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Crítica do filme Pequeno Segredo

O polêmico filme indicado ao Oscar

Thiago Moura

por
Thiago Moura

Segunda, 31 Outubro 2016
Fonte da imagem: Divulgação/Diamond Films
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As indicações para representar o Brasil no Oscar 2017 foram repletas de polêmica, com alguns filmes retirados da competição e outros solicitando afastamento. Tudo isso foi motivado pelas questões políticas que culminaram no afastamento da ex-presidenta Dilma. O principal candidato era o filme Aquarius, pois teve uma boa repercussão após sua exibição no Festival de Cannes.

Por fim, o comitê de seleção convocado pelo Ministério da Cultura definiu o representante brasileiro ao Oscar 2017 de melhor filme estrangeiro: Pequeno Segredo, do diretor David Schürmann. A escolha foi uma surpresa para muitos, e as críticas negativas começaram muito antes da exibição do filme. Enfim o filme será exibido, e já adianto que vale a pena conferir antes de falar mal.

Atenção, a seguir contarei uma parte da história, que apesar de ser divulgada em diversos meios, pode ser considerada como spoiler, então se você não sabe qual é o “Pequeno Segredo” e nem quer saber antes de assistir, está avisado.

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O filme foi baseado no livro "Pequeno Segredo – A lição de vida de Kat para a família Schürmann", escrito por Heloisa Schürmann, mãe do diretor David Schürmann. O livro conta a história real da família Schürmann, a primeira tripulação brasileira a rodar o mundo em um veleiro, que adotou a neozelandesa Kat, portadora do vírus HIV.

Porém a narrativa vai muito além de uma adaptação literária, que por todos os seus elementos já é forte o bastante. A trama é desenvolvida de forma não linear, contando a vida de Kat em sua pré-adolescência, com todos os problemas, dúvidas e conflitos presentes nessa idade, além do pequeno segredo sugerido pelo título, que a própria Kat desconhece.

Em paralelo, vemos o desenrolar da história de amor de seus pais biológicos, o viajante neozelandês Robert (Erroll Shand) vai até Manaus, e acaba conhecendo e se apaixonando por Jeanne (Maria Flor). Após conhecermos e entendermos os motivos de Robert estar ali e porque ele iria embora, um trágico acidente afeta o casal, mais especificamente Jeanne.

Eles acabam indo morar na Nova Zelândia, onde Jeanne revela que está grávida. Porém, a mãe de Robert, Barbara (Fionnula Flanagan) é avessa ao relacionamento dos dois, agindo de forma hostil e preconceituosa sempre que possível. Ela serve como uma pseudo vilã para a história, algo que se mostra forçado em determinado momento do filme. Porém, é necessário lembrar que essa é uma situação real e até bem comum em diversas famílias.

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Por fim, entendemos como Kat (Mariana Goulart) foi adotada por Vilfredo (Marcello Antony) e Heloisa Schürmann (Julia Lemmertz), e como ela contraiu a doença que a acompanhou por toda a sua vida, que apesar de breve foi repleta do mais sincero amor. A Kat verdadeira faleceu em 2006, um mês antes de completar 13 anos, o livro e o filme são ao mesmo tempo uma homenagem e um desabafo pela perda de uma pessoa querida, além de ser uma história que merece ser contada.

O roteiro é muito bem construído, a fotografia é realmente digna de grandes produções, mas a escolha dos atores e por consequência as interpretações são impecáveis. Poderia tentar destacar alguma, mas seria realmente injusto. Sendo bem sincero, acho a maioria dos filmes com atores brasileiros bem meia boca, mas sou incapaz de dizer isso a respeito de “Pequeno Segredo”. É impossível não se comover com as situações apresentadas, mas todo esse melodrama é real, o que de certa forma torna tudo mais intenso. Mas a vida de Kat não é representada de forma trágica, ao contrário, vemos que é bem normal e feliz, o que ajuda muito a transmitir a mensagem do filme, sem apelações.

Mas essa é realmente a melhor escolha para o Oscar?

Talvez. É difícil acreditar que o filme vai levar a estatueta, mas é inegável que todos os aspectos técnicos do filme são altíssimos, além de possuir um discurso voltado para o mundo todo, seja a conscientização sobre o vírus e portadores de HIV, ou o amor incondicional de pais que resolvem adotar uma criança que independente de qualquer dificuldade, será tratada com carinho. E nesse sentido, o filme passa longe de debates políticos, propondo-se apenas a ser um bom filme.

Eu realmente gostaria que os filmes tivesse esse cuidado, sem visar prêmios ou ser considerado “arte” ou “comercial”. Apenas uma boa história, executada da melhor forma possível. É claro que o poder político dos filmes pode e com certeza deve ser considerado, mas no final o objetivo é o entretenimento.

Fonte das imagens: Divulgação/Diamond Films

Pequeno Segredo

Um amor maior que a vida, baseado em uma história real

Diretor: David Schurmann
Duração: 107 min
Estreia: 10 / Nov / 2016

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Thiago Moura

Curto as parada massa.

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