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Karatê Kid e Cobra Kai | Nostalgia never dies!

Terminei de assistir à terceira temporada de Cobra Kai. Confesso que me lembrou um pouco do insucesso do último Star Wars. No entanto, há muitos "no entantos". São direções diferentes: Star Wars quis agradar pouco os fãs da velha-guarda e muito os fãs recentes, que talvez nem chegaram a ver os episódios IV, V e VI da trilogia clássica. Assim, Star Wars se manteve sem decidir uma direção definitiva para a trama, sobretudo com soluções mirabolantes aos protagonistas no final, infelizmente.

Cobra Kai, por sua vez, arriscou também, mas na direção de agradar novos fãs, e o fez com moderação. Explico: na primeira e segunda temporadas, notei muitas micronarrativas do tema High School, que passaram da conta, com muito foco no staff juvenil. No entanto, o link com o seu antecessor fundamental, "Karatê Kid - A Hora da Verdade", necessitava dessa trama, pois muito dela foi criada no ambiente da escola.

Enfim, diferente de Star wars, o rumo que a série Cobra Kai foi tomando nas duas primeiras seasons foi me agradando à medida que se manteve fiel ao elenco e plot original de Karatê kid, de forma a incorporar também novos personagens e relacioná-los aos elenco original.

Cobra Kai Season 3: sucesso e relação profunda com Karatê Kid

Achei que a Season 3 de Cobra Kai, lançada pela Netflix na primeira semana de janeiro de 2021, iria focar mais naquele universo escolar, mas não, pois aprofundou os dramas do quarteto principal da série: Larusso (Daniel-san), Johnny Lawrence (o loirinho do Cobra Kai, ator principal da série, interpretado por William Zabka), Kreese (o brucutu Martin Kove) e Ali (com o suspense da volta da linda Elisabeth Shue).

Penso que a série correu riscos ao tentar agradar gregos e troianos e fez direito. O drama High School diminuiu (spoiler agora), o que deu espaço para Elisabeth Shue reaparecer. Nas cenas, a sua personagem, Ali, dá o seu recado, inclusive um recado social para aqueles que se reencontram e isso não precisar ser sempre sexualizado, como se todo encontro de amizades antigas (o termo inglês “reunion”) rendesse cenas “calientes”.

Como agradar gregos e troianos? Polemizando e aproveitando trechos do filme original? Correto!

Enfim, acho que os encaixes entre Lawrence, Larusso e Kreese, com respeito aos seus passados e trechos das antigas, inclusive com alguns atores das antigas, convidados a atuar de novo (das produções Karatê Kid 1 e Karatê Kid 2), agradaram-me bastante.

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Aos fãs das antigas, recomenda-se rever os dois primeiros filmes citados, pois há muitas situações inexplicadas resolvidas em Cobra Kai:

  • Seria o chute de água de Daniel-San válido naquela disputa do primeiro filme que lhe rendeu o título local?;
  • Johnny Lawrence é realmente o vilão do primeiro filme ou ele seria alvo de bullying do próprio Daniel-san, o coitadinho do primeiro filme?;
  • Alguns personagens de Karatê Kid 2 reaparecem na season 3 de Cobra Kai, assim, qual é a sua importância?

Enfim, são perguntas interessantes para os fãs nostálgicos, bem como uma abertura interessante para os novos fãs da série, que também são contemplados com atuações mirins muito boas, sobretudo nos dramas juvenis e nas cenas de ação. Karatê Kid e Cobra Kai: nostalgia never dies!!!

Critica do filme 2020 Nunca Mais | O ano terrível

Nem mesmo o “apocalíptico e integrado” Charlie Brooker — aquele que nos deprime e atormenta a cada episódio de Black Mirror — foi capaz de conjurar uma história tão desastrosa quanto à totalidade do ano de 2020. Depois de tantas desgraças que assolaram o pálido ponto azul do sistema solar, finalmente chegamos ao final do ano... e o que você fez?

Em 2020 Nunca Mais, Brooker e uma seleta de estrelas entregam uma desnecessária retrospectiva do “ano terrível”. Mesmo com a costumeira sátira sagaz da proverbial “pós-modernidade contemporânea” e seus componentes transumanos, o comentarista britânico parece não se esforçar muito entregando apenas uma versão menos entediante de uma retrospectiva jornalística.

