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Fogo no Mar | Trailer legendado e sinopse

O filme captura a vida da ilha de Lampedusa, na costa sul da Itália. O local se tornou linha de frente na crise imigratória europeia, e virou manchete mundial nos últimos anos por ser o primeiro porto de escala para centenas de milhares de imigrantes, da África e do Oriente Médio, que tentam fazer uma nova vida no continente europeu.

 

Crítica do filme O Escaravelho do Diabo | Muita nostalgia e poucas surpresas

A Coleção Vaga-Lume tem o mérito de ter despertado o interesse de toda uma geração pela literatura. Por isso, quando a Downtown Filmes anunciou a adaptação para o cinema de um dos títulos mais clássicos da Coleção, O Escaravelho do Diabo, de Lucia Machado de Almeida, uma legião de fãs de literatura infanto-juvenil de suspense ficou alvoroçada. 

Dirigido por Carlo Milani, o longa conta a história do menino Alberto (Thiago Rosseti), que presencia o desenrolar de uma série de assassinatos na pacata cidade de Vale das Flores. Tudo começa quando Hugo (Cirillo Luna), irmão do protagonista, recebe por correio uma caixa contendo um escaravelho. O inseto acaba sendo o prenúncio do assassinato do rapaz, que tem em comum com as próximas vítimas a cor do cabelo: ruivo. 

Os crimes passam a ser investigados pelo delegado Pimentel (Marcos Caruso), um veterano excêntrico da polícia da cidade, com uma abordagem curiosa e uma personalidade bastante característica. 

Boa composição, atuações fracas

O primeiro ponto que chama a atenção em O Escaravelho do Diabo é o casting – e é aí também que está o principal erro. O jovem Thiago Rosseti (da novela Carrossel), está bem longe de ser a escolha ideal para o papel de Alberto. Além de bastante novo, não parece casar bem com o personagem e deixa bastante a desejar na qualidade de atuação. 

O Escaravelho do Diabo

Marcos Caruso vai bem na pele do Delegado Pimentel e a grande surpresa é Bruna Cavalieri, no papel da ruivinha Raquel Marcos, amiga de Alberto. Apesar de ser também muito jovem, a atriz-mirim desenvolve muito bem a personagem e demonstra um talento que poderá levá-la muito longe na carreira. 

Para além destes três personagens mais importantes, o longa traz nomes de pouca projeção e atuações bem regulares e pouco marcantes. A isso se soma uma trilha sonora que beira o óbvio, com evoluções de som para marcar os momentos de tensão, e algumas boas surpresas – várias músicas brasileiras, por exemplo, foram escolhidas para compor a trilha. 

Apesar disso, o filme é dirigido de forma bastante aceitável e traz alguns recursos bem aproveitados. Utilizam-se, por exemplo, gráficos que dialogam com a história e com o imaginário dos personagens. Isso foge um pouco da construção padrão das produções brasileiras e diversifica a narrativa de um jeito bem interessante. 

A fotografia do filme também é bonita, com boas locações e cenários simpáticos, coloridos e bem brasileiros, o que confere uma identidade única à produção.

Adaptações sem sentido

Levar uma obra literária querida pelo público para outra plataforma, como o cinema, é sempre um desafio com chances de terminar com a clássica crítica: “ah, mas o livro é muito melhor que o filme”. É muito difícil corresponder à imagem que o leitor construiu no próprio imaginário, então desagradar o público fã do texto original é um risco que se corre. 

Particularmente, acredito que são plataformas diferentes com características e linguagens específicas e que uma mesma história pode ter resultados satisfatórios com as devidas adaptações para cada uma delas. No entanto, no caso de “O Escaravelho do Diabo”, alguns ajustes feitos à história original não apenas não fazem sentido como trazem algumas complicações para o roteiro. 

O Escaravelho do Diabo

A primeira delas é a idade dos personagens, especialmente do protagonista, que foi rejuvenescido. Enquanto no livro Alberto é um estudante de medicina, no filme ele é apenas um adolescente em idade escolar. Embora pareça uma mudança leve, ela confere à história um ar que circula entre Chiquititas e Carrossel, e não o suspense envolvente do texto de Lucia Machado de Almeida. 

Atualizar a história para que se passe no momento atual também é algo que não agrega nada à produção. Ao incorporar tecnologias como telefones celulares, tablets e diálogos via chamada de vídeo, o longa parece passar por uma tentativa de modernização de uma história que não condiz com alguns aspectos essenciais ao bom andamento do roteiro: o uso de arquivos de papel pelo vendedor de antiguidades, o envio de materiais via correio, entre outros. 

Ao longo do filme, várias outras pequenas mudanças são percebidas – como o nome da cidade de Vista Alegre, no livro, para Vila das Flores, por exemplo. Embora não prejudiquem a história, também não se justificam.

