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Crítica do filme Sob a Pele

Sexy sem ser vulgar

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Quarta, 21 de Maio de 2014
Fonte da imagem: Divulgação/
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Desde o lançamento do primeiro trailer — lá no começo do ano — do filme “Sob a Pele”, apareceu aquele grupinho de intelectuais metidos a manjadores falando que este seria mais uma obra genial, imperdível, nunca antes pensada, etc.

A verdade é que essa obra do diretor (não muito conhecido) Jonathan Glazer se encaixa no gênero que chamamos de cult, que é composto por projetos que geralmente tratam de algum tema de forma abstrata e exigem uma interpretação profunda do espectador.

Assim, antes que eu entre em minhas divagações sobre o tema, devo dizer que o filme não é bem o que o público geral espera. Se você é do tipo que gosta de filmes de ficção científica que têm extraterrestres tradicionais e um enredo bem definido, então “Sob a Pele” não é o que você procura.

Já antecipo aqui que é o filme é muito bom e de uma riqueza visual ímpar, mas acho válido relatar de antemão que ele não é toda essa genialidade que os “entendidos” de filme cult dizem. Trata-se de uma visão diferente do tema proposto, mas nada que vá fazê-lo refletir muito ou ficar extasiado.

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Bom, para você que não conhece o filme (você talvez nem deveria ler uma crítica para não reclamar de spoilers), vale uma introdução. Em “Sob a Pele”, acompanhamos uma alienígena (Scarlett Johansson) sensual sem nome que oferece carona para desconhecidos e consome aqueles que demonstram um apetite sexual muito voraz.

A poderosa genitália alienígena

A introdução do filme denota o que vem pela frente. São alguns bons minutos de cenas sem sentido que deixam o público fazendo questões sobre o que está acontecendo. As imagens abstratas parecem mostrar o universo, mas aos poucos podemos conferir que tudo se passa dentro dos olhos da alienígena sensual.

Não há quaisquer falas durante os primeiros momentos, porém um constante ruído sonoro é usado como trilha sonora. Não deve demorar muito para que ele cause incômodo e você se sinta desconfortável. Nessas primeiras imagens, já vemos a alienígena sensual toda nua (é isso aí, é o pedido da moçada sendo atendido).

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Ela está mexendo em uma pessoa desmaiada, mas não dá pra entender o que ela realmente quer. Fica a dúvida também: afinal, quem é esse motoqueiro que aparece já nas primeiras cenas (e que fica passeando de motoca o resto do filme por belíssimos cenários)? O que esse cara quer? Seria ele irmão da protagonista? Fica aí essa dúvida eterna.

A história (que não é nem um pouco clara) vai se desenrolando aos poucos, com a alienígena abusando de vários homens que estão dando sopa na estrada. Ela atrai a atenção deles, rola uma hipnose sinistra e, então, ela leva os rapazes para um ambiente escuro onde eles são dragados pela sua sensualidade absurda e logo são consumidos pelo próprio desejo.

O filme não explica bem como isso funciona, mas, a meu ver, parece que esses caras louquinhos por uma boa transa são levados a um estado de sono profundo, de onde eles jamais sairão. É como se eles entrassem num limbo, o qual é mantido pela mente da alienígena. E ela parece necessitar dessas presas fáceis para continuar viva.

Essas cenas em que a protagonista apenas desfila em meio a um cenário sem fim são incrivelmente impressionantes. Glazer, que também é roteirista do filme, caprichou nessas tomadas. Há uma dualidade de sensações, que mistura excitação com medo do desconhecido. O som ajuda muito e dá até sustos. É como se estivéssemos no papel dos homens que ela captura e não pudéssemos reagir.

Uma óptica diferente do mundo

Conforme essa extraterrestre apática fracassa ao atrair algumas presas, ela resolve explorar o planeta e conferir o comportamento dos humanos de perto. Logo percebemos que ela é bem fria e não consegue se adaptar aos costumes terrestres. Ela passa por uma série de dificuldades para se adaptar.

Nós, como humanos, não temos noção de como é difícil ser um alienígena. Já imaginou como é complicado chegar em um planeta desconhecido e ver um monte de criaturas insignificantes agindo como se fossem os reis da galáxia? É tipo quando observamos formiguinhas e ficamos imaginando o que esses bichinhos ficam fazendo o dia todo.

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“Sob a Pele” tenta retratar justamente esse olhar do ser superior que vê de forma diferente. A observação é fundamental, por isso boa parte das cenas do filme são focadas em longas tomadas que exibem os detalhes das paisagens. O silêncio é um recurso marcante e constante em quase toda a película, afinal, ouvir com atenção é parte do reconhecimento local.

O filme se apoia muito sobre os recursos sonoros. A trilha sonora de Mica Levi é simplesmente fenomenal. Com ruídos aleatórios, apitos incessantes, batidas descompassadas e zumbidos infinitos, a música incomoda os ouvidos e passa os mais diversos tipos de sensação. Aos poucos, podemos ver que a obra tem um pouco de melancolia, angústia e até uma atmosfera sombria que nos impacta negativamente.

Nossa, que filme louco e sem sentido

O marketing de divulgação de “Sob a Pele” foi bem elaborado e aposta em ideias diferentes. São três sites: t0uch-me, touched-some1 e 1-of-many. Cada página mostra um dos conceitos apresentados do filme. Além disso, você pode discar para um telefone nos EUA e ouvir uma mensagem da personagem principal do filme (vale a pena ouvir o que ela tem a dizer).

“Sob a Pele” é um longa-metragem que deve agradar somente ao público que gosta de pensar. Trata-se de uma jornada pelo desconhecido, de um olhar diferente para o comum. O filme é de difícil compreensão e não vai levá-lo a lugar algum. O fim é um bocado decepcionante e muitas dúvidas permanecem sem respostas.

Aliás, depois de assistir ao filme, fiquei pensando como seria conferir a obra sem conhecer um mínimo. A verdade é que uma pessoa que não sabe ao menos a sinopse do filme dificilmente entenderia a história, afinal em momento algum é explicado que a protagonista é uma alien.

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Enfim, só posso dizer que esse é mais um filme bonito e muito bem trabalhado. Entretanto, esta é uma obra que certamente vai desagradar as pessoas que querem ver uma grande ficção científica.

Aproveitando a ocasião, quero dizer para você que está na vibe de ver o filme apenas para curtir a Scarlett Johansson sem roupa:

1) Esse filme não é para você;
2) Não perca seu tempo, pois você vai se arrepender.

Sob a Pele” está em cartaz em alguns cinemas selecionados do Brasil.

Fonte das imagens: Divulgação/

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