Com nomes de peso como Samuel L. Jackson, Tracey Ullman, Hugh Grant, Lisa Kudrow, Kumail Nanjiani e Leslie Jones, entre outros, pseudodocumentário se limita a relatar os eventos com um toque de humor absurdo (quase que imperceptível dada a natureza surreal do ano em si). Enfim, se você é um daqueles poucos que consegue rir da desgraça, ou que quer sublimar um pouco da dor por meio do riso, 2020 Nunca Mais ainda é melhor do que o um “Globo Reporter”.

Isso não é muito Black Mirror

Como um narrador onisciente, Laurence Fishburne relata os principais eventos deste ano — que gostaríamos de esquecer — começando com os incêndios florestais australianos e o julgamento de impeachment de Trump, seguindo então para o começo da pandemia, o assassinato de George Floyd, o Brexit, as (in)decisões da eleição presidencial estadunidense chegando até a chegada do lançamento das primeiras vacinas para a COVID-19. Uma sorte de “especialistas” entrevistados entregam opiniões sobre os acontecimentos conforme as divisas entre absurdo se tornam cada vez mais etéreas.

Dash Brakcet (Samuel L. Jackson) é um repórter sério; Tennyson Foss (Hugh Grant) é um historiador cuja senilidade predileção por negronis parece fazê-lo confundir os eventos da realidade com Game Of Thrones; Tracey Ullman encarna uma irritada Rainha Elizabeth II, que não gostou nem um pouco da saída de Harry e Meghan da família real.

Painel diverso analiza adversidades

Jeanetta Grace Susan (Lisa Kudrow) basicamente nega qualquer coisa parecida com a verdade. Kumail Nanjiani é Bark Multiverse, a epítome do CEO de tecnologia, um sociopata egoísta que construiu um abrigo em montanha para si mesmo prevendo a iminente dissolução da sociedade, e de quebra fica absurdamente mais rico durante a pandemia. Enquanto isso, o cientista Pyrex Flask (Samson Kayo) vê suas tentativas de entregar fatos serem reduzidas a breves comentários ilustrados por cenas ridículas de arquivo.

Por fim temos a Dra. Maggie Gravel (Leslie Jones) que chega a inevitável conclusão de que quase todo mundo que não seja ela é um imbecil. Teoria confirmada reintegradas vezes por pessoas como Duke Goolies (Joe Keery), um “produtor de conteúdo” que de alguma forma ganha rios de dinheiro fazendo vídeos no qual apenas reage às notícias. E para deixar claro que o mundo realmente está cada vez mais imbecil, temos Gemma Nerrick (Diane Morgan) — literalmente uma das cinco pessoas mais comuns do planeta — e Kathy Flowers (Cristin Milioti), a personificação da “Karen” estadunidense cuja fonte de dogmas é o feed do Facebook e as correntes de WhatsApp.

Melhor deixar 2020 no passado

O grande problema de 2020 Nunca Mais é justamente o fato de ser uma obra de Charlie Brooker. O que passaria despercebido como uma produção ligeiramente engraçada fica ainda mais insossa se pensarmos no potencial que o olhar de Brooker traz, lembrando estamos falando o homem por trás da perspicaz série de antologia Black Mirror.

Condensando estereótipos em “testemunhas” que narram os eventos caóticos do ano, o roteirista não força a critica o suficiente, entregando apenas um amontoado “piadinhas” datadas diretamente relacionadas aos amalgamas em questão, sem aquele misto de acidez e desespero existencial que marca outras obras do roteirista. Além disso, o elenco — mesmo que recheado de nomes fortes de Hollywood —, parece entediado e assume que a mera contextualização de seus personagens será suficiente para empurrar a atuação.

Retrospectiva 2020, sério? Pra que?

Uma pena, especialmente no caso de Tracey Ullman e Hugh Grant que assumem a pele da Rainha Eizabeth II e de um historiador alcoólatra de tendências ligeiramente racistas, respectivamente. Sem qualquer interesse a dupla parece caricaturas exageradas saídas diretamente de esquetes da Praça é Nossa, Zorra Total ou Saturday Night Live (não se iluda amiguinho, é tudo a mesma coisa com níveis de qualidade variáveis). Dito isso, é preciso celebrar as atuações de Cristin Milioti e Lisa Kudrow.