Potencial pouco aproveitado

Li O Escaravelho do Diabo quando estava no ensino fundamental, aos 13 anos. No auge da adolescência e fã de obras de ação, suspense e mistério que era, me empolguei muito com a história instigante – tanto que devorei o livrinho da Coleção Vagalume em uma tarde. E aí é muito difícil não se decepcionar um pouco com a forma como o filme foi conduzido.

O Escaravelho do Diabo

Nostalgias à parte, convenhamos que o plot do longa tem bastante potencial. No entanto, esse potencial não foi muito bem utilizado e o resultado é um filme com aquela ambientação um pouco Malhação, um pouco novela das nove, com uma pitadinha de humor Zorra Total. 

Com uma ou outra exceção, nas quais atrai a atenção para as cenas de suspense ou desperta o riso do público, O Escaravelho do Diabo é uma sequência de cenas óbvias e pouco surpreendentes, intercaladas com alguns momentos de humor sem graça e atitudes nonsense dos personagens. 

Até mesmo o vilão, que tem um background interessante e que poderia proporcionar um ótimo desfecho para a história, é explorado de uma forma que apaga todo o seu potencial.

Para quem é fã do livro, vale a pena ver o longa – nem que seja pra resgatar um pouco o carinho pela Coleção Vaga-Lume e relembrar essa história que marcou a adolescência do início dos anos 2000. Para quem não guarda essa relação de nostalgia, O Escaravelho do Diabo até distrai, mas sem grandes surpresas.

Crítica do filme Amor por Direito | A triste luta pela igualdade

Filmes biográficos estão em alta, afinal as pessoas buscam muita inspiração em pessoas de verdade que vivenciaram experiências fantásticas, revolucionaram o mundo ou simplesmente tiveram grande importância para uma determinada causa. No caso de “Amor por Direito”, vemos uma história que consegue reunir quatro gêneros para o debate de algumas pautas de grande importância.

Temos aqui uma biografia cinematográfica que começa falando da policial de New Jersey Laurel Hester (Julianne Moore), da sua dedicação à carreira, passando pela fase romântica, em que conhece sua amada Stacie Andree (Ellen Page), até chegar a um drama de proporções absurdas que coloca em debate tanto a fragilidade de uma pessoa com uma doença terminal quanto a problemática da igualdade para casais homossexuais.

Para muitos, a abordagem do filme talvez não seja lá grande coisa, afinal muitos países já declararam a legalidade do casamento homossexual. Acontece que estamos em 2016 e, como você já bem deve saber, há um número infindável de casos de homofobia, que geralmente envolvem violência, preconceito, ódio e outras coisas absurdas que mostram como estamos estagnados.

Então, como mudar esse cenário? Oras, fazendo um filme com excelentes atrizes como Julianne Moore e Ellen Page para mostrar como esse tipo de visão retrógrada só prejudica pessoas inocentes que apenas querem viver suas vidas sem fazer mal a ninguém. Vamos falar um pouco sobre essas problemáticas e a produção.

Passando a mensagem de forma clara

Essa questão de direitos parece simples, afinal não se trata de pedir algo absurdo ou privilégios. O filme, inclusive, vem justamente para bater na tecla da igualdade. Casais como Stacie e Laurel existem em todos os lugares do mundo. São apenas pessoas querendo amor, sucesso, alegria e respeito. O mais curioso é perceber que, assim como no filme, as pessoas na vida real só recebem valores invertidos. Qual a necessidade disso?

Poderia ser sua colega, sua prima, sua amiga, sua irmã ou apenas uma pessoa conhecida. Na verdade, mesmo que fosse um desconhecido, você há de convir que não importa quem seja o envolvido na situação, a falta de empatia e respeito para com o próximo se mostra algo totalmente desnecessário. No cinema, a plateia se emociona e chora, mas o longa esclarece que isso é algo comum na vida real.

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Eis aqui o trunfo do filme, retratar que não existe sentido nessa homofobia, ainda mais na questão da politicagem, que nega direitos a cidadãos que pagam seus impostos, vivem sem incomodar ninguém e só querem um pouco de compaixão (pra não dizer apenas o que é justo).

Curioso é perceber também os motivos dados por terceiros para se opor a tal causa. Os colegas de Laurel não fazem questão alguma de dar apoio, mas não apresentam argumentos para tratar uma pessoa tão querida com descaso e uma falta de compaixão sem cabimento. É triste e não é só ficção.

Dedicação para elevar o realismo

Bom, falando da produção como um todo, é mais do que justo enaltecer primeiramente a perfeita sintonia de Julianne Moore e Ellen Page. As duas formam um casal convincente, algo perceptível tanto no início do romance quanto no amor exibido no desenrolar da trama. Page parece um pouco mais participava, mas Moore é mais expressiva e dedicada, até por conta do caso delicado de Laurel.

A maquiagem (ou a falta dela) também incrementa na construção da trama. Julianne Moore se mostra incrivelmente bela e realista sem precisar de quilos de pó e cores no rosto. Isso contribui tanto para a construção do personagem quanto para enaltecer os problemas da doença e do drama vivido por Laurel.

