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Crítica do filme As Aventuras de Paddington

Todo mundo merece um lar

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Quinta, 04 Dezembro 2014
Fonte da imagem: Divulgação/
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É muito bom ver que a indústria cinematográfica não perde o jeito para alguns tipos de produções. Enquanto algumas aparecem em excesso, outras fazem falta para diversificar o leque de opções. Falo aqui dos filmes para família, os quais são minoria, mas acabam vindo para agradar todos os tipos de públicos.

O filme da vez que vem para integrar este gênero é “As Aventuras de Paddington”, um longa-metragem que mistura o mundo real com um simpático urso computadorizado. O projeto que saiu das páginas dos livros do escritor inglês Michael Bond vem para contar a história do simpático ursinho peruano Paddington que vai para Londres em busca de um lar.

O personagem que existe desde os anos 1950 ganha vida na telona graças à Paul King, encarregado do roteiro e direção da obra cinematográfica. A história é basicamente a mesma que já vimos em outras produções, mas é claro que há suas particularidades e muito o que desenvolver para empolgar tanto adultos quanto a criançada.

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A chegada aos cinemas em dezembro também é oportuna, já que esse espírito de amor, família e amizade tem tudo a ver com as festividades de fim de ano. Adianto aqui que gostei da produção e vou explicar um pouco do que me agradou neste filme água com açúcar, o qual tem grande potencial de ser um bom programa para muita gente.

O clichê: urso procura família carinhosa

A história de Paddington começa muito antes de ele chegar à capital inglesa. Com muito bom humor, o filme nos apresenta à família um tanto diferente do ursinho protagonista, dando alguns detalhes que serão retomados ao longo da história e mostrando informações importantes para criar um vínculo entre o animal fofinho e a plateia. Afinal, como não gostar de um urso que adora marmelada?

Ao chegar em Londres (você vai descobrir como ele veio parar aqui se ver o filme), o pobre coitadinho aguarda na estação Paddington — qualquer semelhança não é mera coincidência — por alguma família que tenha a boa vontade de adotá-lo. É claro que os londrinos mais improváveis acabam o acolhendo e é justamente aqui que começam as lições do filme.

Obviamente, há toda uma reviravolta e sempre tem que ter um vilão para deixar a criançada preocupada, mas o filme segue uma linha bem tranquila e muito divertida. Aliás, não há como não fazer um link direto com “O Pequeno Stuart Little”, já que tratamos de situações muito similares e personagens igualmente cativantes.

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É claro que tem toda uma fofura embutida para agradar a toda família. O ursinho protagonista é simplesmente um barato e fica difícil saber se ele é mais atrapalhado, inocente ou educado. O único problema que pode desagradar alguns já de começo é a dublagem.

A versão dublada do filme tem ninguém menos do que Danilo Gentili na voz do ursinho Paddington. Sinceramente, não ficou péssimo, mas também não tem motivo pra colocá-lo aqui, ainda mais que a interpretação por parte de um profissional ficaria muito melhor.

O pior mesmo é que o filme tem brasilidades desnecessárias. Algumas falas sem qualquer sentido falam do Corinthians, de outras situações do nosso país e até de termos que não fazem nenhum sentido nos diálogos. Péssimas ideias que acabam ficando tirando um pouco da graça.

Um filme muito bem executado

O filme pode até pecar pela falta de ineditismo no roteiro, já que tem muita coisa previsível, mas não deixa a desejar na execução. A ambientação é perfeita, seja pela floresta peruana ou pelos belos cenários de Londres, não há do que reclamar. Há também boas ideias nas tomadas de rua e em outros locais utilizados no decorrer da história.

Os efeitos visuais são impressionantes, a começar pela representação dos ursos que é de cair o queixo. Mesmo sendo possível identificar que se trata de um personagem de computador devido à forma caricata, os gráficos e a movimentação são muito bem trabalhados, o que deixa o filme convincente. É só ver a cena da banheira que tem no trailer para você entender do que estou falando.

Há algumas sacadas bacanas na composição da história. O diretor abusa de elementos dos cenários para mostrar a passagem do tempo (como uma árvore pintada na parede que perde suas folhas quando o outono chega), utiliza de artimanhas como maquetes para mostrar vários acontecimentos simultaneamente e tem sacadas geniais para transportar as ilustrações do livro para a telona.

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A musicalidade do filme funciona muito bem, principalmente nas cenas da cidade, onde vemos os músicos de rua dando a tonalidade para os mais diversos tipos de situações. As câmeras dão conta de mostrar os passeios do ursinho ao mesmo tempo em que mostram os artistas batucando no fundo. Isso dá espontaneidade e mostra que é possível encaixar músicas originais de forma diferente.

No fim das contas, “As Aventuras de Paddington” não é o filme mais brilhante de todos os tempos, tampouco o mais divertido que você verá na sua vida, mas não há muito do que se queixar considerando a proposta do filme. Quer dizer, tirando a questão da dublagem, o longa tem tudo para ser um bom programa para a família, já que tem boas lições e muitas cenas que estimulam o imaginativo. É um verdadeiro passeio pelos livros infantis.

Fonte das imagens: Divulgação/

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