As duas atrizes extraem o máximo de seus personagens e sem dúvida são o ponto alto de 2020 Nunca Mais. Cristin Milioti encarna com muita propriedade uma “Karen” — a típica radical negacionista suburbana estadunidense — que, graças ao desenrolar absurdo de 2020, finalmente pode por para fora seus preconceitos com o aval da Casa Branca que reverbera o mesmo preconceito e radicalismo. Por coincidência, ou não, Lisa Kudrow assume o papel de uma não-represente não-oficial da Casa Branca, que tenta desesperadamente defender os desmandos e desordem do governo a cada nova imbecilidade oriunda do gabinete presidencial.

"Retrospectiva 2020! Por que vocês querem fazer isso? Sério. Por quê?”

No final das contas, 2020 Nunca Mais é um título mais do que apropriado para um ano horrível, e um filme nada marcante. Se você procura um evento catártico que realmente expurgue o ano da pandemia é melhor buscar em outro lugar. Todavia, se não queremos repetir os mesmos despautério no futuro, é melhor manter o passado vivo na memória, e se temos que relembrar a história de 2020, melhor que seja com um mínimo de humor.

Lista | Os filmes mais tensos para aguentar a quarentena sem fim!

Achou que a quarentena tinha acabado? Pois achou errado, meu amigo cinéfilo!

Apesar de algumas vozes proporem o "novo normal", o alto número de mortos e infectados pelo coronavírus mostra que a realidade é bem diferente e que o sucesso do relaxamento do isolamento, com reaberturas precoces, é algo temerário.

Pesquisadores brasileiros consideram impossível estimar quando o pior terá passado no país, mas adiantam que, mesmo com o advento de uma vacina comprovadamente eficaz contra a pandemia, ainda teremos um longo caminho até a liberação total de atividades e retorno a suposta normalidade.

Bolhas sociais são apenas ilusões de responsabilidade, ainda mais se considerarmos que estamos chegando a quase 95 mil mortos por uma gripezinha, então não é exatamente a hora de pensarmos que o pior já passou e que daqui em diante as coisas serão tranquilas.

A recomendação é bem simples: fique em casa! Ninguém está dizendo que o isolamento é fácil, mas é melhor ficar trancado em casa do que entubado em uma UTI; partindo da ideia de que você vai conseguir uma vaga em um hospital, e que esse hospital terá funcionários, e que esses profissionais de saúde contarão com materiais e equipamentos para oferecer o atendimento, ou seja:

FIQUE EM CASA, CASILDIS!

Sabemos que a coisa está complicada, mas poderia ser ainda pior:

  • Você poderia ser sequestrado e abusado por 365 dias por um galã em seu iate até estar mentalmente desestruturado a ponto de pensar que seu captor não é um psicopata e que tudo não passou de uma grande declaração de amor;
  • Ou se você acha que o seu apartamento é pequeno e você está se sentindo claustrofóbico, imagine se as paredes começassem a fechar sobre você?
  • E ficar em casa pode parecer ruim, mas já imaginou ficar preso em uma cabine de telefone?
  • Ou pior: já pensou que loucura ser enterrado vivo?

Assim, para reprimir esse desejo de sair de casa e furar a quarentena, é melhor pensar no perigo de grandes espaços abertos, e de como você pode ficar a deriva no meio do oceano ou flutuando sem rumo no espaço. Afinal, é melhor estar preso em casa do que em um submarino alemão tentando cruzar as linhas inimigas.

Há coisas bem piores do que esperar em casa conferindo essa lista de filmes. Se liga!

Top 10 Netlix | Os 10 Filmes mais vistos na Netflix em todos os tempos!

Que a Netflix é a plataforma de streaming de filmes e séries de maior sucesso no mundo todo mundo já sabe, mas você tem noção de quantas pessoas costumam ver as produções originais da campeã dos filmes online? Ou melhor: quanto tempo leva para que um filme seja visto por mais de 100 milhões de pessoas?

Bom, a Netflix nunca divulgou qual é o filme mais visto em sua plataforma, isso considerando as obras de todas as produtoras e distribuidoras. No entanto, a plataforma revelou nesta semana o top 10 dos títulos que levam o selo "Produção Original Netflix".

E pelos números revelados, parece que o Thor realmente tem uma beleza inigualável — ou que as pessoas são viciadas em filmes de ação. Pois é, segundo o ranking da Netflix, o filme "Resgate" (que estreou em 24 de abril de 2020) já teve um total de 99 milhões de reproduções ao longo desses quase 3 meses, sendo o filme original Netflix mais visto até o presente momento.