É legal que mesmo coadjuvantes apresentam pontos de vistas que agregam algo ao debate aqui e, certamente, a presença dos atores Michael Shannon e Steve Carell são de suma importância para o desenvolvimento desses personagens que também são comuns na luta da causa. Um deles (Shannon) é o amigo que apoia, que se mostra relutante, mas ainda importante. Outro (Carell) partilha da luta, ainda que se mostre focado em outras questões. Os dois atores se mostram dedicados e muito convincentes e até acrescentam toques de comédia à película.

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Para dar dramaticidade, a produção se apoia muito na fotografia, que apresenta um tom mais verídico e ainda exala delicadeza. Cenas marcantes são apresentadas para ressaltar o romance de Laurel e Stacie, com direito a paisagens belíssimas pensadas para evidenciar a parte apaixonante do relacionamento das duas. Belas sequências na praia, na casa e em outros cenários colaboram muito para enriquecer a parte visual da película.

Algo muito interessante no desenvolvimento de  “Amor por Direito” é perceber que a obra evita o uso de trilhas comerciais. A musicalidade comandada pelo mestre Hans Zimmer e por Johnny Marr é duma sensibilidade ímpar e dá toques sutis aos momentos mais dramáticos. Apesar disso, o tema da Miley Cyrus também merece aplausos, porque caiu como uma luva e se encaixa perfeitamente para uma reflexão.

Um detalhe que talvez incomode aos mais atentos é a falta de continuidade ao caso policial investigado por Laurel no começo da trama. Contudo, o roteiro deixa essa parte de lado, uma vez que só faria sentido insistir em tal assunto se a protagonista continuasse envolvida na situação. Depois, o filme até dá alguma pincelada no caso, só pra não deixar ponta solta, o que é muito bom do ponto de vista de construção.

Quer algumas dicas para curtir este filmão? Primeiro, vá a um cinema confortável, com telona e boa qualidade de som. Não se esqueça de levar lenços, pois você vai precisar. Ah, claro, e também leve o coração aberto, pois você vai amar e se emocionar.

Sete Homens e Um Destino (2016) | Novo trailer legendado e sinopse

Sete pistoleiros. Um vilarejo. Bandidos perigosos. Junte esses três ingredientes e você tem o cenário perfeito para um bom faroeste. O remake de "Sete Homens e Um Destino" conta a história de sete homens destemidos que se unem para defender as pessoas oprimidas desta cidade que vem sofrendo constantes ataques de ladrões muito perigosos.

A Garota no Trem | Trailer legendado e sinopse

No suspense "A Garota do Trem", Rachel (Blunt), que está desolada por seu divórcio recente, passa seu tempo indo para o trabalho fantasiando sobre o casal aparentemente perfeito que vive em uma casa onde seu trem passa todos os dias, até que em uma manhã ela vê algo chocante acontecer lá e se torna parte de um mistério que se desdobra.

Crítica do filme Visões do Passado | Mais clichê e uma narrativa razoável

Atormentado pela morte de sua filha de 12 anos o psiquiatra Peter Bower (Adrien Brody) se vê perseguido por um problema do passado que a sua própria mente tratou de esquecer. De repente, aparições misteriosas em sua vida o obrigam a encarar seus fantasmas e a vasculhar em um canto oculto da sua memória — assim pode ser resumido Visões do Passado.

O filme começa de certa forma lento, sem dar muitos indícios dos rumos da história, mas aos poucos consegue criar elementos para prender a atenção do espectador. Toda a trama é permeada de clichês típicos dos filmes de terror mais recentes, com trilha sonora marcante, sons que intensificam o suspense e antecedem as cenas de susto e terror. Como isso está presente em basicamente todo o filme, acaba tirando um pouco o brilho da condução da história, que abusa de clichês típicos de obras com assombração.

Se há algum mérito no longa escrito e dirigido por Michael Petroni (Mistérios do Passado), está na condução da história. Apesar dos clichês, a história é apresentada de um jeito interessante, elevando o clima de mistério no início e adicionando novos elementos aos poucos, capturando a atenção de quem vê assiste à película e criando aquele clima de ansiedade para que a trama seja concluída logo, com os mistérios solucionados.

Visões do Passado

Dá para dizer que a história sofre uma pequena reviravolta em certa altura, quando as coisas começam a ser concluídas de fato. Porém, o sentimento geral é de que Visões do Passado sofre com uma trama que precisava ser encerrada de algum jeito e acabou sendo concluída da maneira mais previsível — e sem graça — possível. Antes disso, o filme decepciona um pouco pela própria superficialidade de outras personagens que circundam a vida do protagonista, especialmente da sua esposa, que aparece apenas como um acessório em certos momentos.

Enfim, durante a maior parte do tempo, Visões do Passado é um filme de terror interessante. Mas as falhas na construção de relações mais profundas entre personagens e também a ausência de personagens que fujam de uma bidimensionalidade prejudicam fortemente a experiência diante da tela.