de tudo que acabei de citar.

Por conta de tudo isso, vamos começar pelo óbvio. Os efeitos especiais são realmente muito bons, com texturas e efeitos de luzes extremamente convincentes, de maneira que você não vai se sentir assistindo a uma produção dos anos 80. Além disso, a realidade do filme é bastante próxima da atual, com aparelhos eletrônicos semelhantes aos que usamos hoje em dia.

Dessa maneira, é fácil de você ser absorvido pela história de Robocop. Um exemplo disso são as cenas de ação, em que a câmera acompanha de maneira dinâmica os movimentos, os robôs se mexem rapidamente e realmente há muita energia nestes momentos. Acontece que já era de se esperar que essas qualidades estivessem presentes, pois esse é um filme de ficção policial de orçamento milionário.

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E é pensando no gênero de Robocop que eu comecei a me surpreender.

Você admira, mas esse não é o herói que você gostaria de ser

Logo no começo, é possível entender que Padilha, o diretor do filme, não se limitou apenas a contar novamente a criação do Robocop. Tanto que a história passa rapidamente pelo acidente e pela reconstrução do novo corpo utilizado pelo detetive Alex Murphy — e acredite em mim, do jeito como as coisas são contadas, você nem vai sentir falta disso.

Contudo, Padilha foca a trama em diversos pontos, como o drama de você estar preso em um corpo que não é mais o seu e quem nem é mais exatamente um corpo. Ponha-se no lugar do policial. Você não é mais um humano, você não é exatamente uma máquina, você não é mais a pessoa que sempre foi e não há nada que possa ser feito em relação a isso.

É de uma agonia imensa, tanto que Alex pede para morrer. Um tanto quanto difícil de imaginar, não é? Mas o filme mostra isso de maneira bem satisfatória. E, para melhorar, a trama nem mesmo bate nessa tecla repetidamente, pelo simples fato de que o policial também precisa encarar o fato de ele ainda ter uma família.

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O problema é que ele não pode sentir direito os abraços do seu filho ou o “calor” da sua esposa. Para piorar tudo isso, a família do robozão sente esses mesmos problemas e o relacionamento deles acaba sendo uma grande bosta, afinal de contas, nenhum deles pode seguir em frente de um modo pacífico, por assim dizer.

Levando em consideração tudo isso, posso dizer que Robocop é um filme relativamente profundo. É lógico que ele não faz você refletir como um drama, mas também não é uma porradaria cheia de efeitos que deslumbram crianças, já que ninguém quer ser um policial todo amputado — contudo, é claro que você vai admirar esse herói, a determinação e a vontade de viver dele.

Não paga pau pros Estados Unidos

Além de tudo isso que eu já expliquei, Robocop tem uma qualidade bastante política. Padilha não carrega o filme com um tema patriota, coisa que seria fácil de se encaixar por conta do personagem principal ser um policial. Pelo contrário, o diretor mostra que os Estados Unidos é um país violento e com a mania de enfiar o “dedo” nos problemas de outros países. E sempre com supostas boas intenções.

E o motivo de tudo isso ser feito? Porque a segurança dos norte-americanos deve ser protegida a qualquer custo, assim como o personagem de Samuel L Jackson deixa implícito em uma de suas falas. Outra crítica feita é do papel inescrupuloso das empresas (algo bem atual), que não enxergam problemas ao fatiar um homem e praticamente destruir uma família, apenas para acessar um novo mercado lucrativo.

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Com isso, você acaba se perguntando o papel de grandes empresas do mundo da tecnologia de hoje em dia, como Apple e Samsung. Tudo isso mostra que Padilha fez um filme com características dele. Tem muita ação, mas faz você pensar sobre várias questões diferentes. É Hollywood, mas sem ser exatamente Hollywood (e, sim, isso é bom).

Por conta de todos esses motivos, "RoboCop" vale a pena. Nem que seja para experimentar mais um filme de herói, você com certeza vai acabar recebendo mais do que esperava em um primeiro momento. Aproveite!

Fonte das imagens: Divulgação/

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Rafael Gazzarrini

Pode me chamar de Rafa, eu ando por aí na minha nuvem dourada.

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