The Old Guar no Top 10 da Netflix

Interessante notar que o filme "The Old Guard" (que estreou dia 10 de junho de 2020) ainda não está no Top 10 de filmes mais vistos da Netflix (talvez pela demora em contabilizar os dados), mas uma informação da própria Netflix já o coloca nesta lista, sendo que o título estrelado por Charlize Theron deve alcançar a marca de 72 milhões de visualizações em suas quatro primeiras semanas de exibição.

Todavia, "The Old Guard" e "Resgate" podem ser considerados excepcionais, uma vez que outros filmes de sucesso na lista levaram até quase três anos para alcançar esses números. O título "Caixa de Pássaros", que é baseado em um livro best-seller, por exemplo, estreou em dezembro de 2018 na Netflix, mas não teve números capazes de superar estes sucessos mais recentes.

E como funciona esta lista de Top 10? As pessoas realmente assistem os filmes inteiros?

Eis aí uma informação de relevância para saber se as pessoas realmente estão vendo os longa-metragens. De acordo com a Netflix, os números da lista são baseados em contas que apertaram o botão play e assistiram pelo menos dois minutos do filme. Dessa forma, o número real de pessoas que viram os filmes completos pode ser bem menor. Agora, uma pergunta muito pertinente é:

Estes são os filmes mais populares porque todos vemos os mesmos filmes? Ou todos vemos os mesmos filmes porque eles são os mais populares?

Confira a lista (atualizada em 19 de julho de 2020) com o Top 10 filmes da Netflix e os respectivos números de reproduções para cada filme:

Lista | Filmes de Terror para ver na Netflix

Cansado de passar horas na Netflix e não acha um filme de terror que presta? Então, que tal conferir esta nossa lista com alguns dos filmes mais aterrorizantes da plataforma? A gente selecionou filmes dos mais variados tipos, incluindo Slashers, obras sobrenaturais e, claro, títulos mais endiabrados.

Atenção: vale notar que o catálogo da Netflix muda sempre, então pode ser que algum filme da lista já não esteja mais disponível, por isso corre pra ver os seus favoritos.

Critica do filme O Ritual (2017) | Não veja o trailer. Vivencie o filme

O Ritual (2017) é um dos melhores filmes de terror de 2018 que você ainda não viu. Em um ano que o gênero conseguiu apresentar vários títulos interessantes, começando com Um Lugar Silencioso, passando por Hereditário, Halloween e A Casa do Medo - Incidente em Ghostland e o recente Caixa de Pássaros, não é de se espantar que O Ritual (2017) tenha passado despercebido pela maioria.

Produzido por Andy Serkis (o Gollum em pessoa) o filme conta com uma história fechada, atuações sólidas e uma direção inspirada de David Bruckner. O diretor, que já mostrava potencial com os “curtas” Amateur Night (presente na coletânea de terror V/H/S) e The Accident (da antologia Southbound), constrói um filme tenso que chama a atenção, inclusive do “oscarizado” Guillermo del Toro — que foi ao Twiter para recomendar o filme.

Sem grandes floreios, Bruckner aposta no talento do seu elenco e na construção da atmosfera para apresentar uma combinação rara e inteligente de suspense psicológico e terror sobrenatural. O Ritual (2017) merece muito mais destaque do que recebeu e é certamente um dos melhores títulos do gênero lançados em 2018.

A bruxa de Sarek

No roteiro assinado por Joe Barton, que por sua vez é baseado em um romance de Adam Nevill, acompanhamos um grupo de velhos amigos tendo problemas durante uma trilha no norte da Suécia, mas a história não começa aqui. Já na sequência inicial temos uma boa ideia de como Bruckner acumula níveis de tensão em suas cenas, sem entregar nenhuma surpresa, retornarmos para a trilha remota na Suécia.

É difícil falar algum detalhe da história sem entregar as grandes surpresas do roteiro, assim, basta dizer que acompanhamos os amigos Phil (Arsher Ali), Dom (Sam Troughton), Hutch (Robert James-Collier) e Luke (Rafe Spall) que fazem uma espécie de peregrinação pela famosa “Trilha do Rei” (Kungsleden), no Parque Nacional de Sarek. Como era de se esperar de britânicos de meia idade, alguém logo se machuca e as coisas começam a piorar exponencialmente.

