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Critica do filme Rambo: Até o Fim

Toque de Silêncio

Carlos Augusto Ferraro

por
Carlos Augusto Ferraro

Quarta, 25 de Setembro de 2019
Fonte da imagem: Divulgação/Imagem Filmes
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Inspirado no romance "First Blood", de 1972, escrito por David Morrell, Rambo: Programado para Matar se transformou em um dos filmes mais icônicos da carreira de Sylvester Stallone. Na pele do ex-soldado boina verde da Guerra do Vietnã, John Rambo, o ator cravou seu lugar no hall da fama de brucutus do cinema.

Agora, em sua quinta entrada, Rambo: Até o Fim surge como um canto do cisne, para os nostalgistas de ação oitentista, e para o próprio Stallone que resiste deixar de lado esta faceta da sua carreira. Como fã da franquia e do Stallone digo que este é um dos filmes mais desnecessários da sua carreira, fazendo um desserviço ao personagem e ao trabalho do ator/roteirista que se debate para encontrar o seu novo lugar no cinema atual. Entre muitos erros e algumas boas cenas de ação, Rambo: Até o Fim não encontra equilíbrio na sua história e na ação, perdendo a oportunidade de garantir um final digno a saga de John Rambo.

Programado para matar

A história de Rambo sempre foi marcada pela forma como o soldado, que lutou pela liberdade longe de cada, nunca a encontrou dentro de seu próprio lar, ou de si. Desde o início do filme — em um prólogo totalmente dispensável — fica claro a tentativa de humanizar o personagem, apesar da sua inata habilidade de matar e impor dor aos seus adversários.

Dessa vez encontramos um pacato John Rambo tentando conciliar uma vida pacífica, no rancho da família, com as várias cicatrizes físicas e emocionais do seu passado sangrento. O relacionamento do veterano com Maria e Gabrielle parece genuíno o suficiente para mover a trama, mas não é devidamente desenvolvido pelo roteiro, que não explora o cenário mais interessante dessa dinâmica, aquele no qual a família oferece suporte ao portador de transtorno de estresse pós-traumático.

Como era de se esperar, a paz do rancho logo é quebrada quando Gabrielle vai para o México em busca de seu pai — que abandonou a família quando a garota ainda era criança. Do outro lado da fronteira, na terra sem lei recheada de hombres ruins como alardeia Donald Trump, a menina acaba caindo nas mãos dos irmãos Martinez, líderes de um cartel envolvido no tráfico de mulheres.

Cabe a Rambo se embrenhar na selva de pedra dos cortiços mexicanos em busca de Gabrielle e logo e descobre que por aquelas bandas, as coisas são bem diferentes do que no sudeste asiático. Mais coisas dão errado, a ótima Paz Vega desponta em um papel inútil, as coisas pioram de vez e chegamos ao terceiro ato que concentra basicamente toda a ação e violência do filme. Um final morno e pouco inspirado fecha a película deixando a franquia com um retrogosto meio amargo.

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Perdido em ação

Possivelmente um dos títulos mais contidos da série, Rambo: Até o Fim, tenta dar um fim digno ao personagem, mas comete muitos erros ao longo de todo o filme. A verdade é que a quarta edição já havia dado um fim honrado a franquia e aqui já começamos errado, partindo o princípio que a volta para casa não era o suficiente para o soldado cansado de guerra.
A introdução do componente familiar, Maria e Gabrielle, poderia ser muito interessante, mas o seu desenvolvimento é mais um erro. Mal trabalhado, o drama familiar acaba quebrando o ritmo do filme, que se divide em um dramalhão mexicano (literalmente no caso) e pura pancadaria.

Apesar de facilmente desprezado como uma mera série de filmes de ação, a história original de Rambo foi capaz de camuflar alegorias antibélicas dentro da sua narrativa. As contradições da Guerra do Vietnã são expostas nas duas primeiras iterações da franquia, enquanto a terceira parte aborda a resistência talibã da Guerra Afegã-Soviética — bem como os pretextos anticomunistas estadunidenses da Guerra Fria. O quarto, e mais violento filme da série, ainda consegue trazer um pouco de luz (mesmo que apenas como pretexto para que Rambo saia do seu autoexílio) à crise humanitária provocada pelos conflitos no Mianmar/Birmânia. No entanto, desta vez não há nada realmente inteligênte para ser dito e tudo se resume a uma boa e velha história de vingança bruta.

Enquanto o roteiro de Matthew Cirulnick e do próprio Sylvester Stallone é pouco inspirado, a direção de Adrian Grunberg é inconsistente. O diretor até trabalha bem nas sequências de ação, mas não tem o menor tato para os momentos mais calmos do filme, contribuindo assim para falta de ritmo do filme, que só ganha momento no final, quando estoura a pancadaria — e aqui fica os parabéns para Grunberg que realmente entrega momentos interessantes, pena que o mesmo não se estenda para o resto da película.

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Honras Fúnebres

Sem as devidas honras fúnebres, próprias de um enterro militar, Rambo: Até o Fim termina uma saga que, assim como seu ator principal, parece presa a uma época que ficou para trás. Diferente do que fez em Creed, Stallone tenta moldar o mundo ao seu redor em vez de se simplesmente entender que seu papel agora é outro. Se em Creed o ator veterano entende que seu personagem já não é mais a estrela, mas um coadjuvante de marca maior, em Rambo ele tenta recuperar o holofote, algo que apenas joga luz as suas limitações.

Acredito que ainda havia material para novas edições da franquia. Seguindo a ideia de Creed, poderíamos ter visto Rambo como um mentor — replicando o papel do Cel. Trautman forjando uma nova legião de heróis. Se alvo é apenas a nostalgia por que não apresentar as origens do personagem, uma espécie de prologo mostrando o treinamento de Rambo e sua incursão no Vietnã.

É hora de deixar, o fiel, soldado ferido morrer. Rambo: Até o Fim não é o melhor fim para a saga, mas deve encerrar a jornada do veterano.

Mas da maneira que Rambo: Até o Fim trata o personagem é melhor deixar ele de lado e dar um merecido descanço ao soldado. Rambo IV já fez um trabalho digno colocando um ponto final na saga, apesar do roteiro mínimo e excesso de violência. Todavia, com Rambo: Até o Fim esse ponto é transformado em vírgula em uma sentença desconexa que não acrescenta em nada a elegia do herói.

Os fãs mais ardorosos certamente apreciarão o retorno do personagem, mesmo que em uma película tão medíocre. Dito isso, fica o alerta, pois praticamente toda a ação é restrita aos 30 minutos finais do filme, enqaunto o resto tenta equilibrar um dramalhão familiar no meio de um amontoado de estereótipos reacionários.

Fonte das imagens: Divulgação/Imagem Filmes

Rambo: Até o Fim

Chega de sangue

Diretor: Adrian Grunberg

Duração: min

Estreia: 19 / Set / 2019

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