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Meryl Streep emociona Hollywood com discurso em Globo de Ouro 2017
Fonte da imagem: Divulgação/Golden Globes

Indicada nada mais, nada menos do que 30 vezes para o Globo de Ouro e 19 ao Oscar, sempre como melhor atriz, Meryl Streep mais uma vez foi arrasadora mesmo. Na noite deste último domingo (08/01), ela subiu ao palco para receber um troféu em sua homenagem pelo conjunto da obra – o prêmio Cecil B. DeMille –, introduzida por uma fala lindíssima de Viola Davis

E, mesmo sem voz, ela conseguiu emocionar o mundo inteiro. Em sua fala, Meryl se manifestou contra mais um dos comportamentos xenófobos e preconceituosos do presidente Trump, que antes de ser eleito prometeu restringir e/ou dificultar a entrada de pessoas estrangeiras nos Estados Unidos, e agora ofendeu um reporter com deficiência. Veja o que disse Meryl no vídeo:

A galera do site “Mulher no Cinema” teve o trabalho de traduzir o discurso, que segue abaixo na íntegra:

“Muito obrigada. Por favor, sentem-se. Obrigada. Amo todos vocês. Vocês terão de me desculpar, pois perdi minha voz gritando e me lamentando nesta semana. E perdi minha cabeça em algum momento deste ano, então preciso ler [o discurso]. Obrigada, Associação de Jornalistas Estrangeiros de Hollywood [grupo responsável pelo Globo de Ouro]. Pegando a deixa do que disse o Hugh Laurie: vocês, e todos nós neste auditório, realmente pertencem ao segmento mais demonizado da sociedade americana hoje. Pensem bem: Hollywood, estrangeiros e a imprensa.

Mas quem somos nós? O que é Hollywood, afinal de contas? É apenas um monte de gente de lugares diferentes. Nasci, fui criada e educada nas escolas públicas de Nova Jersey. Viola [Davis] nasceu em uma fazenda na Carolina do Sul e cresceu em Central Falls, Rhode Island. Sarah Paulson nasceu na Flórida e foi criada por uma mãe solteira no Brooklyn. Sarah Jessica Parker é de uma família de sete ou oito crianças de Ohio. Amy Adams nasceu em Vicenza, na Itália, e Natalie Portman nasceu em Jerusalém – cadê a certidão de nascimento delas? A linda Ruth Negga nasceu em Addis Abeba, na Etiópia, e foi criada na Irlanda, acredito, e está aqui, indicada por interpretar uma garota de uma pequena cidade da Virgínia. Ryan Gosling, como todas as pessoas mais legais, é canadense. E Dev Patel nasceu no Quênia, foi criado em Londres, e está aqui por interpretar um indiano criado na Tasmânia.

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Então Hollywood está cheia de outsiders e estrangeiros, e se você expulsar todos eles [dos Estados Unidos] não terá nada para assistir além de futebol e artes marciais, que não são as artes.

Me deram três segundos [para concluir o discurso], então…O único trabalho do ator é entrar na vida de pessoas diferentes de nós e fazer você sentir como é. Houve muitas, muitas, muitas atuações poderosas este ano que fizeram exatamente isso – trabalhos de tirar o fôlego, cheios de compaixão. Mas houve uma atuação este ano que me chocou, que cravou um gancho no meu coração. Não porque foi boa. Não foi nada boa. Mas foi eficaz e conseguiu o que queria, fez o público-alvo rir e mostrar os dentes. Foi aquele momento em que a pessoa que estava pedindo para sentar na cadeira mais respeitada do nosso país imitou um repórter com deficiência – alguém em relação a quem ele tinha mais privilégio, mais poder e mais capacidade de enfrentar. [Esta cena] meio que partiu meu coração, e ainda não a consegui tirar da minha cabeça, porque não foi em um filme, foi na vida real.

E esse instinto de humilhar, quando é exibido por alguém em uma plataforma pública, por alguém poderoso, é filtrado na vida de todo mundo, porque meio que dá permissão para outras pessoas fazerem o mesmo. O desrespeito convida ao desrespeito, a violência incita violência.

Quando os poderosos usam sua posição para fazer bullying, todos nós perdemos.

Ok, isso me leva à imprensa. Precisamos de uma imprensa com princípios para fiscalizar o poder, para cobrar cada absurdo. É por isso que os fundadores [da democracia americana] colocaram a imprensa e suas liberdades na Constituição. Então apenas peço que a próspera Associação de Jornalistas Estrangeiros de Hollywood e todos da nossa comunidade se juntem a mim no apoio ao Comitê de Proteção aos Jornalistas, porque vamos precisar deles para seguir adiante, e eles vão precisar de nós para proteger a verdade.

Mais uma coisa. Uma vez eu estava no set reclamando de alguma coisa – íamos filmar na hora do jantar, muitas horas de trabalho ou qualquer coisa do tipo – e Tommy Lee Jones me disse: ‘não é um enorme privilégio ser ator, Meryl?’. Sim, é. E temos de lembrar uns aos outros do privilégio e da responsabilidade do ato de empatia. Todos devemos ter muito orgulho do trabalho que Hollywood está homenageando aqui esta noite.

Como a minha amiga que partiu, a querida Princesa Leia, me disse uma vez: ‘pegue seu coração partido, transforme em arte’. Obrigada.”

Assuntos Globo de Ouro

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Lu Belin

Eu queria ser a Julianne Moore.

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