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Para encurtar a caminhada de volta à civilização o grupo resolve sair da trilha e cortar caminho atravessando uma floresta. Não demora muito para perceberem porque a trilha contorna a mata fechada. Estranhas inscrições nas árvores e outros presságios agourentes são apenas o prelúdio do que está por vir.

A noite cai e junto com a escuridão uma chuva torrencial, oferecem a combinação perfeita para empurrar nossos incautos protagonistas para dentro de uma cabana isolada abandonada no meio da mata. É aqui que as coisas começam a ficar realmente perturbadoras. Depois de uma noite repleta de pesadelos, o grupo sente que está sendo seguido e algo está à espreita. Entre o medo e os conflitos pessoais emergentes, o grupo fica cada vez mais vulnerável. 

Dosagem homeopática

O verdadeiro talento de David Bruckner está em sua delicadeza, na dosagem e manipulação dos “ingredientes” do filme. Com a racionalização dos medos dos protagonistas e do espectador, o diretor se aproveita da paisagem taciturna para conferir mais suspense a narrativa e explora dramas pessoas para criar uma trama evocativa de temas Lovecraftianos.

Mostrando apenas o necessário para aguçar a curiosidade do espectador, Bruckner nos prende dentro do filme, nos forçando a buscar informações esparsas sobre o que realmente está acontecendo. Com um ritmo muito mais lento do que a maioria dos títulos do gênero, o diretor realmente mostra domínio sobre a história escolhendo seus momentos e guardando o melhor para o final. 

Além da direção inspirada, O Ritual (2017) também conta com um elenco muito capaz. Arsher Ali, Sam Troughton, Robert James-Collier e Rafe Spall apresentam o misto necessário de dramaticidade e angustia. O destaque fica para Rafe Spall — o britânico veterano de Todo Mundo Quase Morto, Prometheus e do vindouro MIB: Internacional — que na pele de Luke carrega a narrativa e equilibra bem, medo e desespero.

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Os Grandes Antigos

Na tradição de H. P. Lovecraft, David Bruckner explora como a sanidade é algo volátil e como “monstros” pessoas podem ser tão assustadores quanto os sobrenaturais. O Ritual (2017) pode não ser um dos maiores títulos do ano, mas é seguramente um dos melhores filmes de terror de 2018.

Bruckner apresenta um estilo próprio que brinca com o found footage sem a pretensão documental

Sem grandes investimentos, a produção — que teve lançamento internacional via Netflix — agrada sem fazer algazarra. Contando com um roteiro bem amarrado, atuações convincentes e um diretor novo e talentoso, que brinca inteligentemente com o subgênero dos “filmes perdidos” e cria um estilo que bebe dessa fonte, mas não cai nas armadilhas “pseudodocumental”, O Ritual (2017) é uma ótima pedida para quem ainda busca mais um bom filme de terror antes que o ano acabe.

Direto pra Netflix! “Aniquilação” tem sua exibição aniquilada dos cinemas

Divulgado há cerca de quatro meses, o filme “Aniquilação” chamou a atenção dos aficionados por ficção científica. Seja pelo elenco expressivo ou pela história com novidades atraentes, o título tinha data de estreia programada para o fim do mês de fevereiro, mas tudo mudou de forma inesperada com um anúncio da Netflix.

De acordo com o trailer publicado ontem, no canal do YouTube da própria Netflix, a produção da Paramount Pictures, Skydance Media, DNA Films e Scott Rudin Productions chega ao Brasil somente no dia 12 de março e, curiosamente, diretamente na Netflix. Outra novidade que nos deixou bastante surpresos foi o anúncio com letras garrafais: uma produção Netflix.

A distribuição aparenta ser um acordo entre as empresas, mas o selo de “Original Netflix” aqui não representa que o filme foi produzido pela famosa companhia de streaming. Ao que tudo indica, a Netflix apenas obteve os direitos exclusivos para distribuição em sua plataforma, mas é uma pena para os fãs que estavam ansiosos para ver o longa-metragem na telona.

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O filme dirigido e roteirizado por Alex Garland (de “Ex Machina: Instinto Artificial”), nos mostra a história de Lena (Nathalie Portman), uma bióloga que decide embarcar numa expedição rumo ao desconhecido: através de uma barreira que vem deixando o mundo todo curioso. As leis da natureza não se aplicam, as criaturas neste lugar são distintas e o perigo é iminente.

