Crítica do filme Lanterna Verde | Universo maneiro, história nem tanto

Espectadores que já viram os novos filmes do Batman não podem ir ao cinema esperando ver um Lanterna Verde do mesmo nível. Não querendo desmerecer o herói, mas no que diz respeito a sucesso de vendas, Batman e Superman são imbatíveis (e talvez por isso tenha rolado uma preguiça na hora de fazer o filme do Lanterna).

Na verdade, não é por isso que esperaríamos um filme meia boca, acontece que depois do que Nolan fez com o Cavaleiro das Trevas, fica difícil conseguir impressionar o público.

Ocorre, no entanto, que essa semana eu decidi conferir o resultado de Lanterna Verde. E sinto em dizer que a Marvel parece ter amadurecido um pouco mais nas recentes adaptações – não que eu queira dizer que algum filme da Marvel supere O Cavaleiro das Trevas. Para quem pensava que Ryan Reinolds seria o pior do filme, sai da sala mais decepcionado com a história — mais ainda não curtindo o Reinolds.

green1

No filme, temos Hal Jordan (Reinolds) como personagem principal. Ele é um piloto de avião que curte fazer cagadas e se achar o melhor piloto do mundo. Ao mesmo tempo, ele sofre com lembranças da morte do pai, que sofreu um acidente na mesma profissão.

Acontece que numa ocasião, quando ele consegue se superar (no sentido irônico, pois ele destrói um avião de alto valor), sem querer a nave de um dos Lanternas Verdes cai na terra. E escolhe ninguém menos do que Hal Jordan para ser o novo integrante da tropa.

Essa nave não surge do nada. O filme possui uma introdução interessante, que coloca o espectador no meio do universo dos Lanternas. A princípio, o bombardeio de informações é um pouco confuso, mas ainda que a quantidade de detalhes seja grande, o filme consegue dar um apanhado geral, com informações que ajudam a compreender o resto da película.

green2

O treinamento de Hal Jordan é uma parte legal do filme, pois são minutos preciosos em que podemos conhecer outros Lanternas, incluindo Sinestro, personagem que ficou incrivelmente parecido com o dos quadrinhos (ou dos desenhos de TV).

Aos poucos, Hal Jordan descobre que terá de enfrentar alguns inimigos, incluindo o personagem Hector Hammond, o qual foi muito bem interpretado por Peter Sarsgaard. Esse oponente seria um bom páreo para nosso herói, porém, os responsáveis pelo filme decidiram incluir Paralax na história, um inimigo superexagerado.

Devo criticar aqui a DC por dar um enfoque muito grande no personagem errado. Apesar de Paralax ser fantástico (no sentido de invencibilidade), ele também é muito potente para um único Lanterna. Quem sabe se esse inimigo fosse o principal numa continuação, o primeiro filme fosse melhor sucedido – usando Hector como inimigo-chave.

green3

Quantos aos efeitos especiais, meus elogios são sinceros. Gostei do planeta dos Lanternas (Oa), da roupa do personagem e também dos efeitos na versão 3D. Apesar de o filme ser exageradamente verde (o que é óbvio e esperado), o resultado tridimensional ficou bom, agradando quem paga um pouco mais para ver uma coisa ou outra saindo da tela.

Enfim, a meu ver, o filme decepciona basicamente com a história, que foi bem simples, com um vilão desnecessário e com o ator principal (por favor DC, vocês podiam escolher qualquer um que fosse capacitado). No mais, Lanterna Verde é um filme divertido (principalmente para quem não conhece o personagem), que pode ter uma continuação, afinal, o gancho no final do longa é algo que empolga os fãs do personagem.

Crítica do filme Planeta dos Macacos: A Origem | Macacos com uma causa nobre

Quando a Fox anunciou um novo ”Planeta dos Macacos” pensei que fariam um longa para estragar um pouco mais a série que já havia sido abalada com o filme lançado em 2001.

Dez anos atrás, Tim Burton e Mark Whalberg não fizeram tão bonito quanto deveriam. Apesar de eu ter assistido o filme uma única vez (ou seja, há uma década), me lembro vagamente das cenas, porém, definitivamente o resultado não foi tão empolgante.

Hoje, fui conferir “Planeta dos Macacos: A Origem” e, para minha surpresa, o diretor novato (que dirigiu apenas quatro filmes) Rupert Wyatt mostrou que tem uma carreira promissora pela frente, de modo que posso dizer que o novo filme dos símios é uma obra que merece respeito.

planetapes1

A história do filme é coerente e compactua com diversas situações atuais, mostrando que não tem nada de muito extraordinário no surgimento dos macacos inteligentes. O enredo começa com o doutor Will (James Franco) tentando encontrar uma cura para o Mal de Alzheimer, testando drogas em macacos para verificar os resultados, os quais serão aplicados posteriormente em humanos.

Felizmente, boa parte do filme não tem o Franco como protagonista, mas sim o símio Cesar – um dos primeiros a mostrar excelentes resultados com um dos compostos desenvolvidos pelo doutor. A história prossegue num ritmo interessante, mostrando como o macaco vai conseguir chamar outros da espécie para defender uma causa nobre: a liberdade.

Acompanhando esse enredo, temos uma trilha sonora muito bem composta. Introduzida aos poucos e em momentos apropriados, a música do filme anima o público, fazendo com que o espectador se empolgue e até torça para que o longa continue com uma história empolgante. Aqui, devemos agradecer também por não haverem incluído trilhas comerciais, o que tornou o filme muito mais rico no sentido artístico.

planetapes2

Os efeitos especiais do filme são muito bons, fazendo jus a fama da Weta Digital (empresa que fez os efeitos do Avatar). Aliás, o Cesar consegue deixar qualquer um com medo — você vai entender quando ver uma das cenas principais do longa — bem como o restante da macacada reunida.

Planeta dos Macacos: A Origem” me agradou muito, principalmente por contar com macacos bem feitos (em vez de humanos com maquiagem) e por dar um sentido fantástico a uma série que sempre foi aclamada por muitos. Espero que a Fox tenha a brilhante ideia de aproveitar o sucesso desse filme para produzir outros e mostrar uma evolução em cima dos fatos contados nesse recomeço.