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Crítica do filme Tim Maia

Boas atuações conseguem dar vida à lenda

Douglas Ciriaco

por
Douglas Ciriaco

Sexta, 31 de Outubro de 2014
Fonte da imagem: Divulgação/
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Tem sido comum ver o lançamento de cinebiografias de artistas ligados à música aqui no Brasil — Renato Russo e Paulo Coelho são dois nomes cujo sucesso é incontestável que tiveram suas vidas contadas no cinema recentemente. Agora, junta-se a eles ninguém menos do que Tim Maia, o pai do soul brazuca.

"Tim Maia" é uma adapatação cinematográfica baseada na obra “Vale Tudo”, biografia de Tim escrita pelo seu amigo Nelson Mota. Além disso, o diretor Mauro Lima (de “Meu Nome Não É Johnny”) pesquisou a vida do músico carioca ao longo dos últimos quatro anos para dar mais fidelidade à história.

Na telona, o que se vê é uma história que conta basicamente a vida toda de Maia, desde sua infância até a sua morte, englobando aí suas aventuras nos Estados Unidos, os problemas com a lei, a difícil relação com os amigos mais próximos, seus dramas com drogas e, é claro, as várias fases musicais deste gênio.

Chama o Síndico!

O grande destaque do filme é a interpretação dos atores que dão vida à Tim Maia, seja na fase jovem, com Robson Nunes (“Caixa Dois”), ou na fase adulta e derradeira do cantor, com Babu Santana (“Julio Sumiu”). Acredito que a atuação de Santana merece ainda mais aplausos, pois consegue captar bem a fase mais insana do artista carioca, com altos e baixos, um senso de humor bem peculiar e muitos problemas com basicamente todo mundo que o cercava.

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Apesar do excelente desempenho de Nunes e Santana dividino a representação do protagonista da história, a atuação do estreiante George Sauma como Roberto Carlos é um tanto incômoda. Seu personagem soa caricato demais mesmo para interpretar Roberto Carlos, lembrando um pouco as sátiras ao “Rei” feitas por humoristas.

A história é bem contada e o filme não se perde a intercalar momentos da vida de Tim Maia, contando a história nem sempre de forma cronológica.  O vai e vem aqui é feito com cuidado e não causa confusão na cabeça do espectador. Enfim, do ponto de vista técnico, “Tim Maia” quase não decepciona, talvez apenas por alguns problemas de sincronização de áudio e vídeo quando não são os atores cantando, mas sim gravações originais do artista.

Agora eu resolvi falar

A parte sonora do filme, como era de se esperar, é incrível. Sem deixar cair o ritmo nem a levada em nenhum instante, a produção musical a cargo do sempre brilhante Berna Ceppas é um destaque à parte da obra de Mauro Lima. Obviamente, o filme é regado por canções de Tim Maia do começo ao fim, um brinde a mais para quem curte Tim Maia e sua ótima discografia.

Apesar de ser um filme sobre um artista da música, a história permanece quase silenciosa durante a primeira metade, quando o foco está na vida de Tim antes do seu despontar para o sucesso. Logicamente, o fato de o filme ser bem contado pode acabar até tornando irrelevante este ponto, mas isso não pode ser deixado de lado. Talvez aqui o filme encontre seu único calo ao tentar retratar um longo período da vida de um artista.

Como é de praxe em adaptações romanceadas da vida de alguém, alguns personagens são fictícios, como é o caso de Janaína (Alinne Moraes), que reúne em uma só várias mulheres da vida de Tim Maia. A interpretação de Moraes dá conta do recado e é um bom resumo da conturbada vida pessoal do cantor. Já Cauã Reymond (“Alemão”) faz dá vida ao cantor Fábio Fabiano, que por anos fez parte da banda de Maia e, apesar de ser um personagem real, no filme, resume em si um pouco da conturbação que eram as relações pessoais do Síndico.

Sem dúvida, “Tim Maia” é uma das mais interessantes cinebiografias já feitas no Brasil. Se o filme não é excepcional, passa longe de ser ruim ou monótono, consegue equilibrar momentos de drama e de humor e constrói uma versão bastante aproximada daquilo que deve ter sido o próprio Tim Maia.

Fonte das imagens: Divulgação/

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Douglas Ciriaco

Cê tá pensando que eu sou lóki, bicho?

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