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Crítica do filme Dois Caras Legais

Detetives, anos 70 e boas risadas

por
Thiago Moura

08 de Agosto de 2016
Fonte da imagem: Divulgação/Diamond Films

Estamos em Los Angeles, 1977. Um garoto de pijamas recolhe seu cachorro para dentro de casa e verifica se todos estão dormindo, para se esgueirar debaixo da cama de seu pai e dar uma folheada numa revista pornográfica.

Em instantes, somos surpreendidos por um carro desgovernado atravessando a sala de estar. O garoto corre para tentar entender o que aconteceu, apenas para encontrar a mesma atriz pornô da revista que ele acabou de ver. Nua, ensanguentada e com um carro carissimo em chamas, suas últimas palavras são "Gostou do meu carro, garotão"?

Essa abertura nos introduz perfeitamente a alguns dos principais temas do filme: indústria pornográfica, mortes, carros velozes, situações absurdas e mistério. “Dois Caras Legais”, é uim filme que não é exatamente sobre detetives particulares, de ação ou comédia, mas possui todos esses elementos utilizados nos momentos certos.

O roteiro foi escrito por Anthony Bagarozzi e Shane Black em 2001, esse último também responsável pela direção e que dirigiu anteriormente “Homem de Ferro 3”, além de roteiros de clássicos como a quadrilogia Máquina Mortífera.

Troca de identidades, poluição do ar, corrupção politíca e assassinatos obscuros permeiam a trama

Os “Dois Caras Legais” do título são apresentados aos poucos. A construção dos personagens é lenta, mas progressiva, até culminar na trama principal, então isso pode desagradar os mais impacientes. E eles estão longe de serem caras legais de fato.

Jackson Healey, interpretado por Russell Crowe, sempre excelente e com um esforço quase nulo para entrar em qualquer papel, agora velho e bem acima do peso ideal, o que torna o personagem ainda mais convincente. Healey é uma espécie de capanga, ganha a vida batendo com um soco inglês em qualquer um que precise de um aviso ou uma lição. Claro que ele recebe para isso, e seus clientes vão desde adolescentes com medo até pais preocupados com a segurança dos filhos.

Então somos apresentados a um detetive particular bêbado e incompetente, mas inexplicavelmente sortudo. Holland March (Ryan Gosling), que aceita procurar o marido de uma velhinha confusa, preocupada com o desaparecimento de seu marido desde seu funeral. Mesmo vendo claramente as cinzas do velho esposo sobre a lareira, ele aceita o dinheiro.

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Diversas situações inusitadas como essa são apresentadas, juntamente com locações de uma Los Angeles repleta de elementos fascinantes. Algumas dessas cenas tem um certo tom de absurdo, e mesmo assim são aceitáveis dentro do contexto geral. Certamente isso se deve ao excelente trabalho de direção e roteiro, que prende o espectador até a conclusão do mistério da trama.

Nostalgia, nudez, muito tiro e algumas risadas oportunas

Enfim, após essa introdução, a história é a seguinte: Amelia (Margaret Qualley), filha de uma funcionária do Departamento de Justiça dos Estados Unidos,  é sequestrada. Sua mãe, Judith Kuttner (Kim Basinger), decide contratar Jackson Healey (Russell Crowe) para investigar o caso.

O trabalho revela-se mais complicado do que o esperado e ele decide dividir a investigação com o atrapalhado Holland March (Ryan Gosling). Ambos descobrem que o caso e a morte da estrela pornô da cena inicial estão de alguma maneira relacionados. Eles então tentam desvendar uma conspiração chocante que atinge até os mais altos círculos do poder.

Vale destacar os outros personagens, como a filha de Holland, Holly (Angourie Rice), que além de ser uma ótima atriz mirim, tem um papel importante dentro do decorrer do caso, sendo diversas vezes uma detetive mais eficaz do que seu pai.

Kim Basinger como Judith Kuttner, quase irreconhecível, e que apesar de não ter tanto tempo em tela, ainda chama atenção pelo excelente trabalho. Poderia seguir citando cada personagem individualmente, mas o ponto é que as escolhas foram muito acertadas e todos colaboram para o conjunto da película ser atraente.

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O filme tem muitos acertos, mas está longe de ser perfeito. Todo o exagero extravagante dos anos 70 está presente, e se isso não for muito sua praia, vai te incomodar muito. A trama é interessante, mas o filme pode cansar pelo tempo de duração (1h 56min), que apesar de não ser tanto assim possui seu próprio ritmo. Além disso, cenas de nudez e armas de fogo sendo disparadas quase o tempo todo são comuns, mas são bem equilibradas com as situações inusitadas já citadas, que invariavelmente vão te fazer rir.

Fonte das imagens: Divulgação/Diamond Films

Dois Caras Legais

Dois investigadores e uma grande cilada

Diretor: Shane Black
Duração: 116 min
Estreia: 21 / Jul / 2016

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Thiago Moura

Curto as parada massa.

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