Além de Portman, a produção traz no elenco nomes como Jennifer Jason Leigh, Tessa Thompson, Oscar Isaac, Gina Rodriguez e Benedict Wong. Então, enquanto você aguarda pela chegada do filme à Netflix, no dia 12 de março, vale conferir os trailers na ficha completa de “Aniquilação” aqui no site.

Você pretende assistir a este filme? Conta pra gente nos comentários.

Crítica do filme The Cloverfield Paradox | Futuro do pretérito do indicativo

A melhor maneira de se apreciar The Cloverfield Paradox é assisti-lo como The God Particle - nome utilizado durante a pré-produção do filme, e uma referência ao Bóson de Higgs. O filme mostra uma equipe de astronautas multiétnica a bordo de uma mega estação espacial/acelerador de partículas cujo único propósito é resolver uma crise energética na Terra que ameaça levar o planeta a uma nova guerra mundial.

As coisas não vão muito bem, até que os cientistas finalmente obtém sucesso disparando o acelerador e criando um feixe de energia capaz de alimentar a Terra ilimitadamente. Porém, como era de se esperar quando se tenta recriar as forças elementais do Big Bang em um filme de ficção científica, algo dá muito errado e a Terra simplesmente desaparece, e esse nem é o maior dos problemas da equipe que passa a lidar com situações cada vez mais estranhas até que a maioria morra ou fique perdida no espaço deixando apenas um ou dois sobreviventes no final.

Em suma, apesar de muitos clichês, The God Particle é um bom filme de ficção científica com toques de suspense e de quebra ainda conta com um elenco bem interessante. Com nomes de peso, temos um grupo diverso e inclusivo, com mulheres em papéis de destaque e afrodescendentes em posições de comando.

No entanto, não estamos falando de God Particle, mas sim de Cloverfield Paradox, e é aqui que as coisas ficam mais complexas. Carregando a bagagem da franquia Cloverfield, a nova produção, cuja estratégia de marketing surpreendeu a todos - haja vista que o filme foi revelado oficialmente apenas algumas horas antes da sua estreia mundial, diretamente no serviço de streaming Netflix - tomou para si o penoso trabalho de servir como “origem” para toda a saga.

Antologia do interesse

É importante ter em mente que a franquia Cloverfield se transformou em uma antologia de filmes independentes que compartilham o mesmo universo. O próprio título original, Cloverfield: Monstro opera em diferentes níveis sendo que a presença do “kaiju” é apenas um gancho para contar uma história que funcionaria em outro cenário, basta substituir o monstro gigantesco por um ataque terrorista e a trama correria da mesma forma, abordando os mesmos temas.

A máxima se prova verdadeira quando observamos o segundo título da série, Rua Cloverfield, 10, que só teve sua inserção na franquia confirmada pouco tempo antes de seu lançamento. Em Rua Cloverfield, 10, temos um suspense inquietante, perturbador e repleto de reviravoltas, tudo sem nenhuma conexão aparente com os eventos do primeiro filme.

O que nos traz até Cloverfield Paradox. Doug Jung (de Star Trek: Sem Fronteiras), roteirista do filme, explica que quando escreveu o seu filme não havia nenhuma referência aos outros Cloverfields. Tratava-se apenas de mais uma ficção científica, mas J.J. Abrams viu algo mais. O “Spielberg hipster”, percebeu a oportunidade de entregar uma espécie de prólogo, mostrando como as estranhas criaturas chegaram a Terra. Pronto, com algumas modificações na história The God Particle virou Cloverfield Paradox.

O filme tem vários elementos interessantes, mas por ser obrigado a se equilibrar nas costas da franquia Cloverfield muito acaba se perdendo. Algumas inserções do roteiro são apressadas e mal elaboradas, resultando em um filme esquizofrênico, que não encontra sua verdadeira personalidade.

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Um viva para a diversidade

Se o roteiro sofre com alguns altos e baixos, as atuações se mantém em um nível superior, sem decair. A diretora Ava DuVernay (de Selma - Uma Luta Pela Igualdade) elogiou as escolhas de elenco, não apenas por incluir afrodescendentes em posições de destaque, incluindo atrás das câmeras na cadeira de diretor, mas também por contar com uma mulher protagonista.

