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Crítica do filme Brightburn - Filho das Trevas

O capeta em forma de guri

Thiago Moura

por
Thiago Moura

Quinta, 23 de Maio de 2019
Fonte da imagem: Divulgação/Sony Pictures
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O que aconteceria se o Superman fosse maligno? Desconsiderando “O Homem de Aço” em que o herói mais poderoso da DC não salva ninguém, destrói a cidade e ainda mata o inimigo, Clark Kent foi criado por pais adotivos amorosos que ensinaram o pequeno kryptoniano a ser uma pessoa decente e justa, independente do quão poderoso seja.

A ideia de inverter esse papel já foi explorada diversas vezes, principalmente nos quadrinhos, mas em uma época saturada por filmes de heróis (ainda bem!) é interessante assistir algo que ousa explorar ideias subversivas. Mas ”Brightburn - Filho das Trevas” não é explicitamente um filme da DC/Warner sobre heróis, ainda que a referência seja descarada.

O longa é repleto de ideias e abraça o estilo Splatter com força e certamente os fãs do gênero vão ter surpresas “agradáveis” durante o filme. Porém, a sensação é de que o roteiro força situações apenas pelas demonstrações gráficas exageradas e ignora durante muito tempo as situações em que o protagonista se encontra apenas para que o sangue continue a correr.

Igual, mas nem tanto

Na pequena cidade de Brightburn, Kansas, um jovem casal (Elizabeth Banks e David Denman) tentam sem sucesso ter um filho. Durante uma linda noite eles ouvem uma explosão perto de sua fazenda e resolvem investigar, encontrando os destroços de algo que parece uma nave espacial com um bebê aparentemente normal dentro, algo que eles identificam como um presente divino.

Os anos se passam enquanto vemos o crescimento de Brandon Breyer (Jackson A. Dunn) como uma criança normal e feliz, até chegar aos 12 anos. Com a puberdade, ele descobre que pode arremessar um cortador de grama sem muito esforço e que nada é capaz de feri-lo, entre outros poderes maneiros que ele utiliza apenas para matar quem faz algo que desagrade-o.

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Apesar do nome aparecer bastante na divulgação do filme, James Gunn é apenas o produtor. Brian e Mark Gunn, seu irmão e primo, respectivamente, são responsáveis pelo roteiro, enquanto David Yarovesky assina a direção. Para mim, o roteiro é o ponto fraco de “Brightburn”, apenas uma sequência de cenas gore alternadas entre o cotidiano da família Breyer.

Brandon é um garoto muito inteligente, um tanto retraído e alvo de bullying dos colegas, mas não há uma cena após ele adquirir os poderes em que ele busque vingança, meio frustrante em uma história sobre alguém corrompido pelo poder. Além disso, não fica muito claro o limite de seus poderes, sendo capaz de voar ou ficar praticamente invisível quando necessário, mas sendo visto facilmente em outros momentos.

Tentando ser bom a sua maneira

Isso tudo é facilmente relevado, mas uma falha gravíssima é o comportamento dos personagens. Em uma cena, Brandon age como uma criança normal (ou finge muito bem, o que faz menos sentido ainda), para na seguinte tocar o terror e causar o caos sem remorso algum. Mas o pior são os pais, que sabem da natureza misteriosa do filho e seus poderes, e preferem deixar tudo de lado para fingir que está tudo bem.

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Derrapadas do roteiro a parte, é preciso enaltecer a performance do jovem Jackson A. Dunn, que carrega o filme e aparece em praticamente todas as cenas. A história exige mudanças de uma criança normal para um psicopata matador e Dunn está a altura do desafio. Ele não exagera na parte mais sombria de Brandon e não busca ser apenas mais um garoto esquisito, dando um ar bastante perturbador ao personagem, com sorrisos nas horas erradas e uma frieza nas situações mais pesadas. Dunn transmite a sensação de que Brandon acredita que não está fazendo nada de errado, apenas sendo quem ele é realmente, o que torna tudo muito assustador em uma análise mais fria.

Por outro lado, Elizabeth Banks usa toda sua experiência para encarnar o papel de uma mãe que não quer ver o quanto seu filho é perigoso. Apesar do esforço, ela apenas nega continuamente todos os problemas e consequências das ações do filho até ser tarde demais, servindo mais como um artefato para a história andar do que uma personagem completa.

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A direção de David Yarovesky é o que faz “Brightburn” voar. Abraçando os pontos característicos do terror, como personagens atrás de cortinas, sussurros sombrios, luzes piscando e clichês desse tipo misturados com a iconografia dos filmes clássicos de super heróis, como vistas aéreas, capas esvoaçantes e destruições exageradas, Yarovesky cria uma mistura interessante com elementos tão saturados pela indústria. O diretor de fotografia Michael Dallatorre também colaborou imensamente com a película, apostando sem medo no uso da cor vermelha destacada com o tom sombrio do resto do filme, além de todo o sangue e a estranhíssima e amedrontadora máscara do “uniforme” de Brandon.

No geral, Brightburn entrega o esperado e surpreende positivamente, especialmente se você está esperando ver muito sangue, órgãos expostos e cenas de matança explícitas, finalizando com um inusitado “universo expandido” para os fãs mais atentos. Vale lembrar que de forma alguma é um filme leve ou descontraído, nem um pouco aconselhável para pessoas impressionáveis.

Fonte das imagens: Divulgação/Sony Pictures

Diretor: David Yarovesky

Duração: 91 min

Estreia: 23 / Mai / 2019

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Thiago Moura

Curto as parada massa.

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