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Crítica do filme Rogue One

Cara, isso é tão Star Wars!

Edelson Werlish

por
Edelson Werlish

Sexta, 16 Dezembro 2016
Fonte da imagem: Divulgação/Walt Disney Pictures
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“Rebeliões são construídas em cima da esperança”

Com a chegada de Rogue One, nesta quinta-feira (15), a Lucas Film abriu a porteira para a produção dos filmes derivados da saga Star Wars. Com o rótulo “Uma História Star Wars”, o estúdio tem o plano de explorar os cantos nunca antes mostrados desse universo, se afastando da família Skywalker e dos Jedi, para exibir grandes casos e batalhas que aconteceram em segundo plano. 

Uma ideia ousada, visto que a franquia se construiu em cima dos guerreiros de sabre de luz e da família problemática que sempre anda pelos dois lados da força. 

O primeiro longa-metragem dissidente da contagem principal (Rogue One não é titulado como episódio, e até seu letreiro inicial é diferenciado) conta com a seguinte ideia: mostrar o roubo dos planos para a destruição da Estrela da Morte pela Aliança Rebelde, pouco antes do início do Episódio IV. 

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Sem cavaleiros Jedi, ele é apenas um conto sobre guerra nas estrelas, abordando vários personagens e planetas, até então secundários ou até mesmo nunca antes vistos. 

Então esqueça um pouco de O Despertar da Força, Rey, Finn e companhia. Vamos voltar alguns anos e falar sobre todos os pontos que fazem Rogue One o mais novo querido membro dessa família que todos nós amamos e que talvez possa ser o melhor feito até hoje.  

Há muito tempo, em uma galáxia muito, muito distante...

Primeiro vamos nos situar em que ponto da trama estamos exatamente. Rogue One se passa alguns dias antes do Episódio IV, Uma Nova Esperança, o primeiro filme feito em 1977. O roteiro gira em torno da fugitiva Jyn Erso, papel de Felicity Jones, a qual é recrutada pela Aliança Rebelde para ajudar a encontrarem seu pai, Galen Erso (Mads Mikkelsen), engenheiro responsável pela construção de uma arma de destruição em massa para o Império. 

Aqui vai aquele “spoiler”: a arma em questão é a própria Estrela da Morte, que está na iminência de ser ativada e dizimar os primeiros planetas. 

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O rebelde responsável por conduzir a protagonista nessa missão é Cassian Andor, interpretado por Diego Luna. Juntos, a dupla forma ao longo da tarefa um time com demais veteranos, em destaque para Chirrut Îmwe e Baze Malbus, feitos por Donnie Yen e Jiang Wen, respectivamente. Forest Whitaker como Saw Guerrera e Riz Ahmed como Bohdi Rook completam o diversificado elenco. 

A força está tinindo e trincando 

Para analisar Rogue One é preciso começar falando sobre seu design de produção e efeitos especiais, antes mesmo de seu roteiro e direção – vou explicar o porquê: Não é tão simples quanto parece, nos dias de hoje, se criar um filme como Uma Nova Esperança, de 77. O cinema mudou muito, e todos aqueles efeito práticos de cena, como a própria Estrela da Morte feita em maquete, são pouco ou quase nem utilizados pelos grandes estúdios atualmente. 

Eles deram lugar aos efeitos digitais, criados diretamente em softwares. Ou seja, como você faz um filme agora para se parecer semelhante àquele feito há 40 anos? 

Esse desafio foi acertado em cheio pela equipe de produção da Lucas Film, a qual soube perfeitamente produzir esse longa para ele se conectar não apenas em história, mas também visualmente aos seus predecessores, se tornando um verdadeiro tributo aos filmes mais antigos. 

Aquela “tecnologia velha” e pouco usual, como as telas dos computadores que parecem jogo de Atari ou robôs quadrados, são predominantes nesse longa. 

O diretor Gareth Edwards, do remake de Godzilla, conseguiu um produto final digno de se chamar Star Wars. Seu trabalho de escalonamento e profundidade de objetos são espetaculares. Tanto as naves, planetas, os imensos Destroyers Imperiais e a Estrela da Morte são encaixados de forma natural e intensivas, dando a grandiosidade do filme ao espectador. 

Gareth Edwards não utilizou-se apenas de um amontoado de fan service – o que há bastante, diga-se de passagem – mas focou na proposta de criar um longa-metragem de guerra, misturado com drama, aventura e ficção científica que não ficasse refém da obrigatoriedade dos demais capítulos da saga. Se você chegou agora nesse universo, pode entrar e fica à vontade para assistir esse filme. 

Outros pontos de destaque são fotografia e trilha sonora. Greig Fraser, responsável pela reprodução visual, deu uma identidade única para Rogue One. Ele utiliza-se de planos bem abertos, sem medo de mostrar as paisagens ermas. O emaranhado de tons escuros se encaixam perfeitamente na trama, enaltecendo os tempos sombrios em que o Império Galáctico tem o poder, ou mesmo quando parte da Estrela da Morte aparece desfocada no horizonte, dando aquela sensação de medo e tranquilidade ao mesmo tempo.

Já nas primeiras cenas é possível confirmar a premissa. A busca do grande vilão principal Orson Krennic, feito por Ben Mendelsohn, para encontrar Galen Erso, mostram não apenas o começo do conto, mas principalmente a proposta visual, com o vazio reinando e a mesclas de cores frias com vento e chuvas interagindo com as personagens. Um início que deixaria o mestre Kurosawa orgulhoso.

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A música de Michael Giacchino dá a cadência aos fatos e, no grande terceiro ato, torna a batalha espacial um momento único, deixando todos na sala de cinema afoitos com as naves girando e atirando lasers para todos os lados, em conjunto com os bons e velhos X-Wings voando em sintonia.   

O Esquadrão Suicida que “deu certo”

Se o Episódio VII ficou com a dupla responsabilidade de rebootar a franquia e começar uma nova nos cinemas, é Rogue One que presta uma maior homenagem à trilogia clássica de George Lucas. Sem tirar todos os méritos de O Despertar da Força (leia a crítica aqui), o primeiro derivado é completo em termos de filme, e o fato de já ter uma (ou não precisar de uma) continuação está diretamente ligado ao seu sucesso. 

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O longa tem uma proposta simples e objetiva, a qual é executada com maestria. E, mesmo situado dentro do cânone já estabelecido, o filme guarda diversas surpresas e emoções, muito além do mero fan service. Seu terceiro ato, novamente, é o exemplo perfeito. Mesmo sabendo da conclusão daquela história, é possível se empolgar com a execução em tela, e/ou vibrar com apenas o retorno de Darth Vader, imponente, saindo das sombras em meio ao vapor.

É interessante notar que, mesmo sem os grandes Jedis e duelos de sabre de luz, esses elementos pouco fazem falta, e o filme se sustenta na equipe de desajeitados e suicidadas. Porque na hora que você tem um exército de Stormtrooper atirando em você, vale até rezar para a Força te ajudar a concluir a missão. 

Fonte das imagens: Divulgação/Walt Disney Pictures
Diretor: Gareth Edwards
Duração: 133 min
Estreia: 15 / Dez / 2016

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Edelson Werlish

Andou na prancha, cuidado Godzilla vai te pegar!

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