Por sinal, Gugu Mbatha-Raw (do episódio San Junípero de Black Mirror) é o destaque em todos os sentidos. A atriz entrega uma atuação sólida sem cair no precipício melodramático que seu personagem transita perigosamente. No elenco ainda temos o sempre intenso Daniel Brühl (Bastardos Inglórios), o carismático David Oyelowo (de Selma) e Chris O'Dowd (Missão Madrinha de Casamento), que consegue entregar humor mesmo nos momentos mais tensos.

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Paradoxo Cloverfield

Com uma premissa interessante e um desenvolvimento pouco original, Cloverfield Paradox tem seus momentos, mas nunca alcança todo seu potencial. Está cada vez mais claro que toda a franquia Cloverfield não passa de um laboratório de talentos da Bad Robot.

O principal defeito são as tentativas de se reescrever a história para que a trama se encaixe dentro desse universo, eis o verdadeiro Paradoxo Cloverfield.

A companhia de produção de J.J. Abrams já está suficientemente solidificada no mercado para poder experimentar novos projetos e, ao carimbar o selo Cloverfield, ela consegue “vender” roteiros que passariam despercebidos se não tivessem um diferencial comercial. Cloverfield Paradox é o capítulo mais fraco da antologia, o que de maneira alguma significa que se trata de um filme ruim. 

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Ajustando sua visão para esse fato, The Cloverfield Paradox é um filme mediano que até consegue prender a atenção dos fãs do gênero. No final das contas é uma boa adição ao catálogo da Netflix, mas certamente teria problemas brigando por espectadores nas salas de cinema.

Preparem-se! "Frozen: Uma Aventura Congelante" chega em outubro à Netflix

Vocês querem brincar na neve? Atenção papais e mamães, vocês estão preparados para nunca mais desconectar a Netflix? Porque é isso que vai acontecer quando chegar o dia 15 de outubro. Isso porque, nessa data, é chega à plataforma de streaming uma das animações mais encantadoras de crianças de todos os tempos: "Frozen: Uma Aventura Congelante".

Anna, Elza, o boneco de neve Olaf e toda a galerinha do reino mais gelado de todos os tempos estão prontos para enfrentar todos os desafios necessários para salvar o reino e garantir o bem-estar dos súditos.

No mês das crianças, a Netflix também vai trazer "Shaun, o Carneiro", animação britânica indicada ao Oscar em 2016. Baseada na série de mesmo nome, Shaun conta a história do jovem carneirinho que vive em uma fazenda onde, ao lado de seu amigo cachorro, tenta resolver problemas do dia a dia sem ser pêgo pelo fazendeiro.

Além das animações, a Netflix também já anunciou a chegada de vários outros títulos de sucesso dos últimos meses. "Ao Cair da Noite", "Ouro" e "Evereste" estão entre as novidades pra você ficar de olho. Isso se as crianças deixarem você pausar o desenho!

Episódio "San Junipero", de Black Mirror, leva Emmy de melhor filme para TV

A cerimônia de entrega do Emmy Awards aconteceu nesse domingo (17/09), movimentando a galera de Hollywood em um verdadeiro meme generator de indiretas para o Trump. Dominada pela minissérie “Big Little Lies”, a premiação também reconheceu alguns longa-metragens feitos para a TV – de forma a não concorrer com o Oscar.

Porém, nessa categoria de filmes para a TV, quem brilhou neste ano foram as séries. O grande vencedor foi o episódio San Junipero, da série britânica "Black Mirror", que também levou Melhor Roteiro em Minissérie ou Filme Feito para a TV, para Charlie Brooker – deixando para trás até mesmo a grande vencedora da noite, “Big Little Lies”.

Também concorriam na categoria “Dolly Parton's Christmas of Many Colors: Circle of Love”, “Sherlock: "The Lying Detective", “A Vida Imortal de Henrietta Lacks” e “O Mago das Mentiras”.

"Black Mirror" é uma série produzida atualmente pela Netflix, em que cada episódio conta uma história diferente e completamente sem conexão com os demais. Em comum, eles têm apenas as temáticas ligadas ao lado sombrio do ser humano, à tecnologia e a realidades disruptivas.

O vencedor do Emmy, "San Junipero", conta a história de duas jovens - a tímida Yorkie (Mackenzie Davis) e a extrovertida Kelly (Gugu Mbatha-Raw) - que vivem em um mundo onde é possível se mover através dos anos. Iniciada em 1987, a história se passa na praia de San Junipero, que dá nome ao episódio, que tem quase uma hora.