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Crítica do filme Ela

E você, se apaixonaria por um programa de computador?

Rafael Gazzarrini

por
Rafael Gazzarrini

Sexta, 21 de Fevereiro de 2014
Fonte da imagem: Divulgação/
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Caso você esteja lendo este artigo e não conheça direito a história do filme “Ela”, aqui vai um resumo bastante simples: Theodore é um redator que trabalha escrevendo cartas para os outros (principalmente em datas especiais, como aniversários de casamento). Acontece que ele acabou de se separar e está se sentindo muito solitário sem a sua ex-esposa.

Para encontrar uma forma de ajuda e também para organizar a sua rotina, Theodore adquire um sistema operacional que funciona como assistente pessoal. E é aí que a magia de “Ela” fica ainda mais evidente. Desde o começo, a produção se mostra muito cuidadosa e cheia de detalhes bonitos, que fazem a diferença para o expectador, principalmente se levarmos em consideração que este é um filme bastante sensível.

Como exemplo, posso citar o fato de que as roupas dos personagens, assim como os aparelhos eletrônicos utilizados por eles, são feitos de maneira muito inteligente. Esses objetos continuam tendo um design conhecido, mas são indiscutivelmente do futuro — ou seja: não há mudanças absurdas. Dessa maneira, a realidade de “Ela” é palpável, por assim dizer, e a imersão dentro dela é muito fácil.

Além de tudo isso, se formos levar em consideração algumas previsões otimistas de especialistas da área de Tecnologia, softwares como Samantha (a assistente pessoal de Theodore) podem vir a existir dentro de algumas décadas. Por conta de tudo isso, “Ela” é uma ficção científica que tem os pés no chão, oferecendo uma experiência diferenciada das de filmes do mesmo gênero.

Um cuidado que todos gostariam de experimentar

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Outro ponto bastante importante da história de “Ela” é o romance entre o programa Samantha e Theodore. O sistema operacional está sempre presente para cuidar do redator de cartas, acordando o homem, organizando a sua vida, dando boa noite e até mesmo povoando as fantasias eróticas desse rapaz solitário.

Ao mesmo tempo, Theodore também está presente de maneira muito firme para fazer companhia e ajudar Samantha. Ele leva a sua namorada virtual para todos os lugares, com o smartphone servindo de olhos para a “garota”, sem vergonha de admitir que ela é um sistema operacional e mostrando o mundo para este software tão curioso.

Com tudo isso, mais do que montar um romance que pode vender muitos ingressos, “Ela” dá um exemplo de relacionamento que muitas pessoas gostariam de aproveitar pelo menos uma vez na vida. Eles estão lá um pelo outro, sem precisar de toques ou de olhares intensos para saberem que se amam. E isso é bonito. E também é algo bacana de se ver, principalmente pelo simples fato de esse romance ser tão improvável.

A dúvida que fica

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Você pode pensar que o namoro entre os dois personagens é perfeito, não é? Acontece que, como eu expliquei acima, o filme tem os pés no chão e perfeição não existe. Samantha vai evoluindo, sendo capaz de se apaixonar por várias pessoas ao mesmo tempo, de ter várias conversas ao mesmo tempo e mudando quem (ou o que) ela é a cada segundo.

Contudo, Theodore continua sendo o mesmo. E o mais legal disso tudo é que situações como essa acontecem entre pessoas. Afinal de contas, você não é o mesmo do ano passado, você já deve ter se interessado por mais de uma pessoa ao mesmo tempo e, devido a isso tudo, talvez já tenha decepcionado ou magoado alguma pessoa. Sendo assim, “Ela” mostra que o amor é algo diferente daquilo que normalmente aprendemos e às vezes é simplesmente egoísta.

Acontece que é tudo muito bem feito, tudo muito real (dentro das devidas proporções, é claro). Desse modo, além de apresentar uma história cheia de detalhes bonitos — cenários bem feitos, atuações comoventes e paralelos bem inteligentes —, “Ela” deixa uma dúvida insistente: e se fosse comigo, será que eu me apaixonaria pela Samantha?

A minha resposta é a de que qualquer coisa com a voz meio rouca e totalmente charmosa de Scarlett Johansson é passível de afeto. Pode ser até um porta-retrato.

Fonte das imagens: Divulgação/

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Rafael Gazzarrini

Pode me chamar de Rafa, eu ando por aí na minha nuvem dourada.

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