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Entrevista: Dan Albuk e Dan Pissarenko falam sobre o curta “Persona”
Fonte da imagem: Divulgação/Pablo Diego
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Semana passada, após conferir com acesso antecipado o curta-metragem “Persona”, a gente publicou um artigo especial dando um parecer geral da obra e pontuando vários acertos da produção.

O projeto brasileiro de responsabilidade do diretor Dan Albuk e do produtor Dan Pissarenko chegou com boas ideias para mostrar que o cinema brasileiro pode apresentar criatividade ao explorar um gênero pouco habitual e, assim, até se destacar no cenário internacional.

Tanto é verdade que, no último sábado, após exibição no Festival 72 Horas do Rio de Janeiro, o título de suspense levou quatro prêmios: Melhor Fotografia, Melhor Uso Inovador de Objetos Criativos, Melhor Ficção e Melhor Filme.

Com a receptividade positiva aqui no site e levando em conta o sucesso no Festival, fomos atrás das mentes criativas que idealizaram esta obra. Hoje, trazemos até você um pouco mais sobre o processo de produção e as ideias por trás do projeto.

Confira agora uma entrevista exclusiva com Dan Albuk e Dan Pissarenko sobre “Persona”.

Café com Filme: Você tem alguma formação na área ou mergulhou de cabeça no ramo apenas por hobby?

Dan Albuk

Estou me formando agora em cinema, mas já venho trabalhando há bastante tempo com audiovisual, literatura e com arte em geral.

Dan Pissarenko

Sempre fui apaixonado por cinema e sempre soube que era o caminho que queria tomar. A área de produção veio até mim de forma natural, por ser uma pessoa muito agitada, a correria do set de filmagem me seduziu.

CF: Como surgiu seu interesse pela produção cinematográfica?

Albuk

Desde pequeno! Eu sempre fui completamente louco por cinema e sempre quis fazer parte daquele mundo que eu via nas telas, mas os cursos de cinema aqui no Brasil eram extremamente caros e completamente inacessíveis pra mim na época, então fui para o caminho da literatura, lancei um livro e escrevi mais três.

No livro não tem orçamento (risos)! Mas depois as coisas melhoraram e surgiram oportunidades, então comecei a cursar cinema, principalmente pelos contatos e laços, do que pelo diploma em si.

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Rollo, Viviane Dias e Dan Albuk

Pissarenko

Gosto muito de empreendedorismo e vi na produção a parte mais empreendedora dentro do cinema. Como venho de uma família de publicitários, acabei tendo facilidades desde a adolescência em questões de produto, técnicas de vendas, orçamentos e coisas relacionadas à área.

CF: Percebemos pelo curta Persona que você opta por uma abordagem diferenciada. Qual sua visão sobre o cinema nacional? Como você pretende inovar e se destacar no meio?

Albuk

Olha, eu acho que o cinema nacional atual está batendo muito na mesma tecla.  Filmes semelhantes, com temáticas semelhantes e praticamente do mesmo gênero são vistos repetidamente no circuito, tipo pão de forma.
São raros os filmes brasileiros de suspense, terror, fantasia e ficção que chegam às telas e são vistos pelo grande público. Em parte pelas distribuidoras, que muitas vezes não querem arriscar uma bilheteria fraca e principalmente pela cultura do cinema aqui no Brasil

Está nascendo uma nova geração de cineastas que estão indo com força na contramão, produzindo filmes com ousadia e criatividade e abordando gêneros "esquecidos" aqui no Brasil. Para se destacar creio que é preciso sair da zona de conforto do mercado e contar histórias novas, criativas e de qualidade, que possam bater de frente com as de lá de fora que consumimos tanto nos finais de semana nas salas de cinema. 

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Dan Albuk, Santiago Felipe e Rollo - Foto: Pablo Diego

Pissarenko

Persona é ficção e poesia, acredito que o cinema brasileiro anda tendo muito material sobre a realidade em que vive, o que é muito importante, mas acho que existe um grande mercado para filmes mais lúdicos, especialmente para os amantes de fantasia, terror e ficção científica.

CF: Como foi o desafio de produzir o curta-metragem Persona em apenas 72 horas?

Albuk

Foi uma doideira! Praticamente três dias sem dormir, sem comer direito e trabalhando sem parar até, literalmente, os últimos minutos. A nossa principal arma foi a equipe do filme, que era super afiada, dedicada e com uma energia muito boa. O que um pensava o outro já concluía e executava. Taí a importância de trabalhar com amigos profissionais e pessoas que você confia, tudo sai mais rápido e melhor.

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Dan Albuk, Talita Mendes, Santiago Felipe e Rollo - Foto: Pablo Diego

Pissarenko

Foi como eu esperava que seria. A equipe se conhece de projetos anteriores então já trabalhamos de forma muito afinada, por mais que tenha sido muito cansativo e acelerado o ritmo de trabalho, já sabíamos que seria assim para poder entregar um material de qualidade no tempo devido.

CF: Sobre a produção de Persona. Como se deu o entrosamento da equipe? Vocês têm uma produtora? Os envolvidos também já possuem experiência com a produção de mídia audiovisual?

Albuk

Todo mundo já trabalha junto tem um tempo. O primeiro curta — “Do Pó ao Aço” — que fizemos e ainda está em fase de finalização, que gravamos ano passado, uniu muito algumas pessoas da equipe, então ela já estava praticamente pronta desde o começo. Aí convidamos mais algumas pessoas interessadas e com vontade de trabalhar e fechamos a equipe.

Praticamente 90% da equipe já tinha bastante experiência com trabalhos anteriores, então tudo correu relativamente bem durante a produção do curta. Eu e Dan Pissarenko estamos no processo de abertura de uma produtora, que provavelmente deve sair do papel nesta metade do ano!

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Pissarenko

Mais da metade da equipe está reunida desde o primeiro projeto "Do Pó ao Aço", então não somos apenas colegas de trabalho, mas também amigos. Quando nos reunimos para o Persona já sabíamos como era o trabalho de cada um, a equipe toda trabalhou em sinergia. Quanto à produtora, eu e meu sócio Dan Albuk, já estamos providenciando. Acredito que até o final do ano já estaremos produzindo através dela.

CF: A receptividade de Persona parece ser muito positiva. Você pretende investir mais neste gênero?

Albuk

Claro! Não só nesse, como também em fantasia e ficção. O cinema brasileiro é muito carente de conteúdo nessa levada, praticamente não se vê. Ficamos muito felizes com a repercussão de "Persona", tanto por parte da galera que foi assistir quanto dos jurados, que elegeram nosso curta como melhor filme do festival, dentre outros prêmios.

CF: Você tem outros projetos em andamento? Quais são seus planos para os próximos anos?

Albuk

Já estou trabalhando em roteiro para um longa, que é nosso objetivo principal, claro. Em paralelo estamos fechando parcerias e correndo por fora com trabalhos para publicidade e programas. Tenho outros roteiros escritos para curtas-metragem e outras inúmeras ideias para outras coisas, o próximo passo é organizar para fazer a maioria sair do papel.

Pissarenko

Ainda esse ano o curta metragem "Do Pó ao Aço" fica pronto para concorrer os festivais de 2017 e começamos a nos preparar para o nosso primeiro longa-metragem, que ainda estamos refinando o argumento. Também nesse meio tempo estamos pensando em possíveis produtos para a web.

CF: Como você enxerga a produção de filmes independentes no Brasil?

Albuk

Tem muita gente produzindo atualmente por conta da facilidade que temos hoje em dia e o acesso a aparelhos que com um clique já estão gravando. E isso é muito legal, pois dá a chance dos interessados se expressarem e mostrarem o trabalho.

Mas muitos ainda estão com aquela ideia ultrapassada de "uma câmera na mão e uma ideia na cabeça", isso não funciona quando você quer jogar de igual pra igual com as produções pelo mundo a fora. Tem que ter um preparo antes, uma pré-produção, uma organização para o trabalho fluir de forma legal para todo mundo da equipe.

O que eu acho que falta é parceria, dos cineastas em si. Cinema é equipe. Um filme não se faz com uma pessoa só. O pessoal passa mais tempo tentando ver quem é melhor e competindo de forma não saudável do que tentando subir junto. Ma,s como falei, acho que tem uma nova geração do cinema que está prestes a estourar. Uma galera boa, de cabeça boa e ideias novas e criativas está chegando com o pé na porta.

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Rollo e Viviane Dias - foto: Pablo Diego

Pissarenko

Muita gente associa filmes independentes ou cinema de guerrilha como algo amador ou improvisado, o que é errado. Cada vez mais estamos tendo filmes de qualidade com baixíssimos orçamentos e isso mostra que o mais importante é ter um orçamento realista, uma pré-produção bem organizada e a vontade de fazer acontecer.

CF: Quais são as principais dicas que você pode dar para quem está começando nesta área?

Albuk

Creio que não tem muito o que falar a não ser: corra atrás. É o princípio básico de qualquer profissão ou basicamente qualquer coisa que você faça. Se você não correr atrás, não vai dar certo. Não vai cair um roteiro no seu colo como mágica ou uma produção legal para trabalhar se não tiver movimento e iniciativa própria.

Para dar certo, você tem que abdicar de algumas coisas, tem que focar de verdade, sem corpo mole, sem desistir, independente dos problemas mais cabeludos que com certeza vão surgir. Ainda mais na arte em geral, que é um ramo muito, muito difícil e requer um esforço enorme para ser notado.

Muita gente vê o cinema de forma muito romântica, principalmente a galera que está começando agora e, cá entre nós, não é. É trabalhar pra cacete, é produzir, desproduzir, é limpar o set, ver figurino, é comer pão com manteiga de almoço, passar o roteiro com atores, pegar silver tape no meio da madrugada, não dormir direito e por aí vai. Cinema é trabalho em equipe, é juntar pessoas que você confia e se sente bem e dar a cara a tapa. E principalmente, levantar quando cair. Sempre.

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Igor Zuppo, Léo Dias, Santiago Felipe e Viviane Dias - Foto: Pablo Diego

Pissarenko

Eu diria que três qualidades são essenciais para ser um produtor. Ser proativo é uma delas. O produtor não pode esperar o problema acontecer, ele tem que estar preparado pra tudo, prever lá na frente as possíveis dificuldades e sempre correr atrás. Ser responsável, pois é no produtor onde toda a equipe confia o rumo e todas as decisões pertinentes ao filme. E, por fim, ser organizado, porque cada filme é um produto composto por inúmeras partes que não podem se perder, tanto para o entendimento do produtor quanto da equipe.

Dan Albuk é diretor e roteirista de “Persona”, enquanto que Dan Pissarenko é produtor executivo da obra. O curta-metragem será exibido em outros eventos e festivais, mas futuramente deve ser postado na web.

Deixamos aqui nosso muito obrigado a Albuk e Pissarenko pelo tempo e atenção. E, claro, não podemos encerrar este texto sem dar os devidos parabéns pela coragem, persistência e ótimo trabalho